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Demissões da Ford em Taubaté são suspensas após acordo entre empresa e sindicato no TRT

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Partes entraram em acordo nesta quarta-feira (17) na Justiça do Trabalho. Medida vale até dia 5 de março e trabalhadores ainda precisam aprovar termos em assembleia nesta quinta-feira (18). Liminar já havia proibido demissão coletiva no dia 5. Ford anunciou o fechamento das três fábricas que mantinha no Brasil, uma delas em Taubaté, no interior de SP
Rogério Marques/Futura Press/Estadão Conteúdo
A Ford e o Sindicato dos Metalúrgicos entraram em acordo nesta quarta-feira (17), em audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT) de Campinas, de suspender as 830 demissões de funcionários da empresa em Taubaté.
De acordo com a Justiça do Trabalho, a suspensão vai até o dia 5 de março. Até a data, as partes se comprometeram a fazer duas reuniões semanais para dar continuidade às negociações. Sindicato e empresa também concordaram com a retomada da produção da fábrica no próximo dia 22, com salários e benefícios assegurados a todos os empregados, convocados ou não ao trabalho.
No último dia 5, a Justiça do Trabalho já havia proibido a demissão coletiva de funcionários da Ford da fábrica de Taubaté. A decisão exigia que nenhum funcionário fosse desligado da empresa até o fim das negociações com o sindicato – a ação corre em paralelo ao acordo desta quarta, presidido pelo desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto Giordani.
Na audiência no TRT, a Ford também aceitou colocar a direção mundial da empresa para negociar o futuro da planta em Taubaté com o Sindicato dos Metalúrgicos. De acordo com a Justiça do Trabalho, a reunião com a cúpula da montadora será feita até o dia 25 de fevereiro.
A proposta será votada em assembleia com os trabalhadores nesta quinta-feira (18), às 8h. Os principais pontos do acordo entre Ford e Sindicato dos Metalúrgicos são:
A empresa assegura salários e benefícios aos empregados, convocados ou não ao trabalho, no curso da negociação;
suspensão da tramitação até o dia 05 de março de 2021;
As partes realizarão reuniões diretamente as terças-feiras e quintas-feiras, na sede da empresa, retomando as negociações diretas;
Início das atividades da fábrica de Taubaté no próximo dia 22, turno das 6h da manhã, para realização dos trabalhos que a empresa entender pertinentes. A reunião desta quinta-feira (18) servirá para tratar do quadro de empregados a serem utilizados na retomada, bem como cronograma de trabalho do próximo mês;
Por solicitação do sindicato, até o dia 25/02/2021, a empresa se compromete a viabilizar encontro dos dirigentes sindicais com executivos de alto nível, com poderes de decisão de reverter o encerramento das atividades, cabendo à entidade de trabalhadores levar proposta concreta de alternativas em tal sentido;
No que se refere às reuniões, o sindicato, por intermédio de seu presidente, poderá valer-se de auxílio técnico de um profissional do DIEESE e de um tradutor, desde que tais pessoas ou entidades assumam compromisso de sigilo quanto a dados e informações.
A Ford foi procurada pelo G1 e informou que “uma boa parte dos empregados da unidade de Taubaté se apresentou para trabalhar nesta quarta-feira (17). Agora a empresa está se organizando para o retorno das atividades no dia 22 de fevereiro, conforme compromisso firmado hoje entre a Ford e o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, que estabelece também a continuidade das negociações diretamente entre a empresa e o sindicato”.
Volta ao trabalho
Os trabalhadores da Ford em Taubaté decidiram se apresentar para o trabalho na fábrica nesta quarta-feira (17) depois de a empresa ter acionado apenas um grupo de 40 funcionários para o retorno das atividades.
Os metalúrgicos voltam à fábrica mais de um mês após o anúncio da montadora de encerrar a produção de veículos no Brasil, o que inclui o fechamento da unidade em Taubaté.
A decisão de retorno foi tomada em assembleia na manhã desta quarta-feira e os 830 trabalhadores se apresentaram na unidade às 13h. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a medida mostra que a categoria está disponível para o trabalho, o que contraria alegação da Ford na Justiça sobre greve.
Os funcionários estão em licença remunerada desde o anúncio de saída da empresa do Brasil, no dia 11 de janeiro.
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