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‘Cada aniversário do transplante é uma festa’, diz médico que passou por 2 cirurgias no HC de Ribeirão Preto

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Rogério Pereira celebra com outros amigos transplantados o aniversário de 20 anos do primeiro transplante de fígado do HC. No Brasil, há 1.031 pessoas à espera de uma doação do órgão. Paciente que recebeu transplante de fígado no HC de Ribeirão Preto relembra vitória
O Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP) comemorou neste fim de semana o aniversário de 20 anos da realização do primeiro transplante de fígado na instituição. A data foi celebrada por centenas de transplantados que tiveram uma nova chance de viver, mas o médico aposentado Rogério Pereira diz ter sentido uma emoção especial.
O sentimento se dá porque Rogério viveu duas vezes a insegurança e a esperança de ser transplantado. Sua primeira cirurgia, com cinco horas de duração, ocorreu em janeiro de 2015, mas, devido a um problema de irrigação sanguínea, ele precisou receber outro fígado três anos depois, em fevereiro de 2018.
“Temos um grupo dos transplantados, em que a gente se comunica todo dia, e a cada aniversário de transplante é uma festa para nós, porque é mais um ano que a gente venceu. Não tem dinheiro que paga”, diz.
Após 2 transplantes no HC de Ribeirão Preto, Rogério Pereira celebra nova chance de viver
Luciano Tolentino/EPTV
Os procedimentos, Rogério diz, mudaram sua maneira de enxergar a vida. Com a aposentadoria, ele passou a dar ainda mais valor à família. Antes do transplante, seu maior desejo era ter tempo de conhecer dois netos que ainda não haviam nascido. Hoje, o sonho é vê-los se formarem.
“Tem a dieta que a gente tem que seguir, mas a vida é normal. Pratico esporte, jogo futebol, tudo normal. Deus me privilegiou muito com esta nova vida”, diz.
Rogério Pereira é um dos 500 pacientes que já receberam transplante de fígado no HC de Ribeirão Preto
Luciano Tolentino/EPTV
Com a pandemia de Covid-19, Rogério, que vive em Batatais (SP), passou a ser acompanhado por consultas a distância, por meio da internet, além de realizar exames de rotina. A princípio, houve o receio de o procedimento não funcionar, mas no fim tudo deu certo.
“Se não fosse o transplante, eu estaria morto há muito tempo. Estava anêmico, tinha barriga d’água, sentia muita falta de ar. Minha vida estava parada”, diz. “Hoje tenho uma vida muito boa e não quero perdê-la. Tenho vontade de viver.”
Rogério Pereira celebra os 20 anos do primeiro transplante de fígado do HC de Ribeirão Preto
Luciano Tolentino/EPTV
Transplantes
O primeiro transplante de fígado realizado pelo HC da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto ocorreu em 1º de maio de 2001, após anos de planejamento. Com duração de 20 horas e 40 profissionais da saúde envolvidos, a cirurgia repercutiu entre os moradores da região, dando aos que sofriam de doenças hepáticas a esperança de uma nova vida.
“O HC se tornou um centro de referência para doenças para a região de Ribeirão Preto, Sul de Minas e Triângulo Mineiro. Hoje, os pacientes se sentem mais seguros para receber um tratamento e passar a ter uma qualidade de vida melhor”, diz o professor de medicina aposentado Orlando de Castro Silva e Júnior, que fundou o Grupo de Transplante de Fígado do HC.
Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) realizou 500 transplantes de fígado nos último 20 anos
Luciano Tolentino/EPTV/Arquivo
Cerca de 500 transplantes foram realizados pela equipe desde então. A medicina evoluiu, tornando a prática mais simples e segura para os pacientes, mas a falta de doadores, mesmo 20 anos depois, continua a ser um problema – não só em Ribeirão Preto, mas em todo o país.
“Não existe transplante sem doação, e só existe doação se a família autorizar, após a morte. Por isso, é muito importante conversar sobre isso em vida, para que, num momento de perda, a decisão de doar se torne mais fácil”, diz o coordenador de transplantes do HC, Ajith Kumar Sankarankutty.
Segundo a última estimativa da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, publicada em dezembro, há 1.031 pessoas à espera de um fígado. Ao longo de 2020, 679 pacientes morreram na fila – entre eles, 33 crianças.
“Para muitas pessoas que aguardam transplante, sua doação é uma oportunidade de viver”, diz Sankarankutty.
Médicos realizam transplante de fígado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto
EPTV/Cedoc/Arquivo
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