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Grávida de São Carlos entra na Justiça por cirurgia intrauterina e busca ajuda com despesas

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Assistente administrativa lançou uma vaquinha online e espera conseguir R$ 15 mil para custear as viagens semanais até São Paulo para o tratamento. Franciele Godoy precisa realizar cirurgia intrauterina até a 27ª semana
Franciele Godoy/Arquivo Pessoal
Uma assistente administrativa de São Carlos (SP) entrou na Justiça para conseguir uma cirurgia intrauterina na capital, após descobrir que o bebê que espera está desenvolvendo a Síndrome Arnold-Chiari tipo II, que é uma má-formação na coluna.
Franciele Godoy, de 30 anos, está com 23 semanas de gestação e lançou nas redes sociais uma ‘vaquinha online’ para conseguir cobrir as despesas com as viagens para o tratamento do bebê.
Má-formação da coluna do bebê
Franciele descobriu na 18ª semana de gravidez o sexo do bebê que está esperando. Junto com a notícia da chegada de um menino – o Théo -, soube que ele tinha má-formação da coluna.
Desde então, a mãe do pequeno Théo está em uma corrida contra o tempo para conseguir uma liminar que garanta a realização de uma cirurgia intrauterina no feto e, ao mesmo tempo, angariar fundos para custear as despesas das viagens, já que é necessário que ela vá semanalmente para São Paulo realizar as consultas.
Ultrassom apontou má-formação em bebê de São Carlos
Franciele Godoy/Arquivo Pessoal
O procedimento é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O problema é que Franciele teria que entrar na fila de espera e ela não tem tempo para isso, já que ele que precisa ser feito até a 26ª semana de gestação.
“Eu descobri que meu bebê tem mielomeningocele e uma cifose, que são duas más formações e aí, ele precisa de uma cirurgia intrauterina que é bastante benéfica porque pode preservar os movimentos e estagnar o que ele tiver até a cirurgia ou evitar a hidrocefalia”, explicou.
Tratamento e campanha
Com a descoberta da má-formação, Franciele recebeu indicações dos próprios médicos sobre uma equipe multidisciplinar que realiza a cirurgia que o bebê necessita em São Paulo.
“O plano de saúde negou o atendimento e aí, eu entrei com um pedido na Justiça para que eles concedam uma liminar para realizar a cirurgia que também tem pelo SUS, mas, eu não tenho tempo hábil para esperar”, revelou.
Grávida de São Carlos gravou vídeo para explicar má-formação do bebê que está esperando
Reprodução/Facebook
Confiante de que irá ganhar a causa na Justiça, Franciele lançou uma campanha nas redes sociais para arrecadar R$ 15 mil para cobrir os gastos com as viagens para a capital, já que com o salário de assistente administrativa não conseguirá arcar com todas as despesas do tratamento e dar conta das contas da casa.
“Infelizmente, a gente trabalha para pagar as contas de casa, igual todo mundo. O valor foi o que eu calculei que gastaria com a viagem e exames. Tenho muita esperança de que vai dar tudo certo, estou pensando primeiro na cirurgia e, só depois, nas etapas que virão”, disse.
Laudo do exame que identificou a má-formação do bebê
Franciele Godoy/Arquivo Pessoal
Pressentimento de mãe
Como não poderia deixar de ser, Franciele levou um susto quando recebeu a notícia sobre a má-formação de Théo, mas ela conta que teve um pressentimento de que algo não estava certo e isso ajudou a descobrir o problema a tempo.
“Fiz minhas consultas de rotina e o médico pediu que eu fizesse um novo ultrassom somente em 23 de abril, mas eu encanei e quando eu fiz 18 semanas, em 31 de março, eu marquei um ultrassom para descobrir o sexo do bebê. Quando eu fiz, a médica perguntou se eu sabia que o bebê tinha uma má-formação, eu falei que não. Aí eu marquei um segundo exame e aí foi confirmado a síndrome Arnold-Chiari II”, disse.
Síndrome de Arnold-Chiari
A síndrome de Arnold-Chiari é uma má-formação genética rara em que há o comprometimento do sistema nervoso central e que pode resultar em dificuldade de equilíbrio, perda da coordenação motora e problemas visuais.
Normalmente, a síndrome acontece durante o desenvolvimento do feto. Por razão desconhecida, o cerebelo, que é a parte do cérebro responsável pelo equilíbrio, se desenvolve de maneira inadequada. De acordo com o desenvolvimento do cerebelo, a síndrome de Arnold-Chiari pode ser classificada em quatro tipos:
Chiari I: É o tipo mais frequente e mais observado em crianças e acontece quando o cerebelo se estende até um orifício presente na base do crânio, chamado de forame magno, onde normalmente deveria passar somente a medula espinhal;
Chiari II – caso do Théo: Acontece quando, além do cerebelo, o tronco encefálico também se estende para o forame magno. Esse tipo de má-formação é mais comum em crianças com espinha bífida, que corresponde a uma falha no desenvolvimento da medula espinhal e das estruturas que a protegem;
Chiari III: Acontece quando o cerebelo e o tronco encefálico além de se estenderem para o forame magno, atingem a medula espinhal. É a má-formação grave, mas é rara;
Chiari IV: Esse tipo também é raro e incompatível com a vida e acontece quando não há desenvolvimento ou quando há o desenvolvimento incompleto do cerebelo.
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