Comerciante conhecido por aprender sozinho seis idiomas morre com Covid: ‘Um gênio’, diz filha

Compartilhar


Segundo a família, Aparecido Donizeti da Silva, o Cido Poliglota, sentiu sintomas gripais e formigamento em partes do corpo antes da internação. Morador ficou conhecido por aprender idiomas com música, livro e dicionários. Cido ficou conhecido por aprender vários idiomas em Jarinu
Reprodução/TV TEM
O morador de Jarinu (SP) Aparecido Donizeti da Silva, conhecido na cidade como Cido Poliglota por aprender seis idiomas sozinho, morreu por Covid-19. O laudo que confirmou a doença foi emitido nesta quarta-feira (31).
Ao G1, a filha Shellen Grace da Silva contou que o pai estava em um hospital da cidade e morreu no dia 25 de março, aos 57 anos. Dias antes ele tinha sentido sintomas gripais e dores no corpo.
Atualmente, Cido trabalhava com uma oficina de eletrônicos e seguia os protocolos de saúde, segundo a família. O técnico deixava a casa para fazer compras e conseguir peças para os objetos que consertava.
“2020 foi um dos anos que mais estivemos em casa, mas não sabíamos que seria nosso último ano assim, pertinho um do outro. Quando ele ficou doente foi algo muito rápido”, lamentou.
A equipe médica havia informado à família que a situação do paciente poderia ter sido agravada por conta de uma síndrome de Guillain-Barré, que ocorre quando o sistema de defesa do corpo ataca os nervos periféricos, segundo especialistas.
Como ainda havia a suspeita de Covid-19, o corpo foi sepultado no cemitério municipal de Jarinu sem velório.
Segundo o boletim epidemiológico de quarta-feira (31), a cidade tem 1.482 casos confirmados e 42 mortes por Covid-19. Há 12 pacientes internados na cidade.
‘Gênio em casa’
Cido Poliglota morre por Covid-19, em Jarinua
Arquivo pessoal
Cido nasceu em Jundiaí e cresceu em Jarinu. Segundo a filha, desde criança o pai sintonizava estações de rádio estrangeiras, colecionava discos de vinil e livros de outros idiomas.
“Pensava: ‘um dia ainda eu vou entender o que eles estão falando’. Sempre que havia a oportunidade de entrar em contato com um estrangeiro, não hesitava tentava se comunicar, sem receio. Depois de adulto, quando entrou em contato com a internet, ele descobriu um mar de possibilidades”, lembra Shellen.
Conforme a família, entre os idiomas estavam inglês, francês, espanhol, italiano, alemão e japonês, o qual praticava com um antigo amigo da cidade. A história já foi contada pelo programa Revista de Sábado, da TV TEM, em 2014.
“Aventurou-se ainda no mandarim, holandês e grego. Foi algo extraordinário conviver com um gênio, porque tudo, em pequenos detalhes, era questão de aprendizado. Nossa casa sempre foi recheada de livros. Meu pai, meu conselheiro, amigo e homem exemplar”, completa.
Família do paciente de Jarinu
Arquivo pessoal
Veja mais notícias da região no G1 Sorocaba e Jundiaí

Compartilhar

Deixe uma resposta