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Tratamento com plasma contra a Covid-19 não começa em Santos por falta de documentação, diz prefeitura

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Secretário de Saúde, Adriano Catapreta, prevê início da disponibilização de tratamento experimental a partir da próxima semana. Tratamento experimental usará plasma de sangue de curados da Covid-19 para recém-infectados
Thaier Al-Sudani/Reuters
A rede experimental de transfusão de plasma para tratamento de pacientes com Covid-19, anunciada pelo Governo de São Paulo no mês passado, ainda não foi iniciada em Santos, no litoral paulista. O atraso ocorre por falta de documentação, segundo informou o secretário de Saúde de Santos ao G1. Já o Instituto Butantan afirma que a falta de indicação médica de pacientes para o tratamento seria o motivo.
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Segundo o Governo do Estado, o plasma doado por pessoas que já tiveram Covid-19, e que desenvolveram anticorpos contra o vírus, será usado para tratar pacientes com a doença que tenham maior risco de evoluir para um quadro grave, como idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido.
O plasma é a parte líquida do sangue, onde ficam os anticorpos produzidos pelo organismo para combater as doenças. Essa substância, retirada de pacientes recuperados, pode ser aplicada em alguém que tenha sintomas da Covid-19. Os médicos esperam que, ao receber o plasma com os anticorpos, o doente tenha uma recuperação mais rápida.
A rede experimental, em parceria com o Instituto Butantan, foi anunciada para duas cidades paulistas: Santos e Araraquara. Na cidade do interior paulista, a prefeitura divulgou que deu início ao tratamento na semana passada.
Em Santos, no entanto, o Instituto Butantan diz que há falta de indicação médica de pacientes para o tratamento e, por isso, o município ainda não aderiu à terapia.
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A Prefeitura de Santos informou, por meio de nota, que segue em tratativas com o Instituto Butantan para viabilizar a terapia no município, ainda não iniciada. Ao G1, o secretário de Saúde de Santos, Adriano Catapreta, explicou que as tratativas são, na verdade, fundamentos para iniciar o tratamento na cidade.
“Nós temos duas formas de fazer uma medicação numa pessoa. Ou ela é liberada pela Anvisa, ou a gente faz em forma de pesquisa”, explicou. Atualmente, o plasma convalescente não é liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e, segundo o secretário, o tratamento experimental não estaria servindo como base de pesquisa para o instituto.
“Santos não quis fazer sem uma das duas formas legais. O setor jurídico e os médicos acharam muito perigoso”, conta. Ele disse, ainda, que foi solicitada toda a documentação dos estudos do tratamento ao Instituto Butantan, para que fosse analisada pela administração municipal. A papelada foi recebida nesta semana.
“Os próprios médicos não ficaram confortáveis em indicar o tratamento nessas circunstâncias”, aponta o secretário. “O provável é que semana que vem comece. Ninguém estava com segurança de fazer algo que não era resguardado”.
Ao todo, 20 bolsas de plasma chegaram há cerca de um mês ao município. O laboratório onde será realizado esse tratamento funcionará no Serviço de Atendimento Especializado, localizado na Rua da Constituição, 556, no bairro Vila Mathias. Porém, por conta dessa falta de documentação referente ao medicamento, segundo o secretário, os médicos se recusaram a indicar pacientes para o tratamento experimental.
Além disso, segundo Catapreta, o termo de cooperação assinado pelo prefeito Rogério Santos (PDSB) e pelo Butantan isenta o instituto de qualquer responsabilidade. Desta forma, se algum paciente apresentar efeitos adversos durante o tratamento, apenas a administração municipal poderá responder pelo caso.
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