Campinas encerra março com recorde de beneficiários do Bolsa Família em série histórica

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Dados indicam que 40.888 famílias foram contempladas em março, mês mais letal da pandemia. Benefício médio é de R$ 181,53, e 87% dos grupos têm mulheres como responsáveis familiares. Bolsa Família beneficia pessoas em vulnerabilidade social
Ministério do Desenvolvimento Social
O número de famílias de Campinas (SP) beneficiárias do programa Bolsa Família chegou a 40.888 em março, recorde desde o início da série histórica em janeiro de 2004. O levantamento da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc) mostra aumento de 27,9% desde o início da pandemia.
A piora da crise sanitária fez com que, entre fevereiro e o mês anterior, houvesse um acréscimo de 1.316 famílias neste grupo que recebe mensalmente um benefício médio de R$ 181,53. Março foi o mês mais letal da pandemia na metrópole e o governo destaca a transferência de R$ 7,4 milhões.
Em março de 2020, mês em que foi registrado o primeiro caso positivo da Covid-19 no município, o total verificado pela instituição ligada ao Ministério do Desenvolvimento Social à época era de 31.955. Além disso, o maior número anterior na série histórica era de 40.137, em abril do ano passado.
Antes da pandemia, 33.722 famílias eram beneficiárias em fevereiro de 2020. Veja gráfico.
A Senarc diz que a cobertura do programa contempla integralmente a estimativa de famílias pobres no município, calculada com base “nos dados mais atuais do Censo Demográfico”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com isso, o levantamento considera que 112,6 mil pessoas foram diretamente beneficiadas, o equivalente a 9% da população, e indica que pelo menos 32.659 famílias estariam em condição de extrema pobreza caso não fossem assistidas pelo programa.
Critérios
Para ser beneficiária do Bolsa Família, a família deve se enquadrar nos critérios que definem situações de pobreza e extrema pobreza, como renda mensal por pessoa de até R$ 89 ou renda mensal por pessoa de R$ 89,01 a R$178, desde que com crianças ou adolescentes de 0 a 17 anos na formação.
Perfil e análise
Entre as 40.888 famílias que receberam o Bolsa Família em março, destaca a secretaria, 87,1% delas têm mulheres como responsáveis familiares (RF).
“O programa prevê o pagamento dos benefícios financeiros preferencialmente à mulher, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da autonomia feminina tanto no espaço familiar como em suas comunidades”, diz o Senarc.
O economista da PUC-Campinas Roberto Brito de Carvalho diz que o recorde evidencia as dificuldades financeiras enfrentadas pela maioria das pessoas em meio à crise sanitária.
Para o especialista, o comportamento é influenciado pelo desemprego, a dificuldade para recolocação no mercado e a impossibilidade de buscar uma série de atividades neste momento por causa das medidas restritivas impostas pelo município e estado para reduzir a circulação do vírus e tentar evitar colapso da saúde.
“São condicionantes para que as famílias, em vulnerabilidade social, busquem uma forma para sobreviver. O auxílio emergencial demorou para sair, mas as pessoas estão com dificuldades há algum tempo”, avalia o professor.
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A Senarc destaca que os tipos e as quantidades de benefícios que cada família recebe “dependem da composição (número de pessoas, idades, presença de gestantes) e da renda da família beneficiária”.
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