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Bico ou espada? Conheça a ave que perfurou garganta de motociclista

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Ariramba-preta é espécie de pequeno porte que possui bico em formato de agulha utilizado para capturar insetos em pleno voo. Veja vídeos da ariramba-preta, espécie de ave que perfurou o motociclista
Na última quarta-feira um jovem indígena da etnia Umutina ganhou os noticiários do Brasil depois de passar por uma situação extremamente improvável: Eik Júnior Parikokoriu teve a garganta perfurada por uma ariramba-preta quando andava de motocicleta em uma estrada vicinal de Barra do Bugres (MT).
A ave ficou presa na garganta do jovem, que percorreu nove quilômetros até chegar na aldeia, onde recebeu atendimento médico. Mas como isso foi possível? O tamanho e formato do bico da ariramba, somados à velocidade da moto e do voo da ave, justificam o ‘estrago’.
“O bico fino e comprido é característica marcante das arirambas. Ele pode ter aproximadamente quatro ou cinco centímetros de comprimento na ariramba-preta, o que representa cerca de ¼ do tamanho da ave”, comenta o ornitólogo Vítor Piacentini, professor da Universidade Federal de Mato Grosso.
Foto mostra pássaro que atingiu motociclista
Arquivo pessoal
Predadora de insetos como borboletas, libélulas e vespas, a ave se aproveita da principal característica para capturar as presas em pleno voo. “No entanto, o tamanho do bico não necessariamente está ligado ao sucesso da captura: geralmente aves que pegam insetos durante o voo têm bico curto e achatado”, conta.
“Normalmente as espécies com bico comprido costumam pegar alimentos enterrados ou em cavidades, mas arirambas são exceção. Na hora de se alimentar, caçam o inseto no ar e voltam para o poleiro”, completa.
Ariramba-preta é a menor espécie de ariramba da família
Silvia Linhares/Arquivo Pessoal
Parecidas com os colibris
As arirambas por vezes são confundidas com grandes beija-flores, graças ao bico comprido, em formato de agulha e à plumagem com brilho metálico, presente em algumas espécies.
No entanto, diferente dos beija-flores, elas fazem parte da família Galbulidae, que reúne 15 espécies popularmente conhecidas e identificadas pela cor da plumagem, como a ariramba-vermelha, ariramba-castanha, ariramba-de-garganta-branca e ariramba-de-bico-amarelo.
Há ainda duas espécies cujo nome popular dificulta a percepção de parentesco: jacamaraçu e cuitelão também são consideradas arirambas.
Espécie pode ser vista em grupos familiares, com três ou quatro indivíduos, para defender o território
Silvia Linhares/Arquivo Pessoal
A espécie
Pequena, com 13 centímetros de comprimento e cerca de 23 gramas, a ariramba-preta (Brachygalba lugubris) é a menor ariramba da família Galbulidae. Os tons de marrom escuro e preto que tomam conta das asas, cauda, dorso e peito justificam o nome popular. O contraste de cores fica por conta do ventre e garganta esbranquiçados e a pele ao redor olhos amarela.
A ave ocorre nas regiões centro-oeste e norte do País e costuma ser observada nas margens de rios em matas de galeria, em bordas de matas secas e várzeas. Fora do País, pode ser encontrada nas Guianas, e da Colômbia à Bolívia.
No período reprodutivo a ariramba-preta escava barrancos ou cupinzeiros para formar o ninho, que recebe de dois a quatro ovos brancos. Muitas vezes pode ser vista em grupos familiares, com três ou quatro indivíduos, para defender o território.

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