Festival ‘É tudo Verdade’ tem último filme da atriz Nicette Bruno: ‘Mais do que homenagem, celebração’, diz diretor

8 de abril de 2021 0 Por
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Maior festival de documentários da América Latina começa nesta quinta (8) e oferece 69 filmes que podem ser vistos em casa. Documentário ‘Zimba’ é o último trabalho da atriz Nicette Bruno, que morreu vítima de Covid-19 em dezembro de 2020. Começa mais uma edição do “É Tudo Verdade”, mais importante festival de documentários do país
Começa nesta quinta-feira (8) o maior festival de documentários da América Latina, “É Tudo Verdade”. São 69 filmes para assistir sem sair de casa. Dentre os destaques, o documentário “Zimba” é o último trabalho da atriz Nicette Bruno, que morreu vítima de Covid-19 em dezembro do ano passado.
“Esse amor à vida da Nicette é um amor que transcende. Através do filme ela, simbolicamente, renasce. Eu tenho uma memória muito viva dela com muita energia caminhando pelo teatro, contando histórias… Mais do que uma homenagem, é uma celebração”, afirma o diretor do filme, Joel Pizzini.
O protagonista do documentário “Zimba”, Zbigniew Ziembinski, revolucionou o teatro paulistano no início da década de 1950, no antigo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) na Bela Vista, região central de São Paulo, ao lado de nomes como Cacilda Becker, Paulo Autran, Walmor Chagas e Cleide Yáconis.
Ziembinski pensava na arte como cura e aperfeiçoamento do espírito, de acordo com Pizzini.
“Eu acho importante evocar a figura dele nesse momento paradoxal de recolhimento em que estamos interditados a muita coisa do mundo externo e ao mesmo tempo, um momento de meditação, de rever certos valores, de medir certas posturas e de pesar o que realmente faz sentido e como vamos revidar tudo isso.”
Teatro Oficina
O documentário “Máquina do Desejo – os 60 anos do Teatro Oficina”, dos diretores Lucas Weglinski e Joaquim Castro, tem imagens na iminência da Cinemateca ser desarticulada.
“A memória é a história de um país, então se a gente apaga a memória, apagamos a história. São imagens preciosas da cidade, da construção do Minhocão, da Teatro Oficina no início dos anos 60, são os únicos registros que tem”, afirma Weglinski.
O filme, que faz parte da seleção oficial do “É Tudo Verdade”, celebra os 60 anos do Teatro Oficina olhando para o futuro. Há imagens da arquiteta Lina Bo Bardi e Zé Celso Martinez Corrêa, fundador do Oficina, durante a construção do Minhocão.
“[Na peça] Em Selva de Cidades, primeiro encontro deles, eles estavam em frente ao Minhocão e começaram a pegar os restos de concreto e transformar isso em um cenário, o que no final do dia era destruído”, conta Joaquim Castro, também diretor do longa.
Castro lembra que o Teatro Oficina vem lutando para que o bairro do Bixiga tenha mais área verde do que prédios. Após 40 anos de disputa pelo dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, diretor do Teatro Oficina, e pelo Grupo Silvio Santos, que pretendia construir três prédios de até 100 metros de altura na região, o projeto de criação do Parque Bixiga foi vetado pela Prefeitura em março do ano passado.
“Hoje estamos nesse processo dentro do Teatro Oficina que é conseguir um respiro dentro para o bairro do Bixiga, o Parque Bixiga. Então abrir o rio, deixa de ter prédio e shopping, chega, não precisamos de prédio e rio, nós paulistas precisamos de espaço para respirar, de cultura. A pandemia nos mostra como a cultura é fundamental em nossas vidas”, afirma.
Sete filmes brasileiros finalizados durante a pandemia concorrem ao principal prêmio do festival.
De acordo com Amir Labaki, diretor do festival, o olhar para o passado para discutir o presente é uma marca do documentário brasileiro contemporâneo.
“O documentário brasileiro tem muito esse vetor, de ‘vamos pagar a dívida’, de falar sobre aquilo que a gente precisa recupera”, afirma.
Os filmes ficam disponíveis até o dia 18 em dias e horários específicos. Mais informações no site.
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