Estado de SP chega ao 22º dia consecutivo com taxa de ocupação de leitos de UTI acima de 90%

6 de abril de 2021 0 Por
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Reflexos da fase emergencial demoram a chegar, de acordo com especialistas. Desde o início desta fase mais restritiva, no dia 15 de março, taxa de ocupação das UTIs subiu até atingir um nível recorde de 93,6% no dia 1º de abril. Depois, começou a cair; ao menos 555 pessoas morreram na fila de espera por um leito. Estado chega ao vigésimo segundo dia com taxa de ocupação de leitos acima dos 90%
O estado de São Paulo chegou ao 22º dia consecutivo com a taxa de ocupação de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) de pacientes com Covid-19 acima dos 90%.
Nesta terça-feira, tanto o estado de São Paulo quanto a Grande São Paulo tem 90% de ocupação de leitos de UTI. São mais de 29 mil pessoas internadas em todo o estado, sendo quase 13 mil em leitos de UTI.
O estado também bateu recorde de 1.389 mortes registradas em 24 horas em meio à fase emergencial. O esforço para conter a pandemia demora a ter reflexos, de acordo com especialistas.
Dona Maria das Graças chegou a São Paulo no início da década de 80. A cearense, que sempre batalhou contra as adversidades para criar a família, trava agora uma luta pela vida, de acordo com a filha dela Lilian Alves da Silva.
“Toda vez que eu adoeci, toda vez que eu tive um problema minha mãe estava lá. Me dói muito eu não pode fazer nada pela minha mãe, sabe?”
A filha conta que a Dona Maria aguardou por dois dias até conseguir um leito de UTI no Hospital Geral de São Mateus, onde está há 27 dias intubada. O problema – de acordo com a filha, que trabalha com enfermagem – é que ela não está recebendo o tratamento adequado.
“Apesar da baixa da sedação, minha mão não acordava. Se minha mãe não acordasse dali a três dias eles iam fazer uma tomografia para ver porque minha mãe não acordava. Essa tomografia demorou 7 dias para ser feita. Isso não existe, eu estou indignada, 7 dias pra descobrir que minha mãe está com um AVC leve?”
A família do Seu José não teve nem como reclamar do atendimento em uma terapia intensiva. O SP1 mostrou na última quinta o desabafo de uma sobrinha dele na porta do Hospital do Servidor Público Estadual.
“Meu tio está aqui no [hospital do] servidor público já há 14 dias intubado em uma enfermaria. Quando ele chegou aqui o quadro não era tão grave, mas prometeram que se agravasse levariam para a UTI. Agora que meu tio está ruim, entre a vida e a morte, eles falaram que não vão dar o leito para ele de UTI porque a prioridade são os mais novos. Eles determinaram que o meu tio por ter 77 anos de vida, ele pode ficar lá e morrer.”
Depois de 15 dias na enfermaria, o leito de UTI do Seu José veio por decisão judicial, mas já era tarde demais, como conta a neta dele, Luma Franco.
“O hospital entrou em contato com a gente pedindo para que levasse a documentação dele até o hospital. Nós fomos achando que era para um novo cadastro do leito de UTI. Só que chegando lá, eles avisaram sobre o óbito. Foi bem difícil porque eu sei a forma como tem que lidar com essa situação e estava ciente de que não estavam fazendo tudo que era possível por ele.”
Ele foi a sexta pessoa a morrer na capital esperando. Já são pelo menos 555 vítimas da mesma situação em todo o estado.
Desde o início da fase emergencial, no dia 15 de março, a taxa de ocupação das UTIs subiu até atingir um nível recorde de 93,6% no dia 1º de abril. Depois, começou a cair pouco a pouco.
Não é uma mudança súbita, de acordo com Márcio Bittencourt, epidemiologista e infectologista do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP).
“Normalmente a curva não tem uma quebra de tendência súbita onde você vê uma linha subindo e de repente ela está caindo. A curva vai desacelerando, pode ter um platô e depois começa uma queda gradual. A intensidade da queda pode inclusive ser uma indicação da eficácia das medidas. Mas isso aí normalmente leva mais de duas semanas para começar a ser percebida na transmissão e no número de casos, se a testagem for rápida. E vai demorar mais do q isso para a gente começar a perceber em internações e mais ainda em óbitos. São coisas que acontecem sequencialmente.”
O número de novas internações por dia também bateu recorde durante a fase emergencial. Em 26 de março, a média móvel estava em 3.399. Após o pico, o índice foi outro a entrar em leve queda.
O Leandro Pereira, de 36 anos, faz parte dessa cruel estatística. Mais uma história que o SP1 mostrou na semana passada. Nesse caso – felizmente – com um desfecho diferente.
Depois de dez dias de angústia no pronto-socorro da Vila das Mercês, ele conseguiu o leito de UTI na segunda-feira (5), de acordo com a mulher dele, Marília Gabriela Pereira.
“Eu recebi a ligação do PS que a vaga dele tinha saído e ele foi transferido imediatamente para o Hospital Geral de Guaianases. Em conversa com o médico que o acompanhou, ele foi muito sincero e categórico. Ele falou assim: agora, sim. Agora ele tem reais chances de sobreviver. De lutar pela vida dele. Ah foi uma alívio, eu estou muito esperançosa de que vai dar certo.”
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