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Filho reclama de falta de UTI após idosa morrer com suspeita de Covid-19 em Bebedouro, SP

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Com morte confirmada nesta segunda-feira (3), aposentada de 71 anos precisava de vaga de internação, segundo família. Responsável técnica da UPA cita atendimento adequado, mas piora rápida causada pelo novo coronavírus. Idosa morre à espera de vaga em hospital de Bebedouro, SP
Uma aposentada de 71 anos morreu nesta segunda-feira (3) em Bebedouro (SP) com suspeita de Covid-19 em meio a reclamações da família pela falta de uma vaga em unidade de terapia intensiva (UTI).
Segundo o filho Marcelo Pereira, Wanda procurou atendimento na sexta-feira (30) e, até antes de morrer, foi mantida em um gripário, sem o suporte adequado para a gravidade de seu quadro clínico.
“Não fizeram exame, não isolaram, nada. Ela ficou aqui internada, ficou jogada na cadeira de cordinha, não tinha enfermeiro, médico, só tinha uma coitada pra acudir 30 pessoas”, diz.
Ao EPTV1, a responsável técnica da UPA, Maria Carolina Favaretto, disse que Wanda foi mantida em um leito de enfermaria com o aparato adequado, mas tinha um quadro clínico delicado e teve uma piora muito rápida. O resultado para o teste da Covid-19 ainda não tinha sido emitido até o final da manhã desta segunda-feira.
“Ela se encontrava estável hemodinamicamente, mantendo o leito da enfermaria, só que o paciente Covid tem uma evolução muito rápida”, afirmou.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou que não consta no sistema nenhuma ficha com solicitação de transferência da aposentada de 71 anos para UTI.
Wanda Lucia, de 71 anos, morreu com suspeita de Covid-19 em Bebedouro, SP
Reprodução/EPTV
Saúde em colapso
A morte da aposentada não é a primeira do município atribuída à falta de vagas de UTI para Covid-19.
Depois de uma espera de oito dias, Leandro Porto Nischida, de 47 anos, morreu em 29 de abril mesmo após ser intubado na UPA da cidade. Antes da internação, a EPTV, afiliada da TV Globo, mostrou o drama da família dele na busca, sem sucesso, por uma vaga em um hospital.
Na sexta-feira (30), a reportagem também mostrou o drama de Ana Paula Biancardi, que implorou por uma vaga para o marido Aguinaldo Prette, de 50 anos, com o novo coronavírus. Ele permanece intubado na UPA até esta segunda-feira, sem previsão de regulação para um leito com suporte avançado.
A UPA e os outros hospitais de Bebedouro não dispõem de leitos de UTI. Por isso, todos aqueles que apresentam complicações graves da doença na cidade, quando necessário, devem ser submetidos à Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS).
Nesta segunda-feira (3), ao menos sete pessoas, segundo a responsável técnica da UPA, estavam nessa fila, diante de um contexto de lotação nos leitos em toda a Diretoria Regional de Saúde (DRS) de Barretos (SP), à qual a cidade pertence. “Até sair essa vaga, o paciente recebe todo o suporte que ele necessita aqui em nosso hospital”, afirma Maria Carolina.
Ainda assim, ela ressalta que a unidade tem capacidade de estabilizar e intubar pacientes mais graves durante a espera.
“Como todas as unidades de saúde, nós temos os materiais próprios para receber um paciente grave, um paciente emergente, no qual chega um paciente aqui e nós temos toda a estrutura para fazer o atendimento imediato grave pra esse paciente. Nós temos sim suporte pra terapia intensiva, pra suporte ventilatório, até sair essa vaga.”
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