Vereadores ‘invadem’ UPA Covid-19 para apurar denúncia de respiradores quebrados em Peruíbe, SP; VÍDEO

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Parlamentares transmitiram ação ao vivo pelas redes sociais. Profissionais da saúde acusaram dupla de invadir a área administrativa e causar alvoroço perto de pacientes intubados. Vereadores são acusados de invadir pronto-socorro para apurar denúncia
Dois vereadores invadiram uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Peruíbe, no litoral de São Paulo, para apurar a veracidade de uma denúncia sobre respiradores quebrados, na noite desta segunda-feira (5). A unidade de saúde funciona, atualmente, exclusivamente para atender pacientes com coronavírus. A prefeitura classificou o ato como “extrapolação dos limites da fiscalização”.
Os vereadores Bruno Chehade Pereira (PSDB) e Toni Matos (PODE) entraram na área administrativa da UPA por volta de 22h20, e transmitiram a ação ao vivo pelas redes sociais (veja trecho acima). Chehade, que é médico, atuou por quase três anos no pronto-socorro. Ele contou ao G1, que recebeu uma denúncia, que teria partido de funcionários da própria UPA, que dez dos 13 respiradores da unidade estavam quebrados.
Nos vídeos, é possível ver que os vereadores entraramm, sem autorização, em uma área restrita a funcionários da unidade. Eles perguntam aos profissionais da saúde que estão no local pelos respiradores. Porém, os funcionários dizem que não têm autorização para dar informações sobre os equipamentos da unidade.
Os profissionais, então, tentam fazer com que os dois parlamentares se retirem do local, afirmando que há pacientes internados em salas próximas àquela área. Eles também apontam que os vereadores precisam utilizar equipamentos de proteção individual (EPI) específicos, além das máscaras de proteção, item que os dois usavam naquele momento.
Vereadores entraram em área administrativa de pronto-socorro para apurar denúncia
Reprodução/Facebook
Confusão e gritaria
Os dois vereadores saíram da unidade de saúde e ficaram ao lado de fora, discutindo com os profissionais que atuam no pronto-socorro sobre a necessidade de checar se os respiradores estavam quebrados. Guardas municipais e a policiais militares foram acionados para acompanhar a situação.
Os vereadores decidem entrar novamente na unidade, ignorando os avisos de uma policial militar sobre a necessidade de permissão. Lá dentro, eles foram recebidos aos gritos por profissionais de saúde, que expulsam os vereadores mais uma vez. Uma das enfermeiras chegou a gritar no corredor da UPA dizendo que o vereador Bruno “falta com o respeito” e que “não respeita ninguém”.
Eles são retirados do local novamente e não conseguem acesso aos equipamentos. O vereador Bruno deixou o local somente às 2h. O vereador Toni Matos já havia saído para, segundo ele, ir à delegacia registrar um boletim de ocorrência pelo “impedimento de exercício de sua função”.
Vereadores
Procurado pelo G1, o vereador Bruno Chehade classificou a ação como “despreparo de todos”. Segundo ele, a denúncia apontou que, além dos supostos dez respiradores quebrados de um total de 13 equipamentos, estaria faltando medicação para sedar os pacientes.
“Como vereador, eu posso entrar em qualquer estabelecimento público, pois estou cumprindo meu papel como fiscal”, afirmou o parlamentar. “Além disso, sou médico também. Era só ter mostrado os respiradores funcionando”.
O vereador afirma que foi “obstruído em exercício” da função dele, que foi empurrado e teve o celular tomado de sua mão enquanto não estava gravando. Ele diz que levará a denúncia adiante por meio do Ministério Público.
O vereador Toni Matos afirma que é presidente da Comissão Especial de Estudos da Gestão da Saúde do Município. “O que me dá o poder de fiscalização legislativa de ação administrativa do Poder Executivo”, diz. Ele conta que já tentou, por meio de requerimento e ofícios, obter informações, mas os prazos para as respostas foram suspensos pela Câmara.
“Lembrando que não houve tumulto por parte dos vereadores membros da Comissão, mas sim por parte de alguns funcionários que impediam a entrada dos mesmos, inclusive, empurrando um dos vereadores contra a porta da entrada da emergência e pegando o celular da mão do vereador Bruno Chehade”, disse o parlamentar Matos ao G1.
Prefeitura
A Prefeitura de Peruíbe disse, por meio de nota, que uma das principais funções do Legislativo é a fiscalização e isso é respeitado plenamente pela administração municipal. O fato foi, na verdade, de extrapolação dos limites da fiscalização com transmissão ao vivo, exposição de pacientes e profissionais de saúde, falta de EPIs dos vereadores e equipes de assessores para entrada em unidade de saúde e, principalmente, em setor Covid.
Segundo a prefeitura, os vereadores, inclusive, incitaram a população a ir para a frente da unidade, trazendo verdadeiro risco a todos e caos no local. As medidas tomadas foram para preservar a todos e não para evitar a fiscalização.
A prefeitura diz que, até a semana passada, havia 11 respiradores funcionando na unidade. Não há histórico de pacientes não terem sido intubados por falta de respiradores. A administração informou que o prefeito Luiz Mauricio está pedindo uma perícia pela empresa, que faz manutenção para a prefeitura, em todos os equipamentos para demonstrar se estão ou não funcionando.
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