Com aumento de 91% em 14 dias, estado de SP registra média diária de 890 mortes por Covid-19 nesta quinta-feira

1 de abril de 2021 0 Por
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Após três dias seguidos com registros diários acima de mil, estado também ultrapassou o total de 75 mil mortos desde o início da pandemia. Funcionário trabalha em abertura de novas covas no Cemitério da Vila Formosa, o maior da América Latina, na Zona Leste de São Paulo, nesta quinta-feira (1).
ROBERTO COSTA/ESTADÃO CONTEÚDO
No terceiro dia seguido com registro de mais de mil mortes por Covid-19 em 24 horas, o estado de São Paulo ultrapassou nesta quinta-feira (1) o total de 75 mil óbitos pela doença desde o início da pandemia.
Foram registradas 1.082 novas mortes em um dia, elevando o total no estado para 75.734. Se o estado de São Paulo fosse um país, estaria em 11º lugar em ranking mundial dos que possuem o maior número absoluto de óbitos pela doença.
Os registros diários não significam necessariamente que as mortes aconteceram de um dia para outro, mas sim que foram contabilizados no sistema neste período. Os valores costumam ser menores aos finais de semana, quando as equipes de saúde trabalham em esquema de plantão.
Já a média móvel de mortes considera os registros dos últimos sete dias. Como o cálculo leva em conta um período maior do que o registro diário, é possível medir de forma mais fidedigna a tendência da pandemia.
Nesta quinta, a média móvel diária de novos óbitos bateu novo recorde ao chegar a 890, quantidade 91% maior do que a registrada há 14 dias. Durante o primeiro pico da doença, em 2020, os maiores valores de média móvel de mortes não passavam de 280 por dia.
Há 31 dias seguidos o número de novas mortes por Covid-19 está em forte tendência de alta no estado de São Paulo.
A média móvel de novos casos confirmados também foi a maior já registrada desde o início da epidemia e ultrapassou pela primeira vez o valor de 17 mil. Foram 17.933 novos casos em média nesta terça, valor 25% maior que o de 14 dias.
Pressão no sistema de saúde
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Com mais de 31 mil pacientes internados com suspeita ou confirmação de Covid-19 em toda a rede pública e privada, o estado também enfrenta pressão intensa no sistema de saúde.
Segundo o último balanço da Secretaria Estadual da Saúde, divulgado na quarta-feira (31), havia 31.175 internados, sendo 12.961 pacientes em leitos de UTI e 18.214 em enfermaria.
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As taxas de ocupação dos leitos de UTI eram de 89,9% no estado e de 88,5% na Grande São Paulo.
Segundo levantamento realizado pela TV Globo e pelo G1, quase 500 pessoas já morreram na fila por um leito de UTI no estado.
Março foi o mês mais letal
O mês de março foi o mais letal de toda a pandemia no estado de São Paulo, com quase o dobro do número de óbitos registrados em julho de 2020.
Foram 15.159 novas vítimas em março, que no dia 23 já havia se tornado o mês com o maior número de mortes. O recorde mensal anterior, de julho do ano passado, era de 8.234 mil óbitos.
Cemitérios no limite
A escalada de mortes em março também impactou o Serviço Funerário da capital paulista, que tomou medidas que não tinham sido usadas nem no pico de 2020.
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Nesta terça-feira (30), o número de enterrados em um dia na capital paulista bateu recorde: foram 419. Esse número nunca havia passado de 400.
Até o dia 30 de março, foram feitas cerimônias para 9.350 pessoas nos cemitérios públicos, particulares e crematórios de São Paulo, o que representa um aumento de 56% em relação ao mês anterior, que é mais curto.
Fevereiro, que teve 28 dias, registrou 5.964 sepultamentos. Ainda assim, nos meses anteriores, a média mensal de enterros ficou por volta de 6.000.
Com o aumento dos enterros, a gestão municipal estendeu os horários dos sepultamentos em quatro cemitérios: Vila Formosa e Vila Alpina, ambos na Zona Leste; o São Luiz, na Zona Sul; e o Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte. Os enterros que antes eram realizados das 7h às 18h agora ocorrem das 7h às 22h.
O Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, segundo maior de São Paulo, suspendeu novos enterros após o aumento de mortos pelo coronavírus.
Além disso, o Serviço Funerário, que contava com 45 veículos que faziam o transporte de corpos, ampliou a frota e contratou 50 vans particulares. Alguns desses veículos eram usados no transporte escolar.
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