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Estado de São Paulo registrou um roubo ou furto de bicicleta por hora em 2020

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De janeiro a setembro do ano passado, foram mais de nove mil ocorrências de roubo ou furto de bicicletas no estado, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP). Estado de SP registrou um roubo ou furto de bicicleta por hora em 2020
O estado de São Paulo registrou entre janeiro e setembro de 2020 cerca de nove mil ocorrência de roubo e furto de bicicletas, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP). Em média, foram ao menos uma ocorrência de furto ou roubo de bicicletas por hora no estado.
Uma das vítimas desses roubos é a geóloga Carla Moraes. Já passava das nove da noite quando dois bandidos aproveitaram a calmaria da rua do bairro da Saúde, onde ela mora, para forçar o portão do prédio — que não tem segurança à noite.
Os criminosos chamam o terceiro comparsa, que vem andando, na maior calma, conforme imagens registradas pelo circuito de segurança do edifício. Enquanto dois criminosos entram, um fica olhando a calçada para ver se alguém chega. A ação deles é tudo muito rápida. Em menos de um minuto, eles cruzam o portão levando embora duas bicicletas do edifício.
O criminoso que sai por último, meio desengonçado, quase cai. Na hora da pressa, ele desistiu de ir pedalando e carregou a bicicleta caminhando. Uma das bicicletas era da Carla.
“Essa é uma bicicleta que eu ganhei do meu marido. Ela foi um presente dele. Foi uma das bicicletas que mais fui pra terra, que ela é mountain bike. Então, é bem versátil. Então, já viajei o Brasil com ela. Botava ela no avião e já viajei. Ela era minha parceira mesmo. Então, eu sinto… tenho um carinho muito especial por ela. Há quase sete anos que eu tinha essa bicicleta. Estava toda equipadinha. Era uma aro 27 e meio, que é uma bicicleta um pouco incomum, baixinha. Então, não é uma bicicleta fácil de encontrar”, afirma a moça.
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Ciclistas lotam a ciclovia da Avenida Paulista, esquina com a rua da Consolação, na região central de São Paulo.
Rodrigo Rodrigues/G1
Com o volume alto de ocorrências envolvendo ciclistas, o especialista em mobilidade urbana da Associação Aliança Bike, João Lacerda, afirma que para evitar a ação dos bandidos, os donos das bicicletas devem andar com ao menos duas trancas.
“Uma informação importante também, que ajuda as pessoas a manterem as suas bicicletas, é ter duas trancas. A gente recomenda sempre que sejam investidas 20% do valor da bicicleta seja numa tranca. Não adianta aquela que eu vou com um alicate, comprar corrente que eles usam pra trancar portão, com uma ferramenta simples você corta ela. Eu tenho que ter investimento mesmo. Que é o seguro da bicicleta. O seguro da bicicleta é essa tranca, né?”, afirma Lacerda.
Registro do roubo com número do chassi
Caso as medidas não sejam suficientes e a bike for levada, os especialistas afirmam que é preciso registrar o boletim de ocorrências, porque, se a bicicleta for encontrada, fica mais fácil achar o dono do equipamento.
Sabe o que também ajuda nesse trabalho? O chassi, número de identificação presente em muitas bikes, que fica localizado na própria bicicleta e é importante para a polícia encontrar os donos.
“Em muitos casos, quando as bicicletas não têm mais o número escrito, você pode pegar um papel e por o seu nome, ou algum dado, no guidon, têm vários lugares que você pode esconder um identificador que só você sabe onde tá e vai definir que aquela bicicleta é sua”, diz João Lacerda.
Essa dica ajudou a polícia a encontrar os donos de cinco bicicletas roubadas de um condomínios no bairro do Sacomã, na Zona Sul de capital, que foram recuperadas.
A esperança do comerciante Marco Antonio Silva é que o mesmo aconteça com ele, que foi surpreendido por bandidos que fizeram um arrastão quando ele pedalava com um grupo de amigos. Os criminosos estavam armados.
“O prejuízo foi mais ou menos uns 5 mil reais e, para recuperar, é trabalhar de novo, comprar uma nova bike e retornar de novo”, afirma o comerciante.
Quem atualmente usa o carro ou o transporte público para ir pra lá e pra cá e está flertando com a ideia de usar a bike para dar conta dos compromissos do dia, pode alugar bicicletas antes de investir na compra de uma. Ir testando de pouquinho em pouquinho, sentindo como é o trajeto da sua casa até o trabalho, por exemplo. Essa é a dica de quem já pedala. E a procura na cidade de São Paulo é grande. Tanto que, em muitos pontos de aluguel, como na avenida Paulista, praticamente não tem mais nenhuma disponível.
Apesar dos roubos e furtos, a torcida de quem já anda de biké é um só: que o número de quilômetros dessa via, dedicada às bicicletas, só cresça pra desafogar os ônibus da capital paulista.
“Eu vejo que a gente fez algum progresso nesses últimos anos, aí, de expansão de ciclovias, alguns eixos principais que eram muito utilizados já têm estrutura cicloviária. Por exemplo, a Paulista, avenida Jabaquara, Vergueiro, agora, teve umas conexões. Mas ainda faltam conexões entre os pontos de acesso, né? Eu vejo, por exemplo, que alguns bairros estão isolados. Então, por exemplo, se você quer ir pro Jabaquara, se você quer ir pro outro lado, você vai pegar algum trecho sem ciclofaixa. Você vai pegar um trecho que a ciclofaixa não foi muito bem pensada. Que você se expõe a alguns riscos. Então, eu vejo que teve muito avanços, mas que a cidade ainda pensa muito que o carro tenha prioridade, que o pedestre, o ciclista, sempre num segundo plano. E eu vejo que a gente precisa pensar o contrário”, afirma Carla Moraes.
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