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Região de Campinas ficará abaixo de 50% de vacinados com 1 dose contra Covid até novembro se mantiver ritmo atual, estima pesquisador da Unicamp

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Índice representa cerca de 1,7 milhão de pessoas nas 31 cidades da região, que somam uma população de 3.472.383 habitantes. Imunização completou três meses e 12,41% dos moradores receberam a 1ª dose. Vacina da Astrazeneca, uma das aplicadas na região de Campinas, é produzida na Fiocruz
REUTERS/Yves Herman
Já se passaram três meses desde o início da aplicação das doses de vacinas contra o coronavírus na região de Campinas (SP), e o número de primeiras doses aplicadas atinge 12,41% da população. São 430.896 pessoas nas 31 cidades que receberam ao menos uma dose até este domingo (18). O ritmo atual da imunização acende um alerta e pode resultar em menos da metade dos moradores vacinados até novembro, se essa velocidade não aumentar.
A análise é do pesquisador do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) da Unicamp, Thomas Vilches, que realizou nesta segunda-feira (19), a pedido do G1, uma projeção para a região a exemplo da pesquisa sobre redução de mortes provocadas por coronavírus, divulgada há cerca de um mês.
218.925 pessoas tomaram a segunda dose na região (6,30%) em 3 meses; veja a evolução da vacinação em cada município
O pós-doutorando aplicou um modelo matemático para definir a média de doses aplicadas. Em um intervalo de dez dias – entre 7 e 16 de abril – 0,34% da população recebeu o imunizante por dia na região.
Até dia 16 de abril, 417 mil pessoas tinham tomado ao menos a primeira dose. Considerando a velocidade atual de imunização, 1,7 milhão de moradores chegarão a este estágio até o início de novembro, um prazo de 200 dias. A estimativa representa 48,95% da população total da região, que é de 3.472.383 habitantes, segundo dados do IBGE de 2020.
Parte da população de Campinas foi imunizada com a vacina Coronavac, produzida no Instituto Butantan
Jonathan Campos/AEN
A primeira dose da vacina contra o coronavírus na região de Campinas foi aplicada na metrópole, no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, na tarde de 18 de janeiro. O imunizante foi aplicado na técnica de enfermagem Liane Santana Mascarenhas Tinoco, de 49 anos, natural da Bahia.
Apesar do índice encontrado na projeção matemática três meses depois, as perspectivas de impacto da vacina são boas, segundo o pesquisador.
Vilches ressaltou que o problema da superlotação de hospitais devido à gravidade da pandemia da Covid-19 impacta não só em óbitos pela doença, mas também por outras enfermidades, dada a falta de leitos. Por isso, o resultado na redução de mortes chama a atenção.
“Se mantida ao menos a taxa alcançada nos últimos dez dias, pode gerar uma grande redução neste número de hospitalizações (tanto em enfermaria quanto em UTI), variando entre 20% e 47%, para a Coronavac, e 35% a 60% para a Astrazeneca”, explica.
Cenários possíveis
O pesquisador detalhou na sua projeção matemática os cenários para uma realidade onde só há proteção contra sintomas e também para a realidade de proteção contra infecção e casos graves, considerando as duas vacinas em uso atualmente, Coronavac e Astrazeneca, e o período dos próximos 200 dias. Veja abaixo:
Astrazeneca: redução entre 43% e 65% no número de mortes
Coronavac: redução entre 27% e 55% no número de mortes
“É importante ressaltar que são feitas diferentes projeções de maneira a levar em consideração aqueles parâmetros que ainda não são conhecidos. No entanto, o cenário em que não há proteção alguma contra sintomas graves e/ou infecção, apesar de ser analisado, é muito pouco provável”, explica.
Nas figuras abaixo, o pesquisador demonstrou a redução percentual em número de casos, internações e mortes nos cenários considerados.
Gráficos de projeção matemática apontam redução de mortes, casos e internações entre moradores vacinados contra a Covid-19
Thomas Vilches
Vacinados nas 31 cidades em 3 meses
Total de pessoas que receberam ao menos 1 dose: 430.896 (12,41% da população)
Total de pessoas que receberam 2 doses: 218.925 (6,30% da população)
Total de doses aplicadas: 649.821
Como reduzir mortes em até 80%
Dobrar a taxa de vacinação, segundo Vilches, é o que pode elevar a chance de reduzir mais mortes por Covid-19, em até 80%, considerando as duas vacinas.
Dobrar a taxa de vacinação poderia levar a redução no número de mortes para próximo dos 80%, no cenário da Aztrazeneca, e 72% no canário da Coronavac. Esperamos que novas vacinas sendo aprovadas e compradas pelo governo venham agregar a estas projeções, aumentando a capacidade diária de vacinação e melhorando cada vez mais os resultados.”
Atualmente, há outras vacinas em negociação pelo governo federal e buscando a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como a Pfizer e a vacina da Jannsen.
Nesta segunda, a Anvisa autorizou os testes clínicos da sexta vacina no Brasil, mais uma chinesa.
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