Prefeitura de SP muda protocolo para pacientes com Covid; UBSs devem pedir exames, ligar todo dia e fornecer oxímetros

1 de abril de 2021 0 Por
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Entidades médicas temem que a ida mais frequente de pacientes para acompanhamento gere aglomeração nas Unidades Básicas de Saúde. Secretaria afirma que novo fluxo não deve sobrecarregar postos porque procedimentos eletivos foram suspensos. Entidades médicas questionam mudança no atendimento nas UBS
A Prefeitura de São Paulo implementou na última sexta-feira (26) um novo fluxo de atendimento para pacientes com Covid-19 nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade. O protocolo prevê um acompanhamento mais frequente de pacientes com sintomas respiratórios que procuram os postos de saúde.
A mudança, segundo a prefeitura, foi motivada pelo “impacto das novas variantes do coronavírus na situação epidemiológica do município”.
No entanto, entidades médicas se posicionaram contra a mudança, e disseram que o novo modelo pode gerar aglomerações desnecessárias.
O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e a Associação Paulista de Medicina de Família (APMFC) solicitaram “que as diretrizes sejam reformuladas a partir de amplo debate com participação dos trabalhadores da saúde e gestores das unidades”, e fizeram um abaixo-assinado pela alteração neste fluxo de atendimento.
O novo protocolo o prevê que o paciente com sintomas respiratórios que procura uma UBS deve fazer o teste RT-PCR e também exames de sangue, nos terceiro e sexto dia de sintomas. Se o paciente for de grupo de risco, uma nova bateria de exames deve ser feita no décimo dia.
Se o paciente não retornar, o protocolo prevê a busca ativa – ou seja, os profissionais devem entrar em contato ou fazer uma visita domiciliar.
Com uma boa evolução do quadro clínico, a alta será dada no 14º dia desde o início dos sintomas. Durante todos os 14 dias, a UBS deve manter contato telefônico diário com todos os pacientes.
Se o quadro piorar, a UBS deverá fornecer um oxímetro para o paciente monitorar em casa a saturação de oxigênio diariamente, ou encaminha-lo para alguma unidade de saúde preparada para tratar casos mais graves.
Protocolo contra Covid-19
As unidades básicas de saúde são a porta de entrada dos pacientes para a rede de atendimento. Com a Covid 19, a estrutura que já tinha dificuldades para atender toda a demanda, ficou mais sobrecarregada.
Por conta disso, as entidades médicas temem que a vinda mais frequente de pacientes para acompanhamento próximo dos sintomas da Covid-19 gere aglomeração nas unidades.
“Hoje a gente não faz essa coleta de exames na atenção básica. Os pacientes que têm algum agravamento de casos em se dirigindo para as unidades de pronto atendimento, pra hospitais, eles fazem esses exames laboratoriais lá, até porque nossa capacidade de coleta de exames laboratoriais de coleta na rede de atenção básica é muito restrita em determinados horários. A gente não faz coleta o dia inteiro, a gente não funciona 24 horas, esses exames demoram um determinado tempo pra chegar, então não faz muito sentido a gente colher exames q seriam exames típicos de emergência”, disse Denize Ornelas, médica e diretora de comunicação da APMFC.
A médica da Associação Paulista de Medicina de Família disse ainda que os exames de sangue também não são garantia de que os casos graves sejam detectados precocemente. Em relação ao fornecimento de oxímetros, a médica destaca que o protocolo seria o ideal, mas que na maioria das unidades não há equipamentos para emprestar aos pacientes.
“Desde o começo da pandemia a gente tem colocado a importância desse instrumento de trabalho. Na maior parte das unidades a gente tem uma unidade, no máximo duas unidades as vezes até pra cinco ou seis equipes de saúde da família.
A secretaria rebateu as reclamações dizendo que não há risco de sobrecarga, porque diversos procedimentos eletivos foram suspensos.
“Todo PCT colhido do paciente covid positivo se faz na UBS. Então o paciente Covid que dá entrada pela USB já era monitorado, nos só mudamos a maneira do protocolo pra que ele atenda melhor essa nova cepa. As UBSs têm contratos laboratoriais, médicos, enfermeiros que dão apoio”, disse Sandra Sabino, secretária executiva da atenção básica da secretaria municipal da Saúde de SP.
“Nós temos toda estrutura pra aplicar esse protocolo, e temos também os nossos parceiros que nos ajudam no gerenciamento dessas unidades e que já estão adquirindo os oxímetros pra que a gente possa monitorar esse paciente mais de perto no seu domicilio e evitar o agravamento da doença”, completou.
Em relação à falta de oxímetro nas unidades, a secretaria executiva de atenção básica da capital disse que é um aparelho que custa pouco e que as organizações sociais têm condições de comprar em quantidade suficiente.

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