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Aplicação da 2ª dose da Coronavac está suspensa em ao menos dez cidades do estado de SP

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Levantamento feito pela GloboNews neste domingo (2) aponta que falta de doses suficientes para o complemento da imunização comprometeu o calendário das cidades paulistas. Secretaria estadual da Saúde diz que envia aos municípios quantidades iguais para 1ª e 2ª doses e a aplicação é responsabilidade das prefeituras. Enfermeira aplica vacinas contra a Covid-19 no interior de São Paulo
Prefeitura de Jundiaí/Divulgação
Ao menos 10 cidades do estado de São Paulo já suspenderam a vacinação de 2ª dose em virtude da falta de vacinas desde sexta-feira (30), segundo um levantamento feito pela GloboNews neste domingo (2).
A região de Campinas é uma das mais afetadas, com pelo menos cinco municípios sem doses suficientes para dar prosseguimento ao calendário de vacinação. Veja abaixo as cidades que já confirmaram a suspensão da imunização:
Grande São Paulo
Cajamar
Juquitiba
São Lourenço da Serra
Região de Campinas
Vinhedo;
Águas de São Pedro;
Águas de Lindóia;
Morungaba.
Região de Sorocaba
Sorocaba
Região de São José dos Campos
Jacareí;
Caçapava.
A suspensão se deve, de acordo com algumas prefeituras, à quantidade insuficiente de doses enviadas pela secretaria estadual da Saúde de São Paulo aos municípios.
Há situações em que a suspensão da aplicação da segunda dose se restringe a uma determinada faixa etária. É o caso de Sorocaba, por exemplo, onde foi suspensa a imunização, que seria iniciada desta sexta-feira (30), de idosos de 68 anos ou mais.
A Prefeitura de Sorocaba diz que “houve uma diferença de 1.043 doses e o município já notificou o Estado sobre a falta e está solicitando mais vacinas há dias”. “Um total de 5.583 idosos dessa faixa etária precisam ser imunizados com a segunda aplicação.” A prefeitura da cidade informou que retomará a vacinação nesta segunda-feira (3).
Já em Vinhedo, na região de Campinas, há falta de vacina para a aplicação tanto da primeira quanto da segunda dose da CoronaVac. A suspensão atingiu idosos de 64 anos com a primeira dose e os de 68 anos com a segunda dose. A aplicação estava marcada para entre os dias 26 de abril e 2 de maio. A vacinação será “retomada assim que um novo lote de vacinas for entregue ao município pelo governo estadual”, segundo a Prefeitura de Vinhedo.
O que diz o governo de SP
A Secretaria Estadual da Saúde disse por meio de nota que envia aos municípios quantidades iguais para a primeira a segunda dose do público-alvo. O órgão argumenta ainda que é responsabilidade das prefeituras aplicarem as doses de acordo com os critérios técnicos, respeitando as faixas etárias e o intervalo de aplicação.
“O Governo de São Paulo encaminha as remessas de primeira e segunda dose da vacina contra a Covid-19 considerando as estatísticas populacionais de cada faixa previstas pelo Ministério da Saúde, com quantitativos idênticos em ambas as entregas para que seja concluída a imunização das pessoas. Todas as grades de vacinas são enviadas a cada local em tempo oportuno. Cabe às Prefeituras utilizar as vacinas de acordo com os critérios técnicos e públicos, ou seja, devem respeitar as faixas etárias e/ou grupos estipulados bem como o intervalo de tempo de aplicação entre doses (até 28 dias para a vacina do Butantan e até 12 semanas para a da Fiocruz)” disse a nota.
Segundo a secretaria, os municípios devem também “cobrar o Ministério da Saúde para que mais vacinas sejam enviadas ao Estado de São Paulo e, consequentemente, sejam distribuídas para a rede”.
A GloboNews questionou o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP) sobre casos de suspensão da aplicação da segunda dose da CoronaVac em todo o estado. A entidade não possui um levantamento acerca desse problema mas fará a partir desta semana uma consulta sobre isso com os seus membros.
Rio suspende aplicação da segunda dose de CoronaVac
Capitais também enfrentam problema
Neste domingo (2), a aplicação da segunda dose da Coronavac também está suspensa em cinco capitais brasileiras, segundo levantamento do G1:
Aracaju e Porto Alegre: processo está interrompido por falta de estoque;
Fortaleza: lote entregue no sábado (1º) não é suficiente;
Porto Velho: até a chegada de nova remessa, prevista para os próximos dias, também não há expectativa de retomar a aplicação da vacina;
e Rio: suspensão por dez dias — apenas a vacina de Oxford/Fiocruz está sendo distribuída (veja vídeo abaixo).
Em Salvador, o processo não foi totalmente interrompido, mas há escalonamento: só receberão a segunda dose da Coronavac, por enquanto, aqueles que deveriam ter tomado a vacina nos dias 29 e 30 de abril.
Em Natal, o critério é por idade: apenas os idosos a partir dos 78 anos, que estão com no mínimo 28 dias de atraso para tomar o reforço, podem receber o imunizante.
E em Macapá, onde a vacinação estava suspensa há uma semana, 1.600 doses da Coronavac foram distribuídas — como o número não é suficiente para imunizar todos os que aguardam na fila, o governo organizou uma lista com nomes de idosos acima de 65 anos que poderão ser os primeiros beneficiados.
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, visita nesta quinta-feira (29) o Centro de Distribuição do Ministério da Saúde, vizinho ao Aeroporto internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. No local onde ficam armazenadas as vacinas e insumos adquiridos e distribuídos pelo Ministério da Saúde
Bruno Rocha/Enquadrar/Estadão Conteúdo
Vaivém de decisões
De acordo com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a interrupção é resultado da conduta de seu antecessor no comando da pasta, Eduardo Pazuello.
“[O atraso] decorre da aplicação da segunda dose como primeira dose”, afirmou. “Logo que houver entrega da CoronaVac, [o problema] será solucionado.”
Antes, os estados estocavam vacinas para garantir que todas as pessoas já imunizadas recebessem a segunda dose. Em fevereiro, no entanto, Pazuello mudou a orientação: determinou que todas as vacinas fossem aplicadas de imediato, sem a preocupação de guardar parte delas.
Foi um vaivém de regras: dias depois, o Ministério da Saúde voltou atrás e disse que os estados deveriam, sim, estocar a Coronavac para garantir a segunda dose a todos. Em março, mais uma vez, a pasta mudou de opinião e orientou a aplicação de todas as vacinas, sem reservas.
“O ministério fez isso, mas nós somos dependentes da China para os insumos farmacêuticos ativos (IFAs). O erro foi ter feito essa orientação sem ter garantia de que a produção estava iniciada. Contar com IFA que nem saiu da China é uma situação complicada”, diz a epidemiologista Ethel Maciel.
Em abril, Queiroga foi ao Senado para dizer que a orientação mudou mais uma vez: desde então, os estados devem armazenar metade do estoque para garantir que o esquema vacinal de duas doses seja cumprido no intervalo correto (28 dias para a Coronavac/Butantan e 3 meses para a de Oxford/Fiocruz).
Segunda dose deve ser tomada mesmo fora do prazo
Em nota técnica divulgada na terça-feira (27), o Ministério da Saúde orientou a população a tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19 mesmo que a aplicação ocorra depois do prazo recomendado pelos laboratórios.
Segundo o documento, é “improvável que intervalos aumentados entre as doses das vacinas ocasionem a redução na eficácia do esquema vacinal”.
No entanto, a pasta ressalta que os atrasos devem ser evitados, já que “não se pode assegurar a devida proteção do indivíduo até a administração da segunda dose”.
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