Motorista suspeito de atirar em homem durante discussão de trânsito em Mogi vai responder em liberdade

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Caso foi no último domingo (4) na Vila Oliveira. De acordo com a decisão, o administrador financeiro alegou legítima defesa e não terá a prisão em flagrante convertida em preventiva, conforme a Polícia Civil havia pedido. Homem é baleado na frente do filho de 5 meses durante briga de trânsito em Mogi das Cruzes
O administrador financeiro Iago Alvez de Oliveira, de 28 anos, suspeito de atirar no auxiliar de estoque Ricardo de Oliveira Penha Soares, de 25 durante uma discussão de trânsito no último domingo (4), em Mogi das Cruzes, vai responder em liberdade. A arma usada no crime está registrada no nome do investigado. Segundo a defesa dele, Iago Alvez de Oliveira, no dia do crime, Iago iria encontrar amigos para ir a um clube de tiros.
A decisão foi expedida nesta terça-feira (6) pelo juiz Gustavo Alexandre da Câmara Leal Bellluzzo. No documento, ele afirma que, apesar de registrado como tentativa de homicídio, após o ocorrido Iago “manteve-se calmo e sereno, saindo no veículo e mantendo-se no local e colaborando com as autoridades”.
O magistrado diz também que o administrador alegou ter agido em legítima defesa, pois “efetuou o disparo após ter sido agredido pela vítima, a qual teria tentado retirar sua arma das mãos”.
O advogado da vítima, Gustavo Arzabe, afirmou que Ricardo está em internado em uma situação delicada, mas que não pode divulgar detalhes. “A família da vítima ficou indignada com a decisão do juiz de plantão, que ao soltar o suspeito mandou também um péssimo recado à sociedade. Esperamos que ela seja revista pelo juiz que irá assumir a causa.”
O G1 tenta contato com o advogado do investigado.
Imagens
Nas imagens, é possível ver que o suspeito havia parado o carro quando Ricardo foi até sua janela (assista acima).
No dia da discussão, Iago foi preso em flagrante. Segundo o documento, foi pedida a conversão da prisão em preventiva, mas o juiz afirma que ele “possui bons antecedentes” e que não há nada que justifique a medida, “dado que nenhum risco a ordem publica o autuado demonstra oferecer”.
No entanto, foram aplicadas medidas cautelares. Até que seja julgado, Iago deverá se apresentar em juízo periodicamente; está proibido de deixar a comarca sem autorização; e deverá comparecer sempre que for intimado.
O G1 solicitou uma posição aos advogados do suspeito e da vítima sobre o caso.
O caso
Homem foi baleado durante discussão de trânsito em Mogi das Cruzes
Reprodução/TV Diário
Segundo informações da polícia, por volta das 19h, o auxiliar de estoque abordou o administrador financeiro no cruzamento das ruas Frederico Straube e Francisco Assis Monteiro de Castro, na Vila Oliveira.
O vídeo de uma câmera de monitoramento mostra que a vítima, Ricardo de Oliveira Penha Soares, desceu do veículo e foi até a janela do outro motorista, Iago Alves de Oliveira (assista acima).
Pouco tempo depois, a mulher da vítima se aproxima com o bebê no colo. Em meio à discussão e sem descer do carro, Iago dispara e a vítima cai. A mulher se desespera e o atirador, sem se aproximar da vítima, pega o celular e espera no local.
Ainda com o filho no colo, a esposa da vítima tentou estancar o sangue do marido com as mãos até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Um boletim de ocorrência por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil foi registrado na Central de Polícia Judiciária, onde o administrador estava preso.
A vítima foi levada para o Hospital Luzia de Pinho Melo onde foi internada e permanece em estado grave.
Arma
De acordo com a polícia, a pistola calibre 380, usada no momento da discussão, tem documentos e pertence ao suspeito.
Segundo o advogado da vítima, o suspeito tem certificado de registro de atirador esportivo. “Isso não significa que você possa andar armado. O atirador esportivo é a pessoa que pode ter a arma para ir para um estande de tiro, para ir para um clube de tiro e retornar para sua casa com ela. Mas isso não permite que ninguém ande durante finais de semana, durante a noite, com a arma como se fosse um porte”, explica.
O advogado de defesa, Odair Alves, foi questionado na segunda-feira (5) sobre o motivo de Iago estar portando a arma no momento da ocorrência. Segundo o advogado, o investigado iria se encontrar com amigos para ir para um clube de tiro em São Paulo.
“Porque ele ia para um clube em São Paulo, porque o único clube que está funcionando é em São Paulo. Os clubes aqui da região, por causa da pandemia, não estão funcionando. Então, no posto do Aruã, tinha mais três pessoas aguardando para irem para o clube de São Paulo”, disse o advogado de Iago.
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