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Audiência pública discute emissão de poluentes em polo petroquímico em SP; moradores reclamam de doenças na tireoide

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Representantes do polo disseram que não são responsáveis pelas doenças dos moradores. Apuração conjunta pretende investigar casos. Na terça-feira, (13), a Cetesb multou duas empresas do polo em mais de R$ 870 mil por descumprimento das medidas. A primeira audiência pública para discutir a emissão de poluentes no polo petroquímico de Capuava, que fica entre Mauá e Santo André, na região metropolitana de São Paulo, próximo à Zona Leste, aconteceu nesta quinta-feira (29).
A reunião foi convocada por vereadores da capital, depois que moradores dos arredores relataram casos de doenças na tireoide que podem ter sido causadas pela poluição.
O polo petroquímico começou a ser instalado no Parque Capuava em 1954. A primeira petroquímica iniciou as operações em 1972. Atualmente, são várias empresas que alimentam indústrias químicas e plásticas.
Em 2014, um estudo do laboratório de poluição da Universidade de São Paulo (USP) mostrou um aumento significativo nos índices de doenças da tireoide na população que vive nos arredores, de acordo com Maria Ângela Zacarelli, endocrinologista e coordenadora do estudo
“Em 1992, nós tínhamos 2,5% de tireoidite na região. Em 2001, nós observamos um aumento para 57%. E esse aumento foi paralelo ao aumento do número de empresas da região”, afirma.
Douglas Mendes, morador de São Mateus, descobriu há nove dias que a mãe está com uma doença na glândula tireoide, na região do pescoço, e que o problema pode ter sido causado por poluentes que a família respira há 29 anos, tempo que moram na Zona Leste da capital.
“Você pode escolher onde vai morar, no que vai pegar, a água que vai beber, mas não consegue escolher o ar que vai respirar. O ar é sagrado e universal”, afirma ele.
A poluição vem do polo petroquímico de Capuava, a dois quilômetros da casa de Douglas.
O barulho próximo do polo parece uma turbina de avião. É possível sentir uma ardência nos olhos e enjoo por causa do cheiro forte.
O complexo industrial funciona 24 horas. Moradores contam que o barulho, o cheiro forte e o desconforto pioram à noite.
Este ano, um grupo de moradores da Zona Leste da capital procurou vereadores para pedir que um novo estudo seja feito.
“A gente não sabia se esse estudo tem esse alcance aqui nas regiões de Sapopemba, Vila Industrial. Pelo estudo, afeta dois milhões de pessoas, então a gente precisa trabalhar essa questão e audiência pública foi o único instrumento que a gente conseguiu, através da Câmara Municipal”, afirma Douglas.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o vereador Alessandro Guedes, diz que convidou a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e as Câmaras de Santo André e Mauá para formar uma força-tarefa e, se preciso, ir atrás de financiamento público para fazer uma nova pesquisa.
“Ouvindo ambientalistas, ouvindo a Cetesb, ouvindo os próprios diretores do polo, possamos entender o que está acontecendo e procurar soluções. A nossa intenção é procurar soluções porque o emprego e o desenvolvimento gerado pelo polo é muito importante, mas que ele seja sustentável, que ele não agrida a saúde das pessoas e nem o meio ambiente”, afirma.
Segundo o vereador, os representantes do polo disseram que não são responsáveis pelos problemas de tireoide dos moradores. A apuração conjunta pretende investigar isso cientificamente. Caso eles tenham razão precisam seguir regulamentação da Cetesb. Na terça-feira, (13), a Cetesb multou duas empresas do polo em mais de R$ 870 mil por descumprimento das medidas.
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