Ao menos 11 pessoas com Covid-19 morrem na fila por leito de UTI em um dia; total no estado de SP ultrapassa 500

Compartilhar

Taxa de ocupação dos leitos de UTI para Covid-19 continua em torno de 92% tanto no estado, como na Grande São Paulo. 507 pessoas não resistiram à espera pelor leitos de UTI no estado de SP
Ao menos 11 pessoas com Covid-19 morreram nesta quinta-feira (1) à espera de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na Região Metropolitana de São Paulo.
Segundo o balanço feito pela produção do SP1 e pelo G1, 507 pessoas morreram até agora no estado de São Paulo enquanto aguardavam na fila por uma vaga.
Dessas, 236 mortes foram registradas em cidades do litoral e do interior. As outras 271 foram na região metropolitana.
Na quinta-feira, foram registradas mortes em:
Francisco Morato: 4
Diadema: 2
Guarulhos: 2
Franco da Rocha: 1
São Caetano do Sul: 1
Taboão da Serra: 1
O mês de abril começou com 709 pacientes com Covid-19 na fila por uma UTI na Região Metropolitana, sendo 400 na capital e 309 nas outras cidades.
Guarulhos
Em Guarulhos, foram 21 mortes à espera de leito de UTI até esta sexta-feira (2). A cidade possui 197 leitos de UTI.
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Paulista, que é referência na cidade, 25 pessoas estão internadas em estado grave nesta sexta-feira (2). Duas estavam em fila, mas uma delas conseguiu uma vaga de UTI nesta sexta.
A Prefeitura investiga as circunstâncias das mortes. Como a cidade nunca bateu 100% de ocupação de leitos, a Prefeitura quer saber se os pacientes morreram no trânsito antes de serem admitidas em alguma unidade de atendimento ou se estavam em estado muito grave.
O Seu Edson Aparecido Silva, de 59 anos, comemorou recentemente seu último aniversário ao lado da mulher, com quem viveu os último 40 anos. Há duas semanas, ele foi internado em Rio Grande da Serra no dia que descobriu que estava com Covid-19. Horas depois a dona Jacira também foi internada. O seu Edson morreu em cinco dias.
O filho deles, o vendedor Edson Filho, diz que a mãe ainda não sabe da morte do pai. Dona Jacira está sedada.
“No mesmo dia que eu enterrei meu pai, a gente fez uma cerimônia de 15 minutos com o caixão fechado porque não pode por conta da Covid, eu enterrei meu pai às 14h30, 15h. Vim para casa, tomei um banho e já tive que subir para a UPA, o hospital aqui da cidade, para receber o boletim médico da minha mãe, que não sabe de nada ainda. Ela está sedada esse tempo todo e só vai saber quando tiver bem para a gente dar a notícia, e vai ser pior do que enterrar meu pai.”
A dona Jacira ainda está em estado grave. Ela demorou 10 dias para conseguir uma vaga de UTI, que apareceu no Hospital Nardini, em Mauá.
“Ela foi internada numa quinta, na terça-feira ela foi intubada, já nessa terça o médico da UPA solicitou a vaga na UTI e ela aguardou por 10 dias essa vaga”, conta Edson.
A média móvel de internações no estado por Covid-19 atingiu o pico no dia 26 de março, com 3.399 novas internações. Dessas, 1.819 de foram em hospitais da região metropolitana. Desde então o número começou a cair, mas muito lentamente.
A taxa de ocupação dos leitos de UTI para Covid-19 continua em torno de 92% tanto no estado, como na Grande São Paulo. Para especialistas, ainda é um patamar muito preocupante.
“Uma UTI, ou pelo menos um grupo de UTIs como no estado de São Paulo, com taxa de ocupação média de 92%, tecnicamente isso significa que as UTIs estão lotadas porque o giro desses pacientes é muito difícil. E eu tenho uma preocupação se essa informação de que o número de admissões caiu é mais por conta de falta de leitos e não por redução de demanda”, diz Ederlon Rezende, chefe da UTI de adultos do Hospital do servidor estadual.
“Uma maneira fácil de ter essa comprovação é se você olhar para a fila. A fila está diminuindo? A fila no estado de São Paulo será que diminuiu ao longo dos últimos dias? Nesse momento essa é uma informação muito mais importante do que a taxa de ocupação das UTIs.”
Na semana passada, o SP1 mostrou a luta da família da dona Deusira por um leito de UTI. Ela ficou esperando oito dias na Upa do Campo Limpo, na Zona Sul, mas morreu antes de conseguir a vaga, de acordo com a sobrinha dela, a bióloga Eliane Maria da Cruz de Oliveira.
“Eu de dia e de noite eu atrás dessa UTI, e o sentimento que dá é que nós estamos jogados. A minha tia, ela foi uma, mas tem muitos jogados. Muitos que estão aí a mercê e sabemos que tem pessoas que poderiam mudar a situação. A falta de UTI para mim é revoltante, é falta de humanidade.”
Para Rezende, o pior cenário é o dos pacientes ficarem na fila aguardando uma vaga de UTI.
“Tem pacientes que inicialmente seriam pacientes com boa perspectiva de recuperação e essa demora para admissão na UTI pode comprometer totalmente a chance desse paciente, e ele até deixa de ser um paciente com possibilidade de benefício com a ida para a UTI. Isso é muito cruel.”
VÍDEOS: saiba tudo sobre São Paulo e região metropolitana

Compartilhar

Deixe uma resposta