Sem comorbidades, jovem de 27 anos morre de Covid-19 meses antes de se casar; ‘Dilacerante’, diz mãe

7 de abril de 2021 0 Por
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Ketherin Bracciali também fez aniversário durante internação para tratamento da doença. Ela veio a óbito no último dia 4 de abril, em São José do Rio Preto (SP). Família conta que jovem tomava todos os cuidados necessários, respeitava as medidas de prevenção e usava máscara, mas foi contaminada mesmo assim. Ketherin Bracciali morreu aos 27 anos em Rio Preto
Arquivo pessoal
Uma jovem de 27 anos não resistiu às complicações provocadas pelo novo coronavírus e morreu no último domingo (4), em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Ketherin Bracciali fez aniversário durante a internação para tratamento da doença e estava com o casamento marcado para o dia 9 de setembro de 2021.
Ainda tentando lidar com a partida precoce da filha, mas se apoiando à religião para encontrar forças, Rosangela Bracciali afirma que Ketherin era totalmente saudável e respeitava rigorosamente as regras de prevenção à Covid-19.
“Foi dilacerante. Minha filha nunca bebeu e fumou. Não tinha comorbidade nenhuma. Ela se cuidava. Não ia para balada, mas pegou”, diz Rosangela, em entrevista ao G1.
“Esses jovens que não têm responsabilidade com a própria vida tinham que parar um pouquinho para pensar no quanto isso é real. Esse vírus vai demorar para ser extinto. Muitos ainda podem perder a vida”, complementa a mãe.
Sem comorbidades, jovem de 27 anos morre de Covid-19 meses antes de se casar
Sintomas
Ketherin começou a apresentar os sintomas associados à Covid-19 há mais ou menos três semanas. Rosangela relata que a filha se queixou de dores nos joelhos e, em seguida, na garganta.
“No dia 12 de março, nós a levamos a uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Ela ficou praticamente a manhã toda aguardando atendimento, passou mal, precisou ser colocada em uma cadeira de rodas e entrou para fazer o teste”, explica Rosangela.
Ketherin Bracciali morreu por complicações provocadas pela Covid-19
Arquivo pessoal
Depois de ser medicada, a jovem retornou para a casa onde morava. Porém, apresentou falta de ar e precisou procurar atendimento novamente.
Até então, Ketherin não tinha descoberto que o resultado do exame feito dias atrás tinha apresentado resultado positivo para Covid-19.
“No dia 19 de março, ela foi internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tangará e precisou ficar no oxigênio. Deram autorização para levar roupas e coisas de higiene. Levei, mas não consegui vê-la. Minha filha melhorava em um dia, mas no outro piorava”, relembra a mãe.
Aniversário
No dia 24 de março, enquanto batalhava para se recuperar das complicações provocadas pela doença, a jovem completou 27 anos.
Víncenth Bracciali relembra que mandou mensagem à irmã para desejar parabéns e aproveitou para dizer que estava torcendo pela recuperação dela.
“Falei que queria que ela melhorasse logo. Minha irmã ainda estava acordada e me respondeu que estava preocupado comigo. Essa foi a última conversa que tivemos. Mesmo estando mal, minha irmã ainda estava preocupada comigo”, comenta.
Da esquerda para a direita: Víncenth Bracciali (irmão), Cristieli dos Santos Bracciali (cunhada), Ketherin Bracciali (falecida) e Rosangela Bracciali (mãe)
Arquivo pessoal
Ketherin estava preocupada porque toda a família também tinha testado positivo para o novo coronavírus, mesmo tendo adotado todas as medidas de prevenção e respeitado o distanciamento social.
“Ficamos aguardando um bom tempo pelo resultado do exame. Senti falta de ar, muita fraqueza e moleza. As comidas ficaram com um gosto muito forte. Mas nenhum de nós precisou de internação”, explica Víncenth.
Transferências
A mãe da jovem conta que a filha foi transferida para outras duas Unidades de Pronto Atendimento e precisou ser intubada.
“Foi tudo muito rápido. Descobrimos que minha filha sofreu uma parada cardíaca por conta da doença. Me chamaram para buscar o anel de noivado dela e recebi a notícia de que os pulmões dela estavam comprometidos”, relata.
No dia 31 de março, Ketherin foi transferida novamente, mas, dessa vez, para a Santa Casa, um dos hospitais responsáveis por atender moradores de Rio Preto com suspeita ou diagnóstico positivo da doença.
“Ela ficou internada e intubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas teve 75% dos pulmões comprometidos pela doença e faleceu no dia 4 de abril”, relembra Rosangela.
“Minha filha era uma menina alegre, positiva, gostava de ver todos felizes e se preocupava muito. Ela tinha álcool em gel em todos os lugares, respeitava o distanciamento, usava máscara. Realmente não sabemos de onde a doença surgiu”, complementa a mãe.
Casamento
Em janeiro de 2021, Francisco Queiroz pediu a mão de Ketherin durante uma viagem a Gramado (RS). Morando em cidades diferentes, os dois se conheceram pela internet, começaram a conversar e se encontraram presencialmente no dia 11 de junho de 2020.
“O casamento estava marcado para 9 de setembro. Nossa relação era perfeita. Nunca brigamos. Sei que quando as pessoas falecem normalmente costumam dizer isso, mas Ketherin era a melhor noiva, namorada e amiga”, desabafa Francisco.
Francisco Queiroz abraçado com Ketherin Bracciali no dia em que o pedido de casamento foi feito
Arquivo pessoal
Cristieli dos Santos Bracciali relata que a probabilidade de a cunhada não resistir às complicações provocadas pela doença era praticamente nula.
Por isso, aproveita para fazer um apelo aos jovens e às pessoas que ainda insistem em adotar uma atitude negacionista sobre a pandemia.
“Nós acreditamos que as famílias são eternas. A morte não é o fim de tudo. Acreditamos que ainda vamos vê-la. Está sendo difícil, mesmo acreditando nisso. Agora imagina para quem não tem uma religião e acha que a morte é o fim de tudo. Os jovens não estão pensando na família e em quem vai ficar”, diz Cristieli.
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