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Mais da metade da classe média de SP perdeu renda durante pandemia, diz levantamento

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64% nos moradores do estado de São Paulo tiveram diminuição de ganhos no último ano, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva. Só no último ano 64% das pessoas de classe média em SP perderam renda em função da pandemia
A população do estado de São Paulo ficou mais pobre durante a pandemia de coronavírus. Um levantamento do Instituto Locomotiva aponta que 64% perderam renda no último ano.
A classe média no estado é composta por 22,4 milhões de pessoas. Dessas, 14% sobrevivem atualmente com a metade ou menos do que antes da chegada da covid-19. A pesquisa mostra que 69% estão com pelo menos uma conta atrasada e 54% fizeram bicos ou venderam algo dentro de casa para complementar a renda.
A cabelereira Solange Ferreira saiu do Piauí há mais de 30 anos para tentar a vida em São Paulo. Ele conseguiu comprar uma casa para os pais, uma casa para ela e começou a faculdade de biomedicina. Mas, nos últimos meses, ela teve que fechar o salão de beleza e começou a atender em domicílio.
“Isso é dignidade. Pagar suas contas em dia, poder comer”, disse.
Solange precisou cortar também o plano de saúde, como fizeram 26% da classe média. Ela pensa em vender o carro e a casa para conseguir se sustentar com o filho.
“Eu não tô conseguindo pagar minhas contas básicas, que é conta de luz, conta de água, condomínio. Tá tudo atrasado no momento.”
A classe média representa a maior parcela da população e do mercado em São Paulo. Segundo a classificação econômica da pesquisa, inclui desde a classe C2, que ganha a partir de R$ 667 por pessoa e vai até a B, que tem renda per capita de máximo de R$ 3.755.
“Do último ano para cá, foram 1.8 milhões de paulistas que reduziram de renda e deixaram de fazer parte dessa classe média. Isso se deve, basicamente, à queda no número de empregos. À renda média dos trabalhadores autônomos, que diminui consideravelmente. E ao processo de fechamento do comércio, que, muitas vezes, levou aqueles pequenos empreendedores da classe média a deixarem de contar com a sua renda”, afirmou Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
Um dos grandes vilões é o preço dos alimentos nos supermercados. Segundo balanço da Fipe, a alta foi de 12% nos últimos 12 meses.
“E agora você não pode nem escolher mais os mercados. Tá tudo igual”, diz a doméstica Maria Lúcia Rocha.

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