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Técnica em enfermagem acusa acompanhantes de paciente de agressão em São Vicente, SP

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Vivian Almeida Rafael relata que foi agredida durante o expediente, dentro de hospital. Supostas autoras negam a acusação. Prefeitura apura o caso. Técnica em enfermagem do Hospital Municipal de São Vicente diz que foi agredida durante o expediente
Arquivo Pessoal/Vivian Almeida Rafael
Uma técnica em enfermagem que atua no Hospital Municipal de São Vicente, no litoral de São Paulo, alega que foi agredida por duas acompanhantes de uma paciente durante o expediente de trabalho. Segundo Vivian Almeida Rafael, ela foi ameaçada e sofreu agressões físicas e verbais. As supostas autoras negam a acusação, e a Secretaria de Saúde do município investiga o caso.
Em entrevista ao G1 nesta terça-feira (16), a profissional conta que, no dia do ocorrido, estava realizando a coleta dos testes de Covid-19 quando, no fim do expediente, foi avisar as pessoas que o horário de atendimento havia encerrado. De acordo com Vivian, neste momento, a acompanhante de uma paciente passou a questionar sobre o teste rápido da avó, e mesmo após receber orientação, começou a proferir xingamentos contra ela.
“O enfermeiro responsável tentou explicar, mas ela começou a gritar, dizendo que éramos dois safados. Nós fechamos a porta e ela ficou batendo no vidro, dizendo que estava me filmando e que iria me expor nas redes sociais. Ainda disse que, se acontecesse algo com a avó, eu seria responsável, e que ela iria me esperar na saída do plantão”.
Momentos após o ocorrido, a acompanhante da paciente chamou uma outra moça e conseguiu entrar na unidade para agredir Vivian. “Eu ouvi o barulho de alguém entrando. Na hora, só consegui segurar a porta com o pé e pegar o celular dela, que estava me filmando. Nesse momento, ela torceu o meu braço e eu devolvi o celular. Ela me chamou de muitos nomes feios, não sei de onde tirou tantos palavrões para me xingar”.
Ficha médica de técnica em enfermagem mostra agressão sofrida por Vivian
Arquivo Pessoal/Vivian Almeida Rafael
Uma equipe da Polícia Militar foi até o local e registrou um boletim de ocorrência. Ao procurar ajuda do hospital, Vivian conta que foi orientada a escrever a situação em uma folha de papel, que foi colocada em uma gaveta. “Eles nem leram, engavetaram e disseram que iam averiguar”, lembra. Além disso, a profissional diz que ouviu de superiores que a situação era ‘normal’.
No dia seguinte, a técnica passou por consultas médicas e conseguiu um afastamento de cinco dias. No entanto, para ela, retomar às atividades não vai ser fácil. “Não estou segura, não sei o que acontece na cabeça dela. Ela deixou bem claro que eu seria culpada se algo acontecesse com a avó. Não tem condições de voltar a trabalhar nessa situação, ser agredida e ainda ameaçada, fica difícil”.
Acompanhantes
De acordo com Kátia Cilene de Paula Machado, de 46 anos, no dia do ocorrido, ela e sua filha Thaylla Monique de Paula Oliveira, de 24, acompanhavam a avó de 86 anos que não passava bem. Segundo Kátia, no atendimento da idosa, o médico solicitou uma bateria de exames e, entre eles, estava o teste de Covid-19.
Kátia conta que, por volta das 17h, ela foi até a sala de triagem da Covid-19 para realizar o teste da avó. “Quando cheguei lá, muitas pessoas estavam reclamando na porta. Eu falei que estava com uma senhora de 86 anos e expliquei a situação, e ela me disse que não ia atender ninguém”. Ainda segundo o relato, a acompanhante retornou com a idosa ao médico, que orientou ela a pedir para a técnica assinar um papel se responsabilizando por não fazer o teste.
A doméstica relata que, quando voltou à sala de triagem, a enfermeira fechou a porta. “Ela bateu a porta na cara de todo mundo. Não só eu, como outras pessoas começamos a bater na porta, mas ela não abriu”, conta. Quando passavam por um outro ambiente que dava acesso à sala de triagem da Covid-19, Kátia conta que tentou tirar uma foto de Vivian para levar à delegacia. “Na verdade, não houve agressão, ninguém bateu nela, nem foi para cima dela. Por coincidência, na hora, ela estava realizando exame em uma outra pessoa”.
A filha, Thaylla Monique, confirma a versão da mãe, e conta que elas passaram pela porta de trás para tirar uma foto da profissional. “Em nenhum momento teve agressão, eu bati na porta, abri e peguei o meu celular para tirar a foto, mas ela imprensou a porta no meu braço para puxar o celular da minha mão”, funaliza.
Prefeitura de São Vicente
Procurada pelo G1, a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Saúde, informou que está apurando o caso sobre a suposta agressão à funcionária, e que tomará as providências cabíveis. Questionada sobre a segurança do local, a pasta disse que o hospital possui câmeras de monitoramento, e que dois guardas municipais cuidam do local diariamente.
Quanto à assistência médica, a administração afirma que Vivian está afastada de suas atividades desde o dia do ocorrido, passou por atendimento médico e foi acompanhada pelo enfermeiro supervisor do plantão durante todo o tempo.
VÍDEOS: G1 em 1 Minuto Santos

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