Família questiona se morte de paciente com Covid-19 tem ligação com apagão na Santa Casa de Ribeirão Preto

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Hospital nega relação entre falta de energia e a morte de André Luís Meloni, de 25 anos. Ministério Público investigará causas da pane elétrica que deixou a unidade desabastecida. MP investiga relação entre morte de paciente e apagão na Santa Casa de Ribeirão Preto
O Ministério Público (MP) vai investigar as causas da pane elétrica que deixou a Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) sem energia por quatro horas na madrugada de domingo (4), quando um jovem de 25 anos que estava em tratamento contra a Covid-19 morreu.
O pai do paciente, Marco André Meloni, acredita que o filho, André Luís, tenha morrido em decorrência da falta de energia. A Santa Casa, porém, diz que não há ligação e que os pacientes internados receberam atendimento durante a pane.
A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) informou o apagão foi provocado por falhas na rede interna do hospital e, por isso, não deslocou equipes até o local para reestabelecer a energia.
Santa Casa de Ribeirão Preto (SP)
EPTV/Reprodução/Arquivo
O promotor de Justiça Paulo José Freire Teotônio afirma que o MP vai pedir à Polícia Civil para instaurar um inquérito e investigar o que causou a pane na Santa Casa. Ele quer saber também se a falta de energia prejudicou o tratamento dos pacientes que estavam internados.
“Precisavam esclarecer para o público. Seria a primeira providência a ser tomada: dizer o que aconteceu, por que aconteceu. Um enfermeiro informou à reportagem que precisaram fazer respiração manual, o que representa um risco de morte inimaginável para quem está internada”, diz.
Paulo José Freire Teotônio, promotor de Justiça em Ribeirão Preto (SP)
Aurélio Sal/EPTV/Arquivo
Hospitalização
Segundo Marco, André estava internado na Santa Casa em 18 de março e, cinco dias depois, precisou ser entubado. Era um quadro de reinfecção pelo, pois o jovem já tinha sido infectado e tratado em dezembro.
O pai relata que esteve na Santa Casa na sexta-feira (2) para se informar sobre o estado de saúde do filho. Ele afirma que o hospital não o atendeu até sábado (3), quando um funcionário disse por telefone que, apesar de André ter tido uma queda na saturação, havia chances de melhora.
“Disseram que a infecção estava controlada, rins funcionando normal, batimentos cardíacos normais e que, inclusive, poderia ser que em um ou dois dias ele saía da ala Covid, porque não tinha mais Covid. O que ele precisava era de cuidado no sistema pulmonar, porque ficou sequelas”, conta.
André Luís Meloni morreu aos 25 anos em tratamento contra a Covid-19 na Santa Casa de Ribeirão Preto (SP)
EPTV/Reprodução
O pai relembra que, às 6h20 de domingo, recebeu um telefonema da Santa Casa, pedindo que ele fosse até o hospital, onde foi recebido por dois médicos e uma psicóloga que informaram que o filho havia morrido após ter tido uma parada cardíaca.
“Foi um choque, porque no sábado eu estava tão animado”, diz. “Meu filho estava lutando muito e eu tinha certeza, principalmente conversando com os médicos, que ele ia sair dessa, porque o pior tinha passado.”
Pai de paciente que morreu na Santa Casa de Ribeirão Preto (SP), Marco André Meloni acredita que óbito tem relação com a pane elétrica que deixou o hospital sem energia
EPTV/Reprodução
Pane elétrica
Marco diz que a suspeita de que a morte tenha relação com a falta de energia surgiu na segunda-feira (5), após a família ter assistido a reportagens na televisão sobre a pane elétrica na Santa Casa.
As reportagens exibiram um áudio de uma funcionária com relato do que havia ocorrido no hospital. Segundo ela, a pane começou por volta das 2h, após a equipe ter ouvido um barulho de explosão seguido por uma fumaça branca que tomou conta do prédio.
Ela relatou no áudio que, durante o apagão, houve tumulto entre os médicos e enfermeiros, que aferiam sinais vitais e tentavam cuidar dos pacientes com aparelhos que funcionassem por bateria, já que o tratamento estava sendo realizado por equipamentos ligados à energia elétrica.
“Você vê enfermeiro ajoelhando no chão e pedindo misericórdia, enfermeiro chorando, enfermeiro correndo, foi assim, assustador”, disse a funcionária em um áudio que enviou a uma amiga pelo celular.
Santa Casa de Ribeirão Preto (SP)
Divulgação
Caso de Justiça
O pai de André diz que contratou uma advogada para esclarecer o caso na Justiça. Ele conta que recebeu um telefonema anônimo de um funcionário do hospital dizendo que, apesar de não estar de plantão no momento da pane, soube por amigos que André tinha morrido por falta de respirador.
“Omissão não é legal. A gente sabe que os profissionais estão se dedicando muito. Eu vi isso e não estamos aqui para recriminar ninguém. Mas se o hospital não tem condições de manter uma UTI, por um gerador ou outro motivo, vamos tomar providências para não acontecer mais”, afirma.
A Santa Casa informou que investiga a causa da pane, mas frisou que a manutenção do sistema elétrico do prédio estava em dia.

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