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Ricardo Nunes assume Prefeitura de SP após Covas se licenciar para tratar câncer

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Prefeito exercício participa de agendas e despacha no gabinete nesta segunda-feira (3). Ricardo Nunes (MDB) e Bruno Covas (PSDB) durante a posse na cidade de São Paulo em janeiro de 2021.
Divulgação/Rede Câmara
Eleito vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) assumiu a prefeitura nesta segunda-feira (3) após o prefeito Bruno Covas (PSDB) se licenciar por 30 dias do cargo para dar continuidade ao tratamento que enfrenta contra um câncer no sistema digestivo.
O prefeito em exercício já tem agenda pública nesta manhã e vai despachar do gabinete durante o decorrer do dia.
Saiba quem é Ricardo Nunes
Neste domingo (2), Covas anunciou seu afastamento pelas redes sociais:
“Nesses últimos meses, a vida tem me apresentado enormes desafios. Tenho procurado enfrentá-los com fé, cabeça erguida e com muita determinação. (…) Nesse momento, com muita força e foco que preciso colocar na minha saúde, fica incompatível o exercício responsável de minhas funções como Prefeito de São Paulo, por isso, vou solicitar à Câmara de Vereadores uma licença do cargo pelo período de 30 dias, para me dedicar integralmente à minha recuperação.”
O prefeito também enviou um ofício ao presidente da Câmara Municipal, o vereador Milton Leite para comunicar sua licença. A Câmara Municipal não precisa aprovar a licença para que o vice assuma.
Segundo o médico David Uip, que acompanha o tratamento do prefeito no hospital Sírio Libanês, no Centro de São Paulo, Covas foi internado novamente neste domingo (2) para dar continuidade ao tratamento da doença.
Ricardo Nunes assume a prefeitura de São Paulo por 30 dias
Perfil de Nunes
Nunes foi vereador por dois mandatos em São Paulo antes de se eleger vice na chapa PSDB-MDB que disputou a última eleição na capital paulista. Ele é ligado a associação de empresários da Zona Sul e à Igreja Católica, tendo composto as bases petista e tucana nos últimos oito anos na Câmara Municipal de SP.
Em 2012, após ganhar as eleições ao legislativo pela primeira vez, ele fez parte da base de apoio do prefeito Fernando Haddad (PT).
Durante o primeiro mandato, o vereador foi forte interlocutor da Igreja Católica na Câmara Municipal e fez forte lobby para anistiar e regularizar templos religiosos irregulares na lei de zoneamento em 2016.
Vice-prefeito Ricardo Nunes (MDB) reza durante cerimônia religiosa na capital paulista.
Acervo pessoal/Facebook
Contra gênero na Educação
Já como integrante da Comissão de Finanças na Câmara, conseguiu barrar menções a termos como gênero do Plano Municipal de Educação (PME) da cidade. Na época, defendia que sexualidade não deveria ser tema nas salas de aula do município.
No Plano Diretor de 2014, sugeriu a criação de um aeródromo em Parelheiros, extremo sul da capital paulista.
Foi da base da gestão Haddad até 2016, quando Gabriel Chalita (MDB) foi candidato a vice de Haddad no pleito daquele ano e os dois foram derrotados para a chapa João Doria e Bruno Covas (PSDB).
Naquela eleição, Nunes se reelegeu vereador e passou então a fazer parte da base aliada de Doria-Covas até ser indicado a vice no ano passado, após uma articulação do próprio João Doria, já no cargo de governador do estado.
Em seus últimos quatro anos como vereador, Ricardo Nunes compôs CPIs como a dos bancos, que investigou a sonegação de ISS na cidade.
Uma lei proposta pelo então vereador Ricardo Nunes, em 2014, prevê um sistema de transporte público hidroviário em São Paulo na represa Billings, região do Cantinho do Céu, extremo sul da capital, um dos redutos eleitorais dele.
Na atual gestão, esse projeto, que foi sancionado pelo ex-prefeito Haddad, foi incluído no plano de metas.
O vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB), em encontro com o cardeal de São Paulo, Dom Odilo Scherer.
Acervo pessoal/Ricardo Nunes
Ricardo Nunes também é crítico do repasse bilionário de verbas da prefeitura para as empresas de ônibus da cidade em forma de subsídios, assunto que sempre gera tensão entre ele e o vereador Milton Leite (DEM), presidente da Câmara de Vereadores, que apoiou a indicação de Nunes para vice de Bruno Covas em 2020.
O ex-vereador também é profundo conhecedor das contas do município e fez parte da Comissão de Finanças da Câmara Municipal.
Em 2020, Nunes tem ido a agendas públicas nas quais Covas apareceu apenas virtualmente, como na semana retrasada, na inauguração de um hospital no campus da Uninove.
Carta do prefeito Bruno Covas comunicando o pedido de licença por 30 dias.
Reprodução

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