USP confirma variante sul-africana do coronavírus em amostra de paciente de Sorocaba

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De acordo com cientistas, nova cepa é mais transmissível e tem maior capacidade de fugir do sistema imune das pessoas infectadas. USP confirma variante sul-africana do coronavírus em amostra de paciente de Sorocaba
Getty Images via BBC
A variante sul-africana do coronavírus foi identificada pela primeira vez no Brasil em uma amostra coletada em Sorocaba (SP). De acordo com cientistas, ela é mais transmissível e tem maior capacidade de fugir do sistema imune das pessoas infectadas.
O caso foi identificado no dia 31 de março e, desde então, já havia a suspeita de que poderia se tratar da cepa sul-africana.
A descoberta foi feita por um grupo de pesquisadores, coordenada pelo Instituto Butantan e com participação da Universidade de São Paulo (USP) e outras instituições de pesquisa.
A equipe coletou amostras em diversas cidades paulistas, entre as quais Sorocaba, Araçatuba, Marília, Taubaté, Campinas e Ribeirão Preto, além de munícipios das regiões da Grande São Paulo e da Baixada Santista.
De acordo com o artigo publicado no site MedRxiv, a linhagem identificada em Sorocaba compartilha 15 mutações com o isolado inicialmente encontrado na África do Sul. No entanto, outras seis dessas mutações definidoras não estão presentes na amostra e nove são exclusivas.
Em entrevista ao Jornal da USP, o pesquisador Rafael dos Santos Bezerra, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), afirmou que não há como saber com precisão como a variante chegou à cidade.
“Temos apenas uma sequência e estamos trabalhando no rastreamento de outras possíveis pessoas que tiveram contato com o paciente. Entretanto, a hipótese mais segura nesse instante é que seja uma cepa importada, pois Sorocaba é uma área de indústrias com alto fluxo de pessoas, porém, apenas com mais isolados poderemos confirmar um possível evento de convergência”, explica.
Paciente
Conforme a Prefeitura de Sorocaba, a paciente, uma dona de casa de 34 anos, apresentou os sintomas da doença no dia 5 março. O marido, a filha e o filho dela também tiveram sintomas leves e resultados positivos para Covid-19. Contudo, o sequenciamento foi identificado apenas no exame da mulher.
Segundo a prefeitura, o filho da moradora não estava indo à escola e o marido estava de férias do trabalho. Os pacientes não tiveram contato com ninguém de outra cidade ou viajante da África.
No fim de março, a Secretaria da Saúde de Sorocaba havia identificado cinco variantes do vírus em circulação na cidade. Seis casos foram confirmados no município, dos quais quatro pessoas morreram.
São variantes do Reino Unido (dois casos), Minas Gerais (um caso) e Manaus, no Amazonas (um caso). Além dessas, havia outras duas variantes, responsáveis por mais dois casos, cujos nomes ainda não haviam sido informados.
Um dos infectados era morador de Juquiá (SP) e morreu em fevereiro após contrair a variante de Manaus, chamada de P.1. Três contaminados vieram a óbito neste mês de março. Os outros dois infectados com variantes contraíram o vírus no Reino Unido no ano passado.
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