Cidade de SP tem taxa de letalidade por Covid-19 maior que a do estado; a de Guarulhos é quase o dobro

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Das 39 cidades da Grande São Paulo, 33 têm taxa de letalidade acima da média estadual, de 3%. A taxa de letalidade da Covid-19 no estado é maior do que a média do Brasil e acima também da média mundial. Letalidade da Covid-19 preocupa médicos
A capital paulista tem taxa de letalidade de Covid-19 de 3,6%, maior do que a taxa do estado de São Paulo, que é de 3%. Guarulhos, na região metropolitana, tem quase o dobro, 5,9%. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde.
Das 39 cidades da Grande São Paulo, 33 têm taxa de letalidade acima da média estadual, como nas cidades da região de Mogi das Cruzes.
A taxa de letalidade da Covid-19 no estado é maior do que a média do Brasil e acima também da média mundial.
Dados da Secretaria Estadual da Saúde de letalidade:
A taxa de letalidade da Covid-19 no estado é de 3%;
A de Guarulhos é quase o dobro: 5,9%;
Em Itapecerica da Serra, é de 5,3%;
Em Osasco, é de 5%;
Em Diadema, de 3,9%;
Na capital paulista, de 3,6%.
A longa espera por cuidados de terapia intensiva é apontada pelo médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) Álvaro Furtado Costa como a principal causa da alta taxa de letalidade dos pacientes no estado.
“Onde as pessoas esperam dias e às vezes uma semana para conseguir uma vaga em pronto-socorro ou locais que não têm estrutura para prestar atendimento a paciente crítico, o prognóstico diminui. Então a questão do óbito, de conseguir poupar esse paciente de um desfecho grave, isso fica muito comprometido dentro de uma assistência totalmente exaurida de recursos, de leitos, e até a discussão de medicamentos. Daqui um tempo, a gente vai ter que lembrar sobre medicamentos dentro de UTI, isso pode faltar, isso diminui a qualidade do atendimento e colabora para esse coeficiente de letalidade”, afirma.
700 esperam leito
Mais de 700 pacientes com Covid-19 aguardam por um leito de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) na região metropolitana de São Paulo, de acordo com dados divulgados pela Prefeitura da capital nesta quarta-feira (31).
São 382 pessoas esperando leitos na capital e 322 nas demais cidades da Grande São Paulo, total de 704 pessoas.
Nesta quarta-feira (31), o Hospital das Clínicas anunciou que vai abrir mais 163 leitos para atendimento de casos graves da Covid-19 no Instituto Central e no Hospital Auxiliar de Suzano, na Grande São Paulo.
Ao todo, são 68 vagas de UTI. O Hospital das Clínicas buscou mais de R$ 5 milhões no setor privado para abrir e operar esses leitos. Assim, será possível contratar, por exemplo, 386 fisioterapeutas, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Pela quinta vez no mês de março, o estado de São Paulo registrou mais de mil mortes em 24 horas. Já são 74.652 pessoas mortas desde o início da pandemia.
Morte à espera de leitos
Um levantamento da produção do SP1 mostra que, em março, ao menos 248 pessoas morreram na fila de espera por um leito de UTI na Grande São Paulo.
No começo do mês, a reportagem do SP1 conversou com o David Henrique Silva do Nascimento, em Franco da Rocha. O companheiro dele, Luiz Cláudio, precisava de terapia intensiva.
Foram sete dias de espera até a transferência para um hospital, mas a condição dele já tinha se agravado. Luiz Cláudio morreu aos 50 anos.
“A gente se conheceu faz um bom tempo acho que a gente ia fazer 11 anos mais ou menos juntos né. Conheci ele, é uma pessoa de bom coração, sempre ajuda o próximo, nossa religião é o candomblé. Ele era pai de santo, sempre ajudou o próximo, amava o que fazia… Ele sempre me ajudou”, conta David.
“É uma pessoa que vai deixar muita saudade, é uma dor que eu não vou conseguir esquecer ele porque hoje eu sou o que sou porque ele me ensinou, não sabia nem andar em São Paulo, não sabia fazer uma entrevista, foi tudo ele que me ensinou, eu amo ele. Não vou falar que eu amava, eu ainda amo e vai ser assim eternamente.”
Após quase um mês do endurecimento das regras de quarentena, a taxa de ocupação de UTI continua acima dos 90%. Para quem trabalha na primeira frente, como o infectologista Álvaro Costa, ver esse cenário de caos é extremamente frustrante.
“Quando eu continuo vendo, mesmo nesse caos epidemiológico, pessoas fazendo eventos, festas e aglomerações… A gente olhando isso, como profissional de saúde, é tristeza. A sensação de impotência muito grande e isso porque temos um ano falando as mesmas coisas, repetindo todos os dias sobre máscara, distanciamento, sobre o dano desses eventos, de lugares fechados onde as pessoas ficaram horas sem máscara e fatalmente é disparado uma cadeia de transmissão onde vai paras casas dessas pessoas, passam para outras pessoas e essas pessoas vão bater na porta do ponto- socorro onde a porta está fechada, onde não entra, ou entra e fica ali na beirada com oxigênio esperando alguém morrer ou esperando ter um leito disponível”, desabafa.
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