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PF indicia Kassab por caixa 2 eleitoral, lavagem de dinheiro e corrupção por pagamentos da J&F

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Em acordo homologado pelo STF, delatores disseram ter repassado R$ 58 milhões ao ex-prefeito de SP durante 6 anos. Na investigação, Kassab disse que ‘não há nada’ que comprometa sua moralidade e que está à disposição da Justiça. Gilberto Kassab (em foto de 2019), é indiciado pela PF por supostos pagamentos não contabilizados feitos pela J&F
Arthur Menicucci/G1
A Polícia Federal indiciou nesta segunda-feira (22) o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral (caixa 2), lavagem de dinheiro e corrupção e associação criminosa a partir de uma delação premiada de executivos da J&F e relacionados a despesas não contabilizadas em campanhas eleitorais.
O G1 pediu a posição da assessoria de imprensa de Kassab e aguarda retorno. Durante investigação, Kassab disse à imprensa que “não há nada” que comprometa sua moralidade e sua imagem e que está à disposição da Justiça e do Ministério Público para esclarecimentos (leia mais abaixo).
O inquérito contra Kassab, atual presidente nacional do PSD, era conduzido por integrantes da PF na chamada “Lava Jato Eleitoral” – grupo formado por policiais federais e promotores eleitorais paulistas a partir de delações feitas pela extinta força-tarefa de Curitiba. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu mandar para as justiças eleitorais casos de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados a caixas 2 de campanhas.
As principais provas contra Kassab vieram da colaboração premiada de executivos do Grupo J&F, holding que controla algumas das maiores empresas do país, como a JBS, o Banco Original e a Eldorado Celulose, feitas no âmbito da Lava Jato.
Em acordo homologado pelo STF, em 2017, os colaboradores Wesley Batista e Ricardo Saud disseram ter repassado R$ 58 milhões a Kassab.
Desse total, R$ 30 milhões se referem a um pagamento mensal de R$ 350 mil que os executivos do grupo dizem ter feito a Kassab entre 2010 e 2016.
O objetivo da “mesada”, segundo os delatores, era contar com o poder de influência de Kassab, então ministro da Ciência e Tecnologia do governo Michel Temer, em “eventual demanda futura de interesse da J&F”.
Os outros R$ 28 milhões teriam sido pagos ao diretório Nacional do PSD, na época presidido por Kassab.
Como contrapartida, sempre de acordo com os delatores, a legenda teria apoiado o PT na disputa nacional de 2014.
PF faz operação no apartamento do ministro Gilberto Kassab em São Paulo
A PF chegou a fazer buscas na casa de Kassab em São Paulo, em dezembro de 2018, quando o inquérito ainda estava no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, foram encontrados R$ 300 mil em dinheiro no apartamento do ex-prefeito de São Paulo. Na ocasião, Kassab disse que “não há nada que macule” sua imagem e que “os valores possuem comprovação de origem e cumprem todos os requisitos legais”.
“Ao longo de todos esses anos de vida pública não há nada que me comprometa no campo da imoralidade. Estou tranquilo porque sempre respeitei os princípios da ética. Estou à disposição do Ministério Público e do Poder Judiciário. Não há nada que macule minha imagem”, disse ele ao G1 na época.
A pedido da Lava Jato Eleitoral, o ministro autorizou o compartilhamento de provas com os investigadores da Lava Jato Eleitoral.
Com o inquérito policial concluído, o Ministério Público tem três opções: pode novas diligências, o arquivamento do caso ou oferecer denúncia (acusação formal à justiça) contra Gilberto Kassab.
Kassab foi nomeado secretário da Casa Civil do governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), em 2018, mas se afastou do governo durante as investigações da PF.

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