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Quatro meses depois de anunciar que fila da creche estava zerada na cidade de SP, 2,6 mil crianças aguardam vaga, diz Prefeitura

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No começo de 2021, foram 340 mil matrículas. A espera, que teoricamente estava zerada, deu um salto e tem atualmente 2.664 alunos. O bairro com a maior fila atualmente é o Jabaquara, na Zona Sul. Mais de 2.600 crianças esperam vaga na fila da creche em SP
A capital paulista tem mais de 2,6 mil crianças na fila de espera por uma vaga em creches, de acordo com a Prefeitura. O número é divulgado quatro meses depois de o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciar que tinha zerado a fila por vagas em creches na capital.
A fila é inversamente proporcional ao número de matrículas. Quanto mais matriculados, menor é a espera. No começo do ano passado, foram registradas 339.475 matrículas. Ficaram na fila 21.419 crianças.
Depois, a Prefeitura anunciou que abriu mais vagas – inclusive por meio de parcerias com instituições particulares – e, no fim de 2020, as matrículas aumentaram para 374.631. Foi quando o município disse que zerou a fila e que 540 crianças ainda aguardavam porque os pais queriam uma creche específica.
No começo de 2021, as matrículas voltaram para 340.255. A espera, que teoricamente estava zerada, deu um salto e tem atualmente 2.664 alunos. O bairro com a maior fila atualmente é o Jabaquara, na Zona Sul, com 180 crianças na fila por uma vaga em creche.
Situação da fila para creche municipal na capital paulista
Reprodução/TV Globo
A Josefa Cléia Andrade conseguiu uma vaga em uma creche da Prefeitura para o filho João Vitor em menos de um mês na espera, mas a ligação veio acompanhada de uma surpresa: ela teria que enfrentar duas horas de ônibus e metrô todo dia só para levar o filho até a creche oferecida, na Bela Vista, a 30 quilômetros de casa.
“Se eu arrumar um trabalho, como que eu vou? Eu vou ter que levar e ficar lá com ele, né, porque é muito longe. Não dá. E eu ainda dei preferência para cá”, afirmou.
O resultado é que a Cléia continua com João o dia todo em casa. Por enquanto, ela cuida dele porque está desempregada.
Só que, para a Prefeitura, um responsável que nega uma vaga, como a Cléia fez, está querendo que o filho estude em creches específicas, de alguma forma escolhidas pela família, e não contam o caso como parte da fila de espera.
Mas as regras da própria Prefeitura dizem que os alunos devem ser matriculados em creches próximas de casa e que a distância pode variar até 2 quilômetros, de acordo com a idade.
Bebês que têm de zero a dois anos incompletos até o fim de março concorrem a vagas de berçário e podem ser direcionados a creches que fiquem a até 1,5 quilômetro de casa. O limite sobe para dois quilômetros quando a criança tem de 2 a 3 anos.
Essa é a regra geral, mas em julho do ano passado, todos os limites passaram para 5 quilômetros por causa da pandemia.
A quilometragem é a mesma para alunos que já passaram da creche pra pré-escola, como a Manuella, de 4 anos. Só que o pai dela, Aless dos Santos Rocha, caminha mais 10 quilômetros para levar e depois buscar a filha na escola.
Seria tão longe quanto para levar a Mirella, de 2 anos. Ela conseguiu vaga em uma creche ao lado, fez matrícula em dezembro, mas ainda não foi chamada.
“Criança matriculada, independentemente de estar indo para a creche ou não, para a Prefeitura, também sai da fila. Daí a justificativa do município de ter zerado a fila no fim do ano passado”, afirma Aless.
Essas 2.664 crianças esperando hoje também estão “dentro dos padrões da espera” para a secretária adjunta da Educação, Minéa Fratelli. Segundo ela, a fila continua zerada, já que os alunos que querem uma creche específica não são considerados como parte da fila.
“Nós temos hoje 1.402 vagas específicas e outro grupo no prazo de 30 dias para [conseguir] uma vaga. Temos considerado fila após os 30 dias. Com data-corte de 30 de março nós tínhamos zero criança com mais de 30 dias, a não ser as vagas específicas.”
A Prefeitura disse que é obrigada a seguir a determinação do estado de 35% de lotação máxima nas escolas e, como não há rodízio nas creches, a prioridade é para filhos de trabalhadores dos serviços essenciais – o que é reavaliado toda semana.
Ainda de acordo com a Prefeitura, a Mirella será chamada assim que houver vaga. Já no caso do pai que caminha 10 quilômetros com a filha, a secretaria de Educação disse que as duas meninas estão matriculadas a 1.200 metros dos endereços informados nos cadastros.
E a respeito do João Vitor, filho da Cléia, afirmou que houve um engano e que ele estará matriculado em uma creche perto de casa até terça-feira (3).
Creche conveniada com a Prefeitura de São Paulo na capital paulista.
Divulgação/SME
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