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Cabeleireira que morreu de Covid foi intubada no dia do aniversário: ‘Não viu nenhuma mensagem de parabéns’

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Jojo Barros foi internada no dia 5 de abril e intubada no dia do aniversário de 63 anos, em 8 abril. Mulher trans morreu na quinta-feira (29), em Sorocaba (SP). Cabeleireira que morreu de Covid foi intubada no dia do aniversário de 63 anos
Arquivo pessoal
A cabeleireira e empresária trans de Sorocaba (SP) Jojo Barros, que morreu de Covid-19 na quinta-feira (29), foi intubada no dia do aniversário de 63 anos, em 8 de abril. Ela era diabética e tinha problemas de coagulação sanguínea.
Jojo estava internada desde o dia 5 de abril, quando começou a sentir alguns sintomas da doença. Ela ficou 20 dias no hospital em tratamento da Covid-19 e não resistiu à doença.
Rosangela Soares, que é cunhada de Jojo e trabalha no salão dela, contou ao G1 sobre a última conversa que as duas tiveram pelas redes sociais, no dia 7 de abril, antes do aniversário da cabeleireira. Nas mensagens, Jojo deixou instruções para as pessoas cuidarem do salão enquanto estivesse ausente (leia abaixo).
“Essa foi a nossa última conversa. Mesmo internada, ela se preocupava muito com todos aqui”, comenta.
Última conversa que Jojo teve com a cunhada Rosangela
Arquivo pessoal
Rosangela também relatou que o quadro de saúde de Jojo piorou na manhã em que ela completou 63 anos de idade. A empresária foi encaminhada à UTI no dia 8 de abril e a única comemoração que teve foi através de uma chamada de vídeo com a irmã no hospital.
“Era o dia do aniversário dela e não pudemos comemorar. Infelizmente, ela não viu nenhuma mensagem de parabéns, foi intubada logo cedo.”
Na época em que Jojo pegou Covid, o salão estava fechado, pois o estado estava na fase vermelha do Plano São Paulo. Agora, com a volta do comércio, a cunhada diz que vai ficar um “vazio” no local.
“Eu tinha certeza que ela ia voltar, que ia entrar pela porta, eu tinha fé. Fizemos uma corrente de oração, todos, mas temos que entender. Essa doença é uma montanha-russa, um dia você está bem e no outro não mais”, reforça.
Trajetória na área da beleza
Somando 45 anos de carreira, Jojo abriu o próprio salão há 16 anos
Arquivo pessoal
Nascida em Sorocaba, Jojo perdeu o pai com 15 anos de idade e teve que ajudar a mãe a criar os sete irmãos. A cabeleireira trans começou na área da beleza com 18 anos e seu primeiro emprego foi no salão de beleza Maria Ikeda.
Somando 45 anos de carreira, Jojo abriu o próprio salão há 16 anos, inicialmente na Avenida Barão de Tatuí. Atualmente, trabalhava no bairro Campolim.
“Pensa em uma pessoa guerreira, muito generosa e sempre pronta para ajudar a todos. Ela me ajudou demais logo que eu fiquei desempregada, há dois anos. Foi quando eu comecei a trabalhar com ela”, explica a cunhada.
O salão de Jojo era muito conhecido na cidade e, nas redes sociais, a morte dela causou comoção de clientes, amigos e familiares, que destacaram o profissionalismo da cabeleireira.
“Ela tratava todos no salão como filhos, era uma pessoa muito iluminada. Gostava de muito glamour e tinha seu estilo único. Vai ficar para sempre.”
O velório de Jojo foi realizado na manhã de sexta-feira (30), pois a cabeleireira não tinha mais sintomas da Covid. O enterro aconteceu no período da tarde. “Nossa homenagem é estarmos todos lá”, finaliza Rosangela.
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*Colaborou sob supervisão de Ana Paula Yabiku
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