Butantan investiga se variante do coronavírus semelhante à sul-africana identificada no interior de SP pode ser evolução da P.1

31 de março de 2021 0 Por
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Instituto afirma que variante encontrada em Sorocaba é parecida com a da África do Sul, mas, como paciente não tem histórico de viagem, pode ser também uma nova cepa do vírus. Variante P.1 foi identificada pela primeira vez em Manaus. Mutação do coronavírus
JN
O governo de São Paulo e o Instituto Butantan anunciaram nesta sexta-feira (31) que investigam uma variante do coronavírus identificada em Sorocaba, no interior do estado.
O diretor do Butantan, Dimas Covas, disse que o vírus encontrado é similar à variante sul-africana (501Y.V2). No entanto, como a paciente não tem histórico de viagem, o instituto ainda avalia a possibilidade de se tratar de uma nova cepa do vírus, possivelmente derivada da variante P.1, identificada pela primeira vez em Manaus e conhecida como variante brasileira.
O coordenador do Centro de Contingência contra a Covid-19 de SP, o médico Paulo Menezes, chegou a afirmar que se trata de um caso confirmado da variante sul-africana. Entretanto, o diretor do Butantan alegou que, após análise genética do vírus, foi concluído que a variante identificada é “assemelhada à da África do Sul”.
Dimas Covas disse ainda que é possível que o vírus seja uma “evolução da nossa P.1 em direção à mutação da África do Sul”.
“Ontem nós terminamos a análise do material genético da rede de laboratórios do Butantan e universitários que estão fazendo esse trabalho e em Sorocaba foi identificada uma variante. Foi submetido inclusive o trabalho descrevendo essa variante. É uma variante assemelhada à variante da África do Sul, embora não haja histórico de viagem ou contato com viajantes”, disse Dimas Covas em entrevista a jornalistas nesta sexta.
“Portanto, também existe a possibilidade de que seja já uma evolução da nossa P.1 [variante originária de Manaus] em direção à essa nova mutação da África do Sul”, completou.
De acordo com o Ministério da Saúde, não foi identificado nenhum caso da variante sul-africana em solo brasileiro até o dia 23 de março. Levando em consideração o boletim epidemiológico publicado pela pasta nesta data, o caso de Sorocaba poderia ser, portanto, o primeiro desta cepa no Brasil.
O Ministério da Saúde ainda não respondeu se foi oficialmente notificado sobre o caso de Sorocaba.
Caso de Sorocaba
Cepa do coronavírus é investigada em Sorocaba
A cepa que está em investigação foi identificada em uma mulher de 34 anos, em um hospital de Sorocaba. Não há confirmação, no entanto, de que ela seja moradora da cidade.
A paciente relatou sintomas leves, e teve uma evolução clínica favorável.
De acordo com Dimas Covas, não houve histórico de viagem ao país africano ou contato com viajantes.
Vacina de Oxford e variante sul-africana
Estudo preliminar aponta pouca eficiência da vacina de Oxford contra variante sul-africana
A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca teve eficácia reduzida na proteção para casos leves e moderados da variante sul-africana do coronavírus, segundo um estudo preliminar publicado em fevereiro.
Por conta disso, o governo da África do Sul decidiu suspender o uso da vacina AstraZeneca em seu programa de imunizações, no início de fevereiro. Mais tarde, no dia 16 daquele mês, o governo sul-africana ofereceu vender cerca de 1 milhão de doses da vacina contra a Covid-19 – estocadas e que não serão usadas – para países da região.
Presidente da SBI: Demora na vacinação e novas variantes põem em dúvida o alcance da imunidade de rebanho

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