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Região de Piracicaba registra 50 ataques de abelhas em 2021, diz Vigilância Epidemiológica de SP

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Último caso aconteceu nesta quinta-feira (29), quando um tratorista que trabalhava em fazenda da Esalq morreu após ataque em Piracicaba. Homem morre após ser atacado por abelhas em fazenda da USP de Piracicaba
A região de Piracicaba (SP) registrou 50 casos de ataques de abelhas desde o início do ano até o dia 11 de março. Os dados são da Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo e englobam 26 municípios.
O último caso, que ainda não consta no relatório do estado, aconteceu nesta quinta-feira (29), na zona rural de Piracicaba. O ataque terminou com a morte de um funcionário da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), que trabalhava com um trator em uma fazenda da instituição.
Em novembro do ano passado, três pessoas foram atacadas por abelhas no parque da rua do porto, também em Piracicaba. Entre elas, uma mulher levou 50 picadas e precisou ser socorrida, mas felizmente sobreviveu.
O enxame estava numa das árvores. Na época, a Secretaria de Defesa do Meio Ambiente disse que os funcionários estavam fazendo manutenção no parque e não sabiam da existência das abelhas.
Barulho pode ter atraído abelhas
A Fazenda Areão, onde o tratorista de 62 anos foi atacado nesta quinta-feira, fica às margens da rodovia que liga Piracicaba a Limeira. O local pertence à Esalq.
Derli Cândido Pena trabalhava como tratorista na local há quase 30 anos. Ele estava fazendo a manutenção de uma área da fazenda com o trator, e de acordo com o Corpo de Bombeiros, o barulho pode ter incomodado as abelhas.
Ele tentou fugir, correu até uma portaria, mas foi atacado e levou muitas picadas. O tratorista chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
Ataque ocorreu na Fazenda Areão, em Piracicaba
Ronaldo de Oliveira/ EPTV
Professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Ricardo de Oliveira Orsi aponta que as abelhas africanizadas têm um comportamento defensivo muito alto.
“O que pode ter acontecido nesse caso da Esalq é o barulho do trator, ou o trator ter batido em algum tronco e caído algum galho onde tivesse uma colônia do gênero Apis, o híbrido africanizado. E esse processo do barulho ou de uma batida na colônia promoveu um comportamento defensivo”, aponta.
Amigo da vítima e técnico em apicultura da Esalq/USP, Victor Celso da Silva explicou os efeitos do ataque deste gênero de abelha. “Da experiência que eu tenho, existe essa hipersensibilidade que leva a pessoa a óbito em 15 minutos. Desencadeia o choque anafilático, fecha a glote, não consegue respirar, falta exigênio no cérebro, a pessoa cai desmaiada e em seguida vem a óbito”, descreve.
“Foi uma fatalidade, por ele não saber da presença desse enxame. Porque ele era um cara experiente. Se ele soubesse da presença desse enxame ali ele não passava nem próximo”, acrescentou.
Amiga lamenta
Amiga da família, a aposentada Vilma de Oliveira Laister lamentou a morte. “Ele era maravilhoso. Pessoa que não falava ‘não’ para ninguém. O que você precisasse dele, ele estava sempre pronto. Vai deixar muita saudade porque era uma pessoa boa”.
Derli Cândido Pena, de 62 anos, morreu após ataque de abelhas na Esalq, em Piracicaba
Reprodução/ EPTV
Derli morava no bairro Peoria, no distrito de Tupi. O enterro do Derli foi na tarde desta sexta-feira (30) em Rio das Pedras (SP).
Tratorista fazia serviço essencial, diz Esalq
A Esalq emitiu uma nota lamentando o ocorrido e dizendo que a atividade que ele estava fazendo, de manutenção da área, era considerada essencial, por se tratar de prevenção à febre maculosa no campus.
A instituição disse ainda que todos os protocolos de segurança do trabalho estavam sendo seguidos.
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