Unicamp decide aplicar cotas étnico-raciais em concursos para servidores técnico-administrativos

1 de abril de 2021 0 Por
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Universidade vai reservar 20% de vagas, em relação ao total de convocados por função, para autodeclarados pretos e pardos. Instituição tem 7,1 mil servidores, 22% deles com este perfil. Uma das entradas do campus da Unicamp em Campinas
Antoninho Perri / Unicamp
A Unicamp vai aplicar cotas étnico-raciais nos próximos concursos e processos seletivos para contratação de servidores técnico-administrativos. Segundo a universidade, serão reservadas 20% das vagas, em relação ao total de convocados por função, para autodeclarados pretos e pardos que buscam ingressar na carreira de profissionais de apoio ao ensino, pesquisa e extensão (Paepe).
A medida aprovada terça-feira (30) pelo Conselho Universitário (Consu), órgão máximo de deliberação, terá validade após publicação no Diário Oficial do estado. Por enquanto, ainda não existe medida semelhante definida para contratações de professores, segundo a assessoria da universidade.
“A decisão visa reduzir as desigualdades no acesso de candidatos negros ao quadro de funcionários da universidade”, diz nota. Como a reserva de vagas não incide sobre o total de vagas do edital, a Unicamp garante que, se o concurso oferecer somente uma vaga e eventualmente chamar mais aprovados no período de vigência do edital, não haverá prejuízos aos beneficiários das cotas.
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De acordo com a universidade, os candidatos pré-aprovados que optarem por cotas serão avaliados por comissão de averiguação, e concorrem às vagas de ampla concorrência de forma simultânea.
Perfil na Unicamp
Atualmente a Unicamp tem 7,1 mil servidores técnico-administrativos, dos quais 22% são autodeclarados pretos e pardos, segundo estudos realizados por um grupo de trabalho que foi definido pela reitoria em janeiro. Atualmente, contudo, este perfil representa 40,4% da população paulista.
O grupo de trabalho também constatou que a presença é menor conforme o nível de formação é mais elevado. Segundo a Unicamp, eles são 45% dos funcionários em carreiras de nível fundamental, 27% nos cargos de nível médio, e 13% em postos de nível superior. Além disso, a universidade reconhece que “é mais baixa a participação de servidores negros nas funções de maior remuneração”.
Em nota publicada no site institucional, o pró-reitor de Planejamento Universitário e coordenador do grupo, Francisco de Assis Magalhães Gomes Neto, destaca o “primeiro passo no reconhecimento de que é necessário aumentar essa participação, principalmente em algumas funções”.
Avanços no ensino
A Unicamp aplica cotas no vestibular desde a edição 2019, ano em que também foi realizado o primeiro vestibular indígena. Além disso, ela oferece bônus a candidatos do vestibular oriundos de escolas públicas desde 2004, por meio do Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais)
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