Profissionais da saúde falam sobre mudanças na rotina após um ano de pandemia

7 de abril de 2021 0 Por
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No Dia Mundial da Saúde, comemorado nesta quarta-feira (7), profissionais da região de Jundiaí (SP) listam dificuldades enfrentadas no dia a dia por conta da crise sanitária. TV TEM exibe reportagem especial em homenagem aos profissionais da saúde
Reprodução/TV TEM
O Dia Mundial da Saúde é comemorado nesta quarta-feira (7). Além de todos os cuidados e informações sobre a pandemia, os profissionais desta área precisam enfrentar as dificuldades do dia a dia, muitas vezes deixando a família em casa para cumprir a missão de salvar vidas.
Um ano depois dessa mudança tão radical, alguns profissionais da linha de frente do combate ao coronavírus mostram como a categoria da saúde é formada por “super-heróis”.
Um exemplo é a enfermeira Severina Alaíde, que tem 23 anos de enfermagem e é coordenadora do Hospital de Clínicas de Campo Limpo Paulista (SP).
Foi na maior crise sanitária do mundo que ela viu o pai ser intubado no mesmo dia em que ela testou positivo para a Covid-19. Cinco dias depois, o pai de Severina não resistiu à doença e morreu.
“Eu consegui trabalhar até as 16h naquele dia e depois não consegui mais. Eu desabei, porque eu sabia que meu pai era hipertenso, diabético, eu sabia das chances do meu pai. Eu achava que era um vírus que pudesse vir, mas que tivesse um controle”, comenta.
Maria Santos também é enfermeira e trabalha no Hospital São Vicente, referência no tratamento da Covid em Jundiaí (SP). Ela conta que, apesar de tomar os cuidados necessários no hospital e fora do trabalho, acabou pegando a doença.
“Em alguns dias, eu me sinto com o dever cumprido, porque eu fiz o melhor que eu pude fazer, mas, alguns dias, eu tenho a sensação que eu não consegui fazer devido à gravidade, à quantidade”, relata.
TV TEM exibe reportagem especial em homenagem aos profissionais da saúde
Já Célia Regina Galeotti tem 34 anos de medicina e é coordenadora do pronto atendimento especializado em Covid de um hospital particular de Jundiaí. Todos os dias, ela vê cenas de luta pela vida que marcaram esse um ano de pandemia.
“Eu perdi pacientes que estavam implorando para não morrer. Você vê o desespero das pessoas e isso marca muito a gente.”
A médica também conta que tenta colocar leveza na rotina de quem está há dias dentro de um hospital. “Quando você entra em uma enfermaria cheia de pacientes, eu brinco: ‘olha aí, vamos acordar todo mundo’. E eles falam: ‘a senhora veio, que bom’. A gente tem que ter um jogo de cintura”, comenta.
“Hoje a gente já sabe como lidar, quando internar, quando o paciente tem que ir para a UTI direto, o momento certo para intubar, mas, no começo, era tudo meio às cegas”, continua a médica.
Neste um ano na chamada linha de frente de combate à pandemia, os profissionais da saúde viram a rotina de trabalho mudar. E o que todos afirmam é que esse foi um ano de muito aprendizado e também de muito cansaço.
“A mensagem que eu quero deixar é o uso de máscara, de álcool em gel, ficar em casa. É desgastante? É, mas é muito mais desgastante o paciente estar na UTI, intubado, com chance até de não sair e depois ir para um cemitério”, finaliza Célia.
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