18 hospitais estaduais da Grande SP têm 100% de ocupação de leitos para Covid-19 e 446 pessoas aguardam por vaga de UTI

8 de abril de 2021 0 Por
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A taxa de ocupação de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) caiu de 88,8% para 88% nesta quinta-feira (8). A queda acontece pelo terceiro dia consecutivo, mas na prática a melhora não é significativa. Hospital filantrópico Santa Marcelina
Reprodução/Google Street View
Dezoito hospitais estaduais na região metropolitana de São Paulo estavam com 100% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados nesta quinta-feira (8). A taxa de ocupação de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) oscilou de 88,8% para 88%. A ligeira queda acontece pelo terceiro dia consecutivo.
Na capital, estão lotados os hospitais da Vila Alpina, Ipiranga, Santa Marcelina, Itaim Paulista, Guaianases e os dois hospitais de Sapopemba. Também estão lotados os hospitais da Pedreira, Grajaú, o Instituto Dante Pazzanese e o Hospital Geral da Vila Penteado.
Na região metropolitana, os hospitais lotados são os de Carapicuíba, Cotia, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guarulhos, Itapecerica da Serra e Itaquaquecetuba.
Com os hospitais lotados, 446 pessoas estão na fila nesta quinta-feira (8) esperando uma transferência para receber o tratamento adequado em uma UTI da Grande São Paulo.
Nesta quinta-feira (8) faz um mês que o SP1 noticiou as primeiras mortes nessa fila em Taboão da Serra. Uma delas foi a do seu Luís. Para a viúva, dona Magna Leila da Silva Soares, faz exatamente um mês que a “felicidade” não entra pela porta.
“Ele tinha uma hora de sair e uma hora de chegar. É como se ele tivesse trabalhando e a gente está esperando ele chegar. O vazio parece que não vai ser preenchido nunca.”
Mesmo debilitado, com falta de ar, o seu Luís continuava bem humorado. O frentista de 52 anos ficou sete dias internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Akira Tada, em Taboão da Serra, aguardando uma transferência que não aconteceu.
“Fica aquele ponto de interrogação perguntando o tempo todo. E se? Se ele tivesse tido uma oportunidade, será que ele estaria aqui com a gente? Não sei, né. Porque ele não teve. Ele não teve. Essa oportunidade não foi dada a ele”, diz Magna.
O seu Luís estava entre os nove nomes da lista de pessoas esperando por um leito de UTI divulgada no dia 8 de março. Desde então, o número de vítimas na fila da Grande São Paulo quadruplicou em uma semana e chegou a 260 no fim daquele mês. A alta se manteve em alta em abril, alcançando 363 mortes na quarta-feira (7).
São registros de várias cidades da região metropolitana, mas as piores situações, segundo levantamento da produção da TV Globo e do G1, estão em Franco da Rocha, Francisco Morato, Ribeirão Pires e Taboão da Serra.
Só em Taboão da Serra já foram 38 óbitos de pessoas que morreram na cidade à espera de leito. A Maria Celeste, 53 anos, foi a a trigésima oitava pessoa a morrer na cidade aguardando vaga em UTI nesta quinta-feira (8).
“Dez dias aguardando essa Covid-19 está matando qualquer idade, sendo idoso ou não, todos os nós somos grupos de risco, infelizmente.”
Segundo José Alberto Tarifa, secretário municipal de saúde de Taboão da Serra, a cidade não possui leitos de UTI, como a grande maioria dos municípios.
“O estado nos fornece leitos de UTI. Tivemos um momento bastante crítico no começo de março, ficamos quatro dias sem receber nenhuma vaga de leito de UTI, e depois daquele momento, da exposição da mídia, o estado começou a nos fornecer vagas constantemente. Tivemos um dia em que recebemos 11 vagas no mesmo dia, e hoje estamos recebendo entre duas e três vagas todos os dias. Isso desafoga bastante. A gente não tem a mesma situação. Hoje é muito mais confortável.”
Desde a notícia da primeira morte na fila da UTI, a oferta de leitos na Grande São Paulo passou de 5.442 para 8.243, um aumento de 51% em um mês.
Para o professor de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Abrão, quantidade não significa qualidade.
“É um conhecimento médico muito especifico, exige uma série de estruturas, equipamento e uma equipe muito treinada para tratar de pacientes graves”, afirma.
Equipes que, em geral, já estão desgastadas depois de mais de um ano de pandemia.
“É muito sacrificante. O que cansa mais eu acho não é nem o esforço físico de estar nos plantões, de virar a noite cuidando de pacientes, eu acho que o que cansa mais é a pressão psicológica de não poder atender da melhor forma aquele paciente grave que a gente quer salvar.”
Alheia às estatísticas, a Lidiane Dias da Silva aguarda um leito paro pai, seu Arnaldo, de 64 anos, na manhã desta quinta-feira (8). Ele foi internado no sábado (3), em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tatuapé, na Zona Leste da capital, e ficou três dias sentado em uma cadeira até conseguir uma maca. A espera, no caso dele, é por vaga em enfermaria.
“O nosso medo é porque a gente vê que ali ele não tem estrutura nenhuma. Então assim, se meu pai que está nessa situação e precisa de uma enfermaria, que é um quarto tão estruturado como uma UTI. Imagine os pacientes que precisam de uma UTI, né?”, afirma Lidiane.
Mais tarde, nesta quinta, a família do seu Arnaldo foi avisada que saiu a transferência dele para um leito de enfermaria no Hospital Municipal Bela Vista, na região central.
Segundo o governo do estado, a ocupação de enfermarias é de 75% na Grande São Paulo.
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