Governo de SP registra 87 casos de variantes de Covid, e especialistas pedem melhora na amostragem: ‘Número é muito maior’

7 de abril de 2021 0 Por
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Infectologista alerta que não detectar melhor a presença de novas variantes do coronavírus dificulta acompanhamento real do avanço da pandemia tanto no estado quanto em outras regiões do país. SP tem 87 casos confirmados de três novas variantes do coronavírus
A Secretaria Estadual da Saúde confirmou na tarde desta quarta-feira (15) a detecção de um total de 87 casos de três diferentes novas variantes do coronavírus em todo o estado de São Paulo. Todos eles são autóctones, ou seja, se deram por transmissão comunitária. De acordo com o órgão, 74 deles, o que representa 85% do total, foram detectados fora da capital paulista.
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De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, 77 desses casos são da P.1, variante brasileira detectada primeiramente no Amazonas.; 9 são da variante britânica, enquanto 1 é do caso descoberto recentemente em Sorocaba, no interior paulista.
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, “a confirmação de novas variantes não deve ser confundida com diagnóstico, nem pode ser considerada de forma isolada. Trata-se de um instrumento de vigilância que contribui para o monitoramento da pandemia de Covid-19”.
Para o infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e mestre em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade de São Paulo (USP) Leonardo Weissmann, o número real de novas variantes em circulação no estado de São Paulo é muito maior do que o divulgado. De acordo com ele, isso decorre do baixo financiamento e da quantidade insuficiente de laboratórios para realizar o sequenciamento do genoma do coronavírus.
“Da mesma maneira que não é feita a testagem de todos os pacientes sintomáticos, ocorre o mesmo com a questão das novas variantes. O sequenciamento requer financiamento e nem todo laboratório tem estrutura suficiente para fazer o sequenciamento do genoma do vírus. Se tivéssemos local para fazer, gente para fazer, com certeza, esse número [divulgado] seria bem maior.”
De acordo com o especialista, não detectar melhor a questão da presença de novas variantes dificulta que se faça um acompanhamento do real avanço da pandemia da Covid-19 tanto aqui no estado quanto em outras regiões do país.
Melhorar a amostragem
Para o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Carlos Magno Fortaleza, o estado deve “melhorar a amostragem, para que ela seja verdadeiramente representativa e atualizável”.
“A gente deve toda semana epidemiológica selecionar uma quantidade de vírus e genotipar, para saber a situação de cada semana.”
De acordo com Fortaleza, isso passa por aprimorar o que ele chama de robustez tecnológica da estrutura necessária para o sequenciamento do genoma do coronavírus.
“Temos de buscar amostras representativas no tempo, no espaço e no tipo de população acometida. Isso requer aprimorar nossa robustez tecnológica. Até temos estrutura, mas uma parte está na universidade, outra parte no Adolfo Lutz. É óbvio que não temos 77 casos da P.1 no estado de São Paulo. O importante é sabermos a porcentagem dessa variante dentro de uma amostra representativa.”
Informações complementares
A confirmação de variantes ocorre por meio de sequenciamentos genéticos realizados por laboratórios como o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Soma-se a isso o trabalho de Vigilância Epidemiológica para investigação dos casos, como históricos de viagens e contatos. Esta identificação contribui para as estratégias de vigilância, não sendo necessário, do ponto de vista técnico e científico, sequenciamentos individualizados uma vez confirmada a circulação local da variante.
Até o momento, não há comprovações científicas sobre os impactos destas variantes e pesquisadores em todo o mundo estudam o comportamento da pandemia e as mutações do vírus (SARS-CoV-2).
Assim, as mesmas medidas já conhecidas pela população seguem cruciais para combater a pandemia do coronavírus: uso de máscara, que é obrigatório em São Paulo; higienização das mãos (com água e sabão ou álcool em gel); distanciamento social; e a vacinação contra Covid-19, respeitando-se o cronograma e os públicos-alvo vigentes, conforme estabelecido pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações) e pelo PEI (Plano Estadual de Imunização) do governo de São Paulo.
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