Internações em UTI de pacientes entre 30 e 50 anos com Covid-19 crescem 21% em 2021 em hospital de referência de SP

8 de abril de 2021 0 Por
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Entre janeiro e março deste ano, Hospital Municipal da Brasilândia Adib Jatene, na Zona Norte de São Paulo, 311 pacientes dessa faixa etária deram entrada na Unidade de Terapia Intensiva, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. Profissionais da saúde atendem pacientes com Covid-19 em leitos da UTI do Hospital de Campanha Ame Barradas, montado em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, em 8 de março de 2021
Mister Shadow/ASI.Estadão Conteúdo
O número de internações de pessoas com idades entre 30 e 50 anos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal da Brasilândia Adib Jatene, na Zona Norte de São Paulo, cresceu 21% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o quarto trimestre de 2020. Houve um salto de 258 para 311 novas internações entre um período e o outro. É o que aponta um levantamento exclusivo da GloboNews feito com base em dados da Secretaria Municipal da Saúde obtido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
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Unidade de referência para o atendimento de pacientes com a Covid-19 na capital paulista, o Hospital da Brasilândia é o hospital com a maior quantidade de leitos de UTI reservados para a Covid-19 de toda a rede municipal: concentra 16% (218) de todos os 2.664 leitos desse tipo administrados direta ou indiretamente pela prefeitura.
Levando-se em conta os leitos de enfermaria exclusivos para a Covid-19, o hospital da Brasilândia possui, ao todo, 406 leitos.
De acordo com balanço da Secretaria Municipal da Saúde, nesta terça-feira (6), 94% (206 dos 2018 existentes) dos leitos de UTI desse hospital estavam ocupados.
Faixa etária com maior alta nas internações
Segundo o levantamento obtido pela reportagem, a faixa etária dos 30 aos 50 anos foi a que registrou a maior alta no número de internações no primeiro trimestre deste ano dentre as três faixas de idade com números disponíveis.
A evolução das internações no Hospital da Brasilândia está separada em três faixas etárias diferentes: pessoas com até 30 anos; pacientes entre 30 e 50 anos e, por fim, aqueles com mais de 50 anos.
De acordo com os dados fornecidos pela Secretaria Municipal da Saúde, na faixa etária de até 30 anos, as internações caíram 25% no primeiro trimestre deste ano em relação ao último trimestre de 2020: de 32 para 24 novas ocupações de leitos de UTI em cada período.
Já entre os pacientes com mais de 50 anos, as internações cresceram no período, mas a um ritmo menor do que o verificado entre as pessoas entre 30 e 50 anos. A alta, nesse grupo, foi de 5% (de 841 para 881 novas internações).
Apesar de crescer menos, a faixa etária acima de 50 anos é, disparada, a que responde pela maioria das internações na UTI do hospital da Brasilândia. Ao longo do primeiro trimestre deste ano, 72% (881) de todas as internações em UTI foram de pessoas de idades acima do 50 anos.
Análise
Na avalição da diretora-geral do Hospital Municipal da Brasilândia, Patrícia Gonçalves Guimarães, a alta das internações de pacientes mais jovens na UTI é um fenômeno percebido pela equipe médica da unidade e pode estar relacionada a uma série de fatores, como a circulação de novas variantes do novo coronavírus em São Paulo. “Aparentemente, existem novas variantes, isso já é conhecido pela OMS, que se tornam mais infecciosas, que acometem jovens por elas serem formas mais virulentas da doença.”
A diretora do hospital também chama a atenção para a mudança de comportamento das pessoas de um modo geral nos últimos meses de 2020. “O comportamento do ser humano tem um vínculo direto com a disseminação e a forma como a doença se comporta. Talvez a gente tenha deixado um pouco de lado o medo ou talvez a esperança de ter a vacina uma pouco mais rápida tenha deixado a nossa perspectiva de cuidado reduzida. Infelizmente.”
Ainda segundo a diretora da hospital, para que enfrentemos o atual momento da pandemia sem que haja um colapso do sistema de saúde, toda a população precisa colaborar.
“Estamos cansados, mas a gente vai continuar até o fim, porque é isso que a gente deve à população.(…) Ao mesmo tempo a gente pede a ajuda da população para nos ajudar. Para a gente ganhar essa batalha, eu insisto que todos nós, a população inteira tem que se tornar herói neste momento.”
E emenda: “Seja o herói que fica em casa, seja o herói que não gosta de máscara, mas usa, seja o herói que está colocando o seu jaleco branco todos os dias e indo trabalhar, e enfrentando o vírus cara a cara para salvar outras pessoas. Mas, se todos não colaborarem, a gente não vai dar conta, e a gente precisa dar conta”.
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