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Entidades de Mogi fazem balanço de trabalhos sociais em ano de pandemia e celebram solidariedade na crise

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As organizações notaram aumento no número de até 300% nas doações e também maior adesão ao trabalho voluntário, mas projeto social focado na inserção de refugiados no mercado de trabalho sofreu com a alta do desemprego. Pessoas em comunhão para fazer o bem, mesmo com as dificuldades da pandemia
Marcela Siqueira/Motirõ
A importância dos projetos sociais de Mogi das Cruzes se tornou ainda mais evidente em meio à pandemia. Em 2020, as organizações precisaram se reinventar e encontrar novos meios para dar continuidade às ações que são feitas todos os anos.
Algumas delas viram a solidariedade crescer e inventaram novas formas de receber ajuda. Já um trabalho para inserir refugiados no mercado de trabalho, encontra dificuldades no cenário da crise do desemprego.
A idealizadora do projeto Motirõ, Marcela Siqueira, afirma que as pessoas demonstraram um certo receio em comparecer aos pontos de doação por causa da Covid-19.
“A palavra motirõ vem do tupi-guarani e significa ‘pessoas em comunhão para fazer o bem’. O nosso foco é a inserção das pessoas em situação de vulnerabilidade social em nosso meio, para que elas possam ser ouvidas e vistas como nós somos. Então, a partir do momento em que não podíamos mais colocar voluntários na rua, não podíamos mais contar com o pedido de doações 100% presencial e humanizado, ficou bem mais difícil”, informa.
Então, juntamente a outras ONGs da região, a publicitária organizou uma ação de arrecadação em formato drive-thru, onde o contato com o público era mínimo, seguindo todos os protocolos de segurança.
“Por causa da pandemia, muitas pessoas também optaram por efetuar doações em dinheiro. Elas faziam a doação do valor da cesta básica e o projeto se responsabilizava pela compra”, diz.
Ação realizada pelo projeto Motirõ em 2020
Marcela Siqueira/Motirõ
Marcela conta que, mesmo com a crise econômica nacional, o projeto nunca teve um ano tão bom quando se fala em arrecadação.
“Foram aproximadamente 12 toneladas de alimentos, contando com a parceria de outros projetos também. Inclusive, um dos eventos que mais nos marcou este ano, durante os seis que fizemos, foi a cesta básica solidária em parceria com um supermercado. Foi transformador entrar no estoque do estabelecimento, ver sair 700 cestas básicas, olhar o tanto de voluntários que estavam ajudando e saber que conseguimos atender grande parte do Alto Tietê”, conclui.
Para o diretor do Instituto Sopa, André de Camargo Almeida, a arrecadação durante o ano de 2020 foi excepcional, com crescimento de 300%. Ele também notou um aumento no quadro de voluntários.
As ações do instituto são múltiplas, contando com distribuição de marmitas, mantimentos e roupas no distrito de Jundiapeba, no bairro Jardim Aeroporto e aos moradores de rua. Antes da pandemia, a organização também realizava festas nos locais atendidos, como Páscoa, Dia das Crianças e Natal.
No fim do ano, a organização realizou um evento extra, com outras cinco instituições, para a entrega de marmitas, kits de higiene, ração para os cachorros e panetone para 220 pessoas.
Almeida acredita que, mesmo em um ano tão difícil, tudo acontece a favor daqueles que estão unidos para gerar o bem. Ainda conta que, em 2020, a sua organização conseguiu realizar mais ações do que nos outros anos.
“Esses dias, na entrega de sopas aos moradores de rua, atendemos a todos e ainda sobraram três sopas. Passamos por todos os pontos costumeiros e, quando nos dirigíamos a nossas casas, surgiu o pensamento de que encerrar o trabalho com sopas sobrando não estava certo. Então fomos a um local que havíamos entregue uma vez para um senhor, que geralmente ficava sozinho. Ao chegar, nos deparamos com exatamente três senhores, que estavam com muita fome. Não poderíamos ir embora sem os servir, aquelas três sopas eram para eles”, conta.
Para este ano, o diretor pretende reformar a sede, além de estender os serviços da organização, oferecendo atendimentos como psicologia e assistência social.
Refúgio Brasil
Outro projeto Social de Mogi das Cruzes, chamado ‘Refúgio Brasil’, tem como finalidade reintegrar pessoas que estavam em situação de risco, vindas de regiões do mundo marcadas por conflitos ou catástrofes naturais, que precisam de moradia e de condições básicas de saúde.
A organização atua em três segmentos, sendo eles socorro, integração e consolidação do refugiado.
Ação da ONG Refúgio Brasil realizada durante o ano de 2020
Thiago Zezilia Schimith/Refúgio Brasil
Embora a organização tenha notado um crescimento no número de doações e voluntários, o encarregado de escritório e também voluntário Darwin Olmedo afirma que um dos principais focos do projeto – introduzir o refugiado no mercado de trabalho – foi o mais impactado durante a pandemia de Covid-19.
“Em 2019, tínhamos o curso presencial CPP (com aulas de português, profissionalização e cultura brasileira), destinado aos refugiados que precisavam de emprego. Tínhamos também parcerias com diversas empresas. Então, após a realização do curso, os refugiados já eram encaminhados para as vagas de trabalho. Mas no ano passado, por causa do vírus, tudo parou”, diz.
O voluntário ainda conta que durante o ano apareceram ainda mais refugiados que não conheciam a língua, nem a cultura e a estrutura do país, em busca de um emprego.
Inclusive, os refugiados que estavam trabalhando foram mandados embora na pandemia e procuraram novamente a ONG em busca de recolocação mas, com a falta de parcerias com empresas e centros profissionalizantes, o projeto ainda não conseguiu oferecer o devido suporte.
A Associação Refúgio Brasil foi fundada em 2016 e a maioria dos refugiados vem de países como Afeganistão, Iraque, Síria, Serra Leoa, República Democrática do Congo e Venezuela.
“Para 2021 já temos novos projetos e ideias e, por mais que não saibamos ainda como vai ser em relação à pandemia, pretendemos seguir com as doações e nos fortalecer quanto às vagas de emprego, conseguir novos parceiros e fortalecer ainda mais as parcerias que já temos”, completa Olmedo.
Para ajudar
Motirõ
Instagram (@acaomotiro);
Facebook (Motirõ);
www.acaomotiro.com.
Instituto SOPA
Instagram (@institutosopa);
Facebook (Instituto SOPA);
Refúgio Brasil
Instagram (@ongrefugiobrasil_);
Facebook (ONG Refúgio Brasil);
www.refugiobrasil.org.
* com supervisão de Fernanda Lourenço
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