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Dia do Trabalho: reportagem revisita histórias de quem já enfrentava dificuldade para ter renda no início da pandemia

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G1 retrata momento atual de histórias contadas no 1º de maio de 2020, quando a pandemia já afetava de forma significativa a vida econômica dos trabalhadores. Dia do Trabalho: reportagem revisita histórias de quem já enfrentava dificuldade para ter renda no início da pandemia
Arquivo pessoal/ Arte-G1
Um negócio fechado que não resistiu à pandemia. Uma família sem o sustento por falta de emprego. O racionamento de fralda e leite do filho diante da falta de recursos. Essas cenas fazem parte da realidade que três trabalhadoras enfrentam neste Dia do Trabalho, em meio ao segundo ano da pandemia e à consequente crise econômica provocada por ela.
Na mesma data em 2020, o G1 mostrou a situação enfrentada por estas três mulheres em diferentes cidades da região. Na época, o primeiro auxílio emergencial era um respiro financeiro em meio a pouco mais de um mês de pandemia. Agora, a reportagem revisita estas histórias:
Improviso
Maria teve de fechar a empresa que mantinha com o marido no litoral
Arquivo Pessoal
Maria Betânia havia deixado a capital com o marido e os filhos para abrir uma sorveteria em Caraguatatuba, no Litoral Norte. O sonho da família de viver próximo ao mar com a renda de um negócio próprio caminhava bem até a pandemia se tornar um obstáculo.
Em maio de 2020, quando a reportagem a entrevistou pela primeira vez, eles negociavam o aluguel do espaço com o proprietário, tentavam ajustar as contas e manter vendas pelo delivery. Porém, o negócio não resistiu os meses seguintes. Maria conta que as contas se acumularam e a família chegou pela primeira vez a uma crise financeira grave.
“A gente tem vivido de lanches entre as refeições com café é pão para poder não faltar comida. Eu me sinto muito frustrada, tendo que ver meus filhos viverem essa realidade”, lamenta.
Com a pandemia, ela e o marido tentam um emprego, mas com as restrições e a reconfiguração econômica do litoral, que vive do turismo, o casal segue sem trabalho. Eles estão recebendo o auxílio emergencial de R$ 250, mas só conseguem comprar pão e leite com o valor.
Aumento nos preços
Francinete segue sem renda e sem alimentos básicos em casa
Arquivo Pessoal
Francinete Aparecida mora em uma ocupação em Jacareí e vivia com o marido e um filho na casa feita de madeira. O agravamento da crise desempregou os outros dois filhos que nos meses seguintes passaram a morar com ela.
Ela conta que com o aumento do preço dos alimentos, nem mesmo o ditado popular sobre “colocar água no feijão” – para que o alimento renda mais – tem dado certo na casa dela.
Se antes, havia dificuldade para comprar itens como carnes, verduras e legumes, atualmente falta arroz e feijão na dispensa da família. Em 2020, sem acesso a internet, receber o auxílio emergencial foi uma jornada. Este ano, recebeu a primeira parcela, mas o sentimento é diferente.
“Eu vou ter que escolher. Ou come ou cozinha a comida, com o gás a R$ 80. A gente tem que esquecer o orgulho e pedir ajuda. Se uma cesta básica não vem, não tem o que pôr na mesa”, diz.
Racionar fraldas, pedir doações
Vanessa lamenta falta de alimentos para o filho bebê
Arquivo Pessoal
Vanessa de Oliveira é de Jacareí e aos 19 anos tenta sobreviver e alimentar o filho, agora com quase dois anos. Ela passou 2020 desempregada e teve um respiro com o auxílio emergencial. Este ano, com o valor reduzido, ela lamenta não saber o que fazer para manter a casa.
“A gente precisa esquecer o orgulho e pedir ou não sobrevive. Precisei racionar fraldas, leite e não tenho o que meu filho precisa nessa fase de crescimento”, conta.
Um ano depois, com a pandemia ainda mais grave e a situação financeira sensível, ela diz que o olhar sobre a vida mudou. “Eu estou sem perspectiva”.
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