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Bolsonaro foi eleito com discurso liberal, mas faz ‘intervencionismo desnecessário’, diz Doria após intervenção na Petrobras

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Segundo o governador de SP, Bolsonaro e o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, usam a Petrobras para seguir “regras populistas ou regras de interesse eleitoral ou de ordem política”. Papéis da estatal têm forte queda com troca no comando da petroleira e temores de intervenção do governo na política de preços de combustíveis. Governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), concede entrevista coletiva na sede do Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 01 de janeiro de 2021, para detalhar medidas contra a pandemia de coronavírus
MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou nesta segunda-feira (22) a troca de comando na Petrobras, promovida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que decidiu indicar o general Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional, como novo presidente da empresa.
Doria chamou a ação de “intervencionismo desnecessário e condenável” e disse que Bolsonaro e o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, contrariam o discurso liberal que os elegeram em 2018 e usam a Petrobras para seguir “regras populistas ou regras de interesse eleitoral ou de ordem política”.
“Um intervencionismo desnecessário e condenável na Petrobras. O presidente Jair Bolsonaro se elegeu com um discurso liberal, com um discurso não intervencionista, aliás, discurso que foi praticado também pelo seu ministro da Fazenda. Mas foi só discurso. Na prática, o que ele está fazendo é intervenções sucessivas na economia, no mercado e na principal estatal brasileira, que é a Petrobras. Lamento muito que o presidente Bolsonaro mais uma vez tenha confrontado o discurso que o elegeu com a prática que ele se mantém no poder”, afirmou o governador de SP.
Doria criticou ainda o resultado que a intervenção teve na bolsa de valores em São Paulo.
“A reação está aí, na Bolsa de Valores, na B3 em SP: uma queda acentuadíssima no valor da Petrobras. Queda também nas ações internacionais nas ações da Petrobras na bolsa de Nova Iorque. Queda na credibilidade ainda maior do Brasil porque desrespeita o princípio básico que é seguir o mercado, que as empresas cotadas no mercado sigam regras de mercado e não regras populistas ou regras de interesse eleitoral ou de ordem política”, completou Doria.
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Reação do mercado
Por conta da mudança na empresa, a bolsa de valores brasileira, a B3, opera em forte queda nesta segunda-feira (22), após o presidente Jair Bolsonaro ter anunciado na noite de sexta-feira a indicação de um novo presidente-executivo para a Petrobras e com agentes financeiros enxergando aumento relevante de risco político no país, principalmente de ingerência governamental em estatais.
Às 14h38, o Ibovespa caía 3,54%, a 114.239 pontos, pressionado pelo tombo nas ações da Petrobras, que têm peso de 10,27% no índice. Mais cedo, o Ibovespa chegou a recuar mais de 5%. Veja mais cotações.
Perto do mesmo horário, as ações ordinárias (PETR3) derretiam 20,55%, a R$ 21,53, e as preferenciais (PETR4) tinham baixa de 20,23%, a R$ 21809.
A queda era similar na Bolsa de Nova York: na Nyse, as ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras recuavam 20,40% perto do mesmo horário.
Segundo levantamento da Economatica, com o tombo nas cotações, a Petrobras perdeu em poucas horas nesta segunda-feira mais de R$ 72 bilhões em valor de mercado. Na sexta-feira, a petroleira já tinha encolhido R$ 28 bilhões.
Os papéis da Eletrobras e do Banco do Brasil também eram negociados em forte queda: os primeiros caíam mais de 4%, enquanto as ações do banco desabavam 11,25%.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,64%, a 118.420 pontos, acumulando baixa de 0,84% na semana. Na parcial do mês até sexta, o índice acumulou avanço de 2,92%. No ano, a queda estava em 0,49%.
Cenário
As atenções dos investidores se voltam para a mudança no comando da Petrobras e temores de intervenção do governo federal na política de preços de combustíveis e na gestão de estatais.
Na noite de sexta-feira, Bolsonaro anunciou a indicação do general Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional, para a presidência da Petrobras, no lugar de Roberto Castello Branco, gerando muitas críticas. Para que a troca na presidência da Petrobras seja concretizada, a indicação ainda precisa do aval do Conselho de Administração da Petrobras, que tem reunião prevista para esta terça-feira (23).
No sábado, Bolsonaro disse que precisa “trocar as peças que porventura não estejam funcionando”. E que, “na semana que vem, teremos mais”, sem dar mais detalhes. Bolsonaro também disse no sábado que vai “meter o dedo na energia elétrica”, e que, “se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais”, destaca a Reuters.
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A decisão e Bolsonaro de trocar o comando da Petrobras repercutiu negativamente entre investidores, com vários analistas cortando a recomendação dos papéis, bem como reduzindo preços-alvo.
A XP Investimentos, por exemplo, cortou a recomendação para os papéis da Petrobras de “neutro” para “venda” no domingo, em relatório sob o título “Não há mais como defender”.
“As declarações recentes do presidente acendem um enorme sinal amarelo – senão vermelho ao cenário político local”, afirmou o estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, em comunicado a clientes.
Na cena doméstica, os investidores continuam de olho também nas discussões em torno de mais gastos com auxílio emergencial para a população vulnerável, em meio às preocupações com a saúde das contas públicas e rompimento do teto de gastos – considerado a âncora fiscal do país neste momento.
Pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda mostrou que os analistas do mercado elevaram a estimativa de inflação em 2021 para 3,82%, acima da meta central, que é de 3,75%. A expectativa para a taxa Selic no fim de 2020 subiu de 3,75% para 4% ao ano. Já a projeção para a alta do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021 foi reduzida de 3,43% para 3,29%.
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