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Nova espécie de sapo é descoberta na Serra da Mantiqueira

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“Brachycephalus rotenbergae” é um sapo-pingo-de-ouro de menos de dois centímetros; anfíbio antes era conhecido como ‘Brachycephalus ephippium’ Esse é o ‘Brachycephalus rotenbergae’, novo sapo-pingo-de-ouro recém descrito pela ciência.
Divulgação Projeto Dacnis
O que é um pontinho amarelo (com menos de dois centímetros) no meio da Serra da Mantiqueira? É um Brachycephalus rotenbergae, uma nova espécie de sapo-pingo-de-ouro recentemente descrita por pesquisadores do projeto Dacnis, em parceria com o herpetólogo Ivan Nunes, da Universidade Estadual Paulista (UNESP).
Pesquisas e análises no subdistrito de São Francisco Xavier, município de São José dos Campos (SP), durante dois anos, serviram de base para o artigo que descreve o trabalho desenvolvido por oito profissionais e publicado no dia 28 de abril desse ano na revista científica Plos One, uma das mais importantes no meio acadêmico.
A recém descoberta soma um total de 37 espécies de sapos-pingo-de-ouro para a lista de anuros brasileiros. Todos esses são endêmicos da Mata Atlântica. São animais que possuem maior atividade diurna e são apossemáticos, ou seja, possuem veneno
“Em 2017 eu estava fazendo um trabalho de levantamento de fauna na região da Serra da Mantiqueira e encontrei esse sapinho. Notei algumas diferenças morfológicas no corpo dele e pensei que seria interessante estudar melhor a espécie. Perto dessa época, o Matheus Moroti e a mulher estavam terminando o mestrado e iriam somar ao nosso time, foi a oportunidade perfeita para o início do estudo”, conta Edelcio Muscat, coordenador de pesquisa da ONG Projeto Dacnis, uma organização sem fins lucrativos que visa, através da educação, recuperar e proteger a natureza.
“A gente já tinha uma suspeita que poderia se tratar de uma espécie nova por conta da distribuição do bicho e de outras características”, contou o biólogo Matheus Moreti.
De fato, o trabalho provou que a nova espécie se diferencia de todas as outras do grupo de espécies de B. ephippium em relação à morfologia dos anuros, principalmente osteologia, formato da cabeça, canto de anúncio e até divergências no material genético.
O abraço nupcial dessa espécie pode durar até cinco horas.
Divulgação Projeto Dacnis
“O novo sapo-pingo-de-ouro se comparado com a espécie B. Ephippium (como era conhecido antes) é menor. Ele tem entre 1,4 e 1,7 centímetros enquanto os outros têm cerca de dois. Também possuem, entre outras diferenças, uma coloração acinzentada nas costas e uma placa óssea distinta. A distância genética entre elas é de 3%”, esclarece Muscat.
A partir de agora então a espécie B. Ephippium fica restrita ao estado do Rio de Janeiro, enquanto a B. Rotenbergae ocorre na Mata Atlântica paulista, principalmente na Serra da Mantiqueira.
A Serra da Mantiqueira é uma das mais diversas áreas de anuros no domínio da Mata Atlântica e é considerada um hotspot de endemismo de anuros.
O novo “sapo-de-ouro-da-mantiqueira”, como sugere o pesquisador Moreti, tem a cor geral do corpo laranja brilhante e olhos completamente negros. Uma curiosidade é que foi descoberto recentemente que alguns sapos-pingo-de-ouro são incapazes de escutar os próprios parceiros. Ou seja, a comunicação visual, segundo os pesquisadores, pode ser importante para a conservação do canto.
Importância da espécie nova
Entre todas as espécies de animais já conhecidas, qual é a importância do descobrimento científico de novas? Para o pesquisador Muscat: “A maior importância de descobrir espécies novas é poder utilizar esse dado para que ações de conservação sejam feitas nesse local. Para mim não é mais uma espécie, é mais um motivo que me leva buscar a conscientização e a conservação daquela área onde o animal foi encontrado.
O biólogo ressalta também a importância emocional do reconhecimento para a população de pessoas que vivem no mesmo local do animal. O que fica comprovado na experiência do colega de trabalho Matheus Moreti.
O nome do sapinho foi em homenagem a jornalista Elsie Rotenberg, idealizadora do Projeto Dacnis.
Divulgação Projeto Dacnis
“Eu nasci em São José dos Campos e esse sapo foi o primeiro bicho que eu encontrei em uma área de proteção da cidade, já que ele é bem abundante. Só que na época eu ainda estava na faculdade e nem suspeitava que poderia ser uma espécie desconhecida pela ciência. Ter participado da descrição de um bicho para a minha cidade foi muito importante para mim e um processo científico muito prazeroso”, finaliza.

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