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Sem poder sair de casa na pandemia, professor de 83 anos escreve à mão mais de 20 contos: ‘Exercitar a mente’

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Historiador de Itapetininga (SP) escreveu mais de 20 contos infantis que levam ao mundo da fantasia entre abril e junho do ano passado; família digitalizou e transformou em um livro para ele. Professor de 83 anos escreve livro de contos durante quarentena em Itapetininga
Juliano de Carvalho/Arquivo Pessoal
Por conta da pandemia de Covid-19, um professor de história aposentado de Itapetininga (SP) precisou interromper as atividades de lazer e do dia a dia para se resguardar em quarentena. Com o tempo livre de sobra, Celso Bodo De Carvalho, de 83 anos, resolveu escrever contos fantásticos.
“Escrever ajudou meu cérebro trabalhar bastante e fiz isso intencionalmente. Eu já não tinha minha natação, aulas e mais nada com a chegada da pandemia. Então, eu acordava cedo, sentava na sala para ler meus jornais e livros rotineiros e, ainda assim, sobrava muito tempo vazio. Para exercitar a mente, comecei a escrever meus próprios contos infantis”, conta.
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À moda antiga, o historiador escreveu mais de 20 contos, entre abril e junho do ano passado, usando como recursos papel, caneta e seu conhecimento enquanto professor. Em entrevista ao G1, Celso contou que, inicialmente, escrevia apenas para exercitar a cabeça, mas que ao finalizar as histórias, pediu para que uma das filhas digitalizasse como forma de evitar perdas.
Professor Celso Bodo, de Itapetininga, escreve contos fantásticos na pandemia
Juliano de Carvalho/Arquivo Pessoal
O livro “Era uma vez… Uma cachoeirinha e outras histórias” fala sobre vivências pessoais com um toque mágico de fantasia. Segundo ele, a ideia foi retratar a “cachoeirinha” como uma espécie de portal para outros mundos fantásticos localizada em um espaço fictício conhecido como “A Casa da Vó Duda”, homenagem à esposa.
Nesses mundos, seus netos, filhos e conhecidos se transformaram em príncipes, princesas, fadas, duendes e heróis das histórias. De acordo com o professor, os três netos mais novos foram escolhidos como protagonistas que se aventuram nesses mundos fantásticos.
“O meu foco foi escrever contos leves, sem maldade e com bastante fantasia”, explica.
Livro escrito como passatempo por professor de Itapetininga conta histórias de aventura, fantasia e mitologia
Juliano de Carvalho/Arquivo Pessoal
Além da fantasia retratada no mundo inusitado da “Casa da Vó Duda”, para atrair o interesse dos netos mais novos e, quem sabe, de outras crianças, uma das cinco filhas de Celso, que também é professora, pediu para fazerem ilustrações.
“Foi um sentimento extremamente satisfatório e de surpresa. Não imaginava que minhas filhas pediriam para fazer alguns exemplares ou ilustrar. Havia apenas pedido para digitalizarem. Foi uma emoção sem tamanho quando vi o livro”, relata Celso.
Ao G1, Celso também contou que por ter pensado muito em crianças ao escrever as histórias, quis usar uma linguagem amigável e ensinar que todos, mesmo que cometam alguns erros, têm a chance de melhorar como pessoas.
Inspiração profissional
Após 50 anos como professor de história em escolas estaduais, particulares e faculdades da região de Itapetininga, aos 83 anos, Celso decidiu usar seu conhecimento profissional como historiador para também ensinar um pouco aos netos e crianças sobre mitologia grega.
Em pontos do livro, com o intertítulo de Grécia Mitológica, o professor transporta seus netos para aventuras com personalidades históricas como Hércules, Ícaro e Cleópatra.
“Em uma época tecnológica, é necessário para chamar atenção dos pequenos que as histórias sejam atrativas. Para crianças sentirem interesse nas leituras, elas têm que recorrer, muitas vezes, às ilustrações, cores vivas, magia sobrenatural, fadas e heróis. Essa foi a intenção, escrever para agradar a criança”, explica.
Sem poder sair de casa, professor de 83 anos escreve a mão contos fantásticos na pandemia
Ana Guedes/G1
Durante entrevista ao G1, Celso contou que sente saudade de dar aulas, mas que não voltaria para uma sala de aula aos 83 anos.
“A minha vida foi ser professor. Foi a maior parte dela e uma das melhores fases. Sempre foi um grande prazer ensinar as pessoas sobre a história, independente de ser história real ou citar personalidades importantes se aventurando com meus netos em um livro que escrevi como passatempo”. diz.
Professor de história, de Itapetininga, escreve livro de contos na pandemia
Juliano de Carvalho/Arquivo Pessoal
*Colaborou sob supervisão de Paola Patriarca
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