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Em SP, 9% dos estudantes com idades entre 6 e 17 anos ficaram fora da escola em 2020, aponta Unicef

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Número equivale a 667 mil crianças e adolescentes em idade escolar no estado. Crianças de 6 a 10 anos de idade, pretos, pardos e indígenas foram os mais afetados. UNICEF calcula que mais de 667 mil alunos deixaram a escola em 2020
Um estudo realizado pelo Unicef em todo o Brasil mostra que, em São Paulo, 667 mil estudantes com idades entre 6 e 17 anos ficaram fora da escola em 2020. Isso representa cerca de 9,2% das crianças e dos adolescentes em idade escolar do estado.
Em comparação com 2019, a evasão escolar no estado era de cerca de 2%. Crianças de 6 a 10 anos de idade, pretos, pardos e indígenas foram os mais afetados.
Entre os estados, as maiores exclusões estão em Roraima, onde 38,6% desta parcela da população está sem estudo. Em seguida vêm Amapá (35,7%), Pará e Amazonas (ambos com 32%), Bahia (30,7%) e Rio Grande do Norte (24,9%).
O estudo apontou também que, quanto menor a renda da família, menor é a chance de a criança voltar à escola.
Florence Bauer, representante da entidade no Brasil, destaca que os números fazem um alerta urgente para que ações sejam tomadas a tempo de reverter o quadro.
“Os números são alarmantes e trazem um alerta urgente. O país corre o risco de regredir duas décadas no acesso de meninas e meninos à educação, voltado aos números dos anos 2000. É essencial agir agora para reverter a exclusão, indo atrás de cada criança e cada adolescente que está com seu direito à educação negado, e tomando todas as medidas para que possam estar na escola, aprendendo”, afirma Bauer.
Bauer destaca ainda a importância de trazer crianças e adolescentes de volta às escolas e evitar impactos negativos no futuro. Isso, seguindo todos os protocolos sanitários de segurança. “Para reverter isso é fundamental reabrir as escolas, [desde que eja] feito com segurança, seguindo todos os protocolos. Com medidas de ventilação, distanciamento, lavagem de mãos e com modalidades que precisam ser adaptadas a situação epidemiológica de cada local.”
“É urgente que isso seja garantido pelo impacto que causa na exclusão, aprendizagem, na nutrição, saúde mental e na própria violência.”
Procurada pelo SP2, a Secretaria estadual da Educação disse que os dados do levantamento do Unicef são parecidos com os da pasta e que trabalha para diagnosticar e minimizar os impactos negativos, fazendo entre outras medidas a busca ativa de alunos.
Como reverter a exclusão?
Busca ativa escolar:
Para as crianças que estão matriculadas e não estão envolvidas nas atividades escolares, é preciso que as escolas montem estratégias para localizá-las e entender os motivos do abandono. Também é necessário formar parcerias entre outros setores, como assistência social, por exemplo, dando apoio para o retorno às salas de aula. O Unicef destaca que desenvolveu uma estratégia de busca ativa escolar para dar apoio a estados e municípios, adaptada à crise da pandemia. As informações são gratuitas e estão disponíveis no site (https://buscaativaescolar.org.br/
Campanhas de informação:
Para o Unicef, é preciso também manter pais e responsáveis informados de que a matrícula poderá ocorrer a qualquer momento do ano. A entidade recomenda fazer campanhas em rádios, TVs, e redes sociais, além de encontros em praças e parques, se possível.
Acesso à internet:
Um levantamento feito pelo Unicef em parceira com a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), divulgado em março, apontou que a falta de acesso à internet e de infraestrutura nas escolas foram os maiores desafios das redes municipais em 2020. Segundo os dados levantados, 48,7% das redes municipais relataram muita dificuldade dos estudantes no acesso à internet para a realização de atividades remotas. Entre os professores, 24,1% também tinham dificuldades de se manterem conectados.
Para o Unicef, elaborar estratégias que levem conectividade aos estudantes, professores e escolas é primordial para evitar a exclusão e o abandono escolar.
Vídeos: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana

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