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USP São Carlos desenvolve robô que pode auxiliar em cirurgias de crianças com epilepsia

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Tecnologia está em fase de testes e expectativa é que proporcione aumento da precisão cirúrgica, assim como uma redução do tempo de procedimento e ganho de qualidade no pós-operatório dos pacientes. Pesquisadores da USP de São Carlos desenvolvem braço robótico que pode auxiliar em cirurgias de crianças com epilepsia
Henrique Fontes/Assessoria USP São Carlos
Pesquisadores do Departamento de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (SP), em parceria com cientistas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP-USP), estão desenvolvendo um robô que pode auxiliar cirurgias de crianças com epilepsia.
A tecnologia está em fase de testes e a expectativa é que ela proporcione inúmeras vantagens, tanto para os médicos quanto para os pacientes, como redução do tempo de procedimento, maior segurança estrutural e ganho de qualidade do pós-operatório.
“A utilização de um sistema robótico associado a múltiplos exames de imagem, em especial a Ressonância Magnética, para o planejamento cirúrgico, pode permitir ao cirurgião executar um ato cirúrgico com uma precisão muito maior”, explicou o professor titular em neurocirurgia da FMRP-USP e um dos autores do estudo, Hélio Rubens Machado.
O que é epilepsia?
Lesões que podem surgir precocemente quando o cérebro ainda está em formação estão entre as principais causas de convulsões em crianças.
Arte/TV Globo
De acordo com o professor titular do Departamento de Eng. Aeronáutica, Glauco A. P. Caurin, também autor da pesquisa, lesões que podem surgir precocemente quando o cérebro ainda está em formação estão entre as principais causas de convulsões em crianças.
“Essas lesões levam ao mau funcionamento de parte do cérebro, que se torna gerador de crises convulsivas. Em crianças, por vezes, a frequência de crises convulsivas é maior que em adultos e podem variar de perda total da consciência a pequenos desvios de atenção”, disse.
Entre 70 e 80% dos casos os pacientes podem ser tratados com medicação. Entretanto, no restante, os remédios têm efeito limitado, sendo estes os casos que precisam ser encaminhados para centros de referência especializados para investigarem a origem da epilepsia e se esta criança poderá passar por cirurgia.
Inovação
Professor titular do Departamento de Eng. Aeronáutica, Glauco A. P. Caurin, e um dos autores do estudo
Henrique Fontes/Assessoria USP São Carlos
É justamente na etapa de identificação dos focos epilépticos que a tecnologia atua: um programa de computador, chamado de sistema de navegação, que trabalha em conjunto com um braço robótico, recebe imagens online 3D do cérebro da criança.
Nesse programa, os médicos conseguem interpretar as imagens e planejar a cirurgia, na qual irão inserir os eletrodos. O resultado desse trabalho são linhas retas penetrando o espaço intracraniano do paciente.
“O robô fornece ao cirurgião guias precisas para inserir os eletrodos. Ele serve como um suporte postural que ajuda o cirurgião na inserção dos eletrodos conforme ele mesmo definiu em seu planejamento. Ou seja, o robô assume o papel de um assistente”, comentou Caurin.
Com a implementação dos eletrodos, os neurologistas conseguem identificar o local dos focos epilépticos e, assim, podem planejar a segunda cirurgia para a retirada das lesões que causam as crises convulsivas na criança “permitindo, então, que ela volte para escola e passe a ter convívio social adequado para a sua idade”, como explicou Machado.
Vantagens
Tecnologia em desenvolvimento pela USP de São Carlos deve reduzir tempo de cirurgia de epilepsia
Henrique Fontes/Assessoria da USP São Carlos
De acordo com a pesquisa, graças aos chamados controles de interação, os robôs colaborativos são mais seguros, ágeis, flexíveis e têm uma comunicação “mais amigável entre máquinas e seres humanos”, se comparados com robôs convencionais.
“O uso de robôs no posicionamento de eletrodos e o uso de rotinas de neuronavegação, adicionam precisão, segurança, velocidade no procedimento, ganho de qualidade do pós operatório. Colaborando para o tempo de recuperação e minimizando riscos de micro sangramentos cerebrais”, informou Caurin.
Além disso, um importante resultado gerado foi a criação de cenários de simulação do processo cirúrgico, tanto em computador como cenário físico no laboratório, que servem para o treinamento de futuros cirurgiões.
Próximos passos
Braço robótico está sendo testado em simulações com crânios artificiais
Henrique Fontes/Assessoria USP São Carlos
A tecnologia em desenvolvimento na USP de São Carlos está sendo testada em simulações com crânios artificiais. O objetivo é identificar eventuais erros do sistema e prever todos os problemas que podem surgir no momento da cirurgia.
“Adicionalmente, no momento estamos realizando testes para exibir informações e posicionar modelos tridimensionais em uma região do espaço usando óculos de realidade aumentada. Com isso pretendemos facilitar o acesso do cirurgião à informação durante a cirurgia; estudar e registrar a resposta dos equipamentos”, explicou Caurin.
A pesquisa contou com o apoio financeiro do Fundo de Financiamento de Estudos de Projetos e Programas (Finep) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
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