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Covid-19: variante P.1 representa 73,9% das amostras da regional de Campinas analisadas em estudo

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Mapeamento do Instituto Adolfo Lutz considerou 1.439 sequências enviadas pelas equipes de Vigilância Epidemiológica de todo o estado. Infectologista afirma que disseminação da mutação explica, em partes, agravamento da pandemia. Profissional de laboratório analisa amostras de pacientes com Covid-19 para identificar variantes do coronavírus
Thiago Duarte/Agência Alagoas
Um estudo realizado pelo Instituto Adolfo Lutz com amostras de pacientes com Covid-19 no Departamento Regional de Saúde da 7ª região (DRS-7), com sede em Campinas (SP), identificou que 73,9% dos materiais analisados correspondem à chamada “variante brasileira” P.1, considerada mais transmissível e capaz de causar reinfecção.
O mapeamento considerou 1.439 amostras enviadas pelas equipes de Vigilância Epidemiológica de todo o estado de São Paulo, tendo como critérios de seleção a “relevância clínico-epidemiológica e representatividade estatística”. A Secretaria Estadual de Saúde, porém, não informou qual foi a amostragem utilizada especificamente na regional de Campinas.
Ainda segundo o relatório, a DRS-7 é a segunda em todo o estado com maior prevalência da P.1, ficando atrás apenas da regional de Ribeirão Preto (SP). De acordo com a Saúde, a mutação é considerada pelas autoridades sanitárias uma “variante de atenção” já que, além da maior transmissibilidade, pode agravar o quadro da doença.
Estudo do Adolfo Lutz diz que variante brasileira corresponde a 90% dos casos no estado
Além da P.1, outra mutação considerada de atenção que circula na regional de Campinas é a B.1.1.7, variante britânica que passou a ser identificada no estado em novembro. Dentre as amostras analisadas pelo instituto, a mutação representa 12,33% dos casos, segundo maior percentual no estado.
Agravamento da pandemia
Para a médica infectologista Raquel Stucchi, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, a disseminação da mutação P.1 explica, em partes, o agravamento da pandemia.
“Nós tivemos o favorecimento do desenvolvimento da variante por aglomerações lá em novembro [com as eleições], e a manutenção da quebra da barreira de transmissão durante o mês de janeiro e fevereiro também. Essa nova variante transmite muito e isso explica essa explosão no número de casos, particularmente numa população abaixo de 50 anos, que foi quem mais se expôs”, afirma a médica.
Ainda segundo a infectologista, a maior transmissibilidade do vírus significa que pessoas que se expuseram mais à doença, seja no transporte público a caminho do trabalho ou em festas clandestinas e encontros com aglomerações, foram, por consequência, as que mais adoeceram.
Unicamp identificou variante brasileira em Campinas pela 1ª vez em 31 de março
“O importante é que esta vigilância de pesquisa das variantes se mantenha porque, pela curva, nós podemos ver que a variante sul-africana parece ter uma tendência de aumento, e ela preocupa muito, porque além de se transmitir mais, ela é mais resistente às vacinas que nós temos atualmente”, alerta Stucchi.
O que já sabemos sobre a variante brasileira do coronavírus
Como é feito o sequenciamento?
Diretor do Centro de Respostas Rápidas do Instituto Adolfo Lutz, Adriano Abbud explica que o monitoramento das linhagens da Covid-19 é um processo de “altíssima complexidade”, pois requer um sequenciamento completo do genoma do vírus.
“Para fazer esse sequenciamento não é apenas colocar numa máquina e ler um resultado. Você tem que fazer extração do RNA do vírus, clonar o DNA, lubrificar isso, fazer bibliotecas para fazer diluições e, depois disso, a gente coloca na máquina, que é um sequenciador de nova geração e vai te dar um resultado”, explica Abbud.
Para chegar ao resultado, no entanto, ainda é necessária uma análise de informática que será responsável pela geração do arquivo final. “O Brasil, em números absolutos, é o 22º país no mundo que mais sequencia. […] Nunca se sequenciou tanto no Brasil, e sequências de altíssima qualidade”, destaca.
“O mais importante é se resguardar do novo coronavírus, manter o distanciamento social, usar máscaras, fazer higienização de mãos, isso é o mais importante, porque nós estamos lidando com uma pandemia de um único vírus”, finaliza o diretor do Centro de Respostas Rápidas.
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