Falta de informação sobre presos com Covid-19 em penitenicária preocupa famílias em Araraquara

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Unidade prisional passa por um surto da doença e 360 presos foram positivados. Diretor da penitenciária, Rodrigo Ronchi Redivo, diz que detentos estão recebendo tratamento adequado. Famílias de presos da penitenciária de Araraquara com Covid reclamam de falta de notícias
A falta de informação sobre os pacientes com Covid-19 na penitenciária de Araraquara (SP) e sobre a situação da doença no local tem preocupado as famílias dos detentos. Pelo menos um preso morreu em decorrência da doença.
A penitenciária masculina em Araraquara enfrenta um surto de Covid-19 entre os presos. Ao todo, momento, 360 detentos, dos 2.071 foram positivados e 244 ainda estão com a doença.
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Por medida de segurança, como forma de conter o avanço da Covid-19, as visitas presenciais foram suspensas e , em todo o estado de São Paulo estão sendo realizadas apenas visitas virtuais.
Falta de informações
Penintenciária sofre surto de Covid
Reprodução EPTV
As famílias dos detentos reclamam que não têm notícias de seus parentes.
“Não fui avisada pela penitenciária que o meu filho estava com Covid, não recebi nenhuma notícia da penitenciária, só fiquei sabendo por e-mail do meu filho”, disse uma mãe que não quis ser identificada.
A mulher de um detento afirmou que não sabe como como seu marido está sendo tratado.
“Eles precisam de banho de sol para ganhar alguma vitamina, eles não estão tendo banho de sol. Eu não sei se eles estão se cuidando certo porque a gente não tem informação, os e-mails estão demorando para chegar, os agentes falam que estão medindo temperatura três vezes por dia medindo a saturação, mas a gente não sabe se é verdade.”
Ela fica preocupada com a falta de infraestrutura da penitenciária.
“O apelo é para eles serem tratados como humano, levar no hospital se tiver ruim porque lá [na penitenciária] não tem estrutura nenhuma para eles que estão com Covid, se precisar de oxigênio não vai ter pra eles”, afirmou a mulher.
O diretor da penitenciária, Rodrigo Ronchi Redivo, garante que os detentos estão recebendo o tratamento adequado de dois médicos, dois enfermeiros, dois auxiliares de enfermagem e dois dentistas que, nesse momento, estão ajudando na pandemia.
O diretor da penitenciária de Araraquara, Rodrigo Ronchi Redivo, diz que detentos com Covid estão sendo tratados
Reprodução EPTV
Segundo o diretor, os presos com Covid estão isolados em celas individuais em uma ala da penitenciária até cumprir o período de quarentena. Ele disse ainda que não é possível ligar para todas as famílias para dar os resultados dos exames, mas que a situação está controlada.
“Nós já estamos saindo da pandemia. Dos 360 positivados, ainda estão em quarentena 244 e e vou ter alta de 125 presos”, afirmou.
Morte de detento
Um homem de 57 anos, detento da penitenciária morreu em 22 de março por Covid-19. O resultado positivo para a doença só foi detectado na realização do terceiro exame.
De acordo com a prefeitura de Araraquara, o preso deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Xavier um dia antes com falta de ar, mas o primeiro exame deu negativo para Covid-19.
O detento possuía comorbidades e permaneceu na UPA em observação e passou por mais dois exames, com resultado positivo somente no último.
O estado do paciente agravou e foi solicitado um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ele foi intubado, enquanto aguardava transferência, mas não resistiu e faleceu.
Surto de Covid-19
Os testes para a Covid-19 começaram a ser feitos na penintenciária de Araraquara em 28 de fevereiro, pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) em parceria com a Vigilância Epidemiológica de Araraquara.
Ao todo, 360 detentos foram positivados, o correspondente a 17,4% da população carcerária da unidade.
Amostras dos exames dos infectados foram enviadas para análise para identificar se existe a presença da variante brasileira nos presos. Segundo análises do Institudo de Medicina Tropical, veiculado à Universidade de São Paulo (IMT/USP), 93% das amostras apresentaram a variante P.1, indentifica primeiro em Manaus.
Funcionários
Segundo a SAP, todos os 132 funcionários da unidade foram testados e 6 positivaram para a doença.
Segundo o presidente do Sindicato dos Funcionarios do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), Fábio César Ferreira, as condições de trabalho dos agentes não são adequadas e, em todo estado, 70 profissionais já perderam a vida para a doença.
“O sindicato entrou com várias medidas judiciais para conseguir EPIs porque o estado paga somente a máscara descartável e não a N95”, afirmou.
A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou, por meio de nota, que foram distribuídas em todo estado mais de cinco milhões de máscaras para presos e funcionários, incluindo as N95/PFF2.
Na penitenciária de Araraquara esses modelos são utilizados, principalmente, pelos agentes, médicos e equipe de saúde que estão em contato os suspeitos da Covid-19.
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