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Inquilino inesperado: perereca ocupa casinha de pássaro e viraliza na internet

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Artesão que confecciona casinhas para atrair corruíras e canarinhos foi surpreendido pelo flagrante; prática de construir abrigo para anfíbios é comum em outros países. Edson constrói casinhas para atrair aves; nova ‘inquilina’ surpreendeu o artesão
Vlamir Torin/VC no TG
Admirador da natureza e das aves, Édson Henrique, de Piracicaba (SP), dedica tempo e talento à confecção de casinhas para pássaros. No fim do ano passado o artesão produziu algumas delas para um primo, que presenteou um amigo da mesma cidade com o objetivo de atrair canarinhos e corruíras para o sítio. O que eles não esperavam, porém, era registrar uma perereca dentro da estrutura.
“Foi muito inusitado, eu jamais pensei que ela ia se abrigar lá. Meu primo até brincou comigo que eu fiz propaganda enganosa, construindo a casinha para os passarinhos, e aí aparece uma perereca”, brinca Édson.
Eu fabrico as casinhas, pinto a base e minha esposa termina com os detalhes. É uma maneira de atrair a natureza para perto, mantendo os animais soltos, sem colocar em gaiolas. Minhas casinhas estão em vários lugares, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e até na Bahia
Édson confecciona casinhas para atrais aves no quintal de casa
Édson Henrique/Arquivo Pessoal
O dono do sítio, Valmir Torin, também ficou surpreso com o ‘inquilino’, afinal, todas as outras casinhas instaladas pelo sítio recebem aves como corruíras, bigodinhos e rolinhas. “A perereca está lá desde o comecinho de janeiro, virou definitivamente a casa dela. Quando estamos no sítio observamos que ela sai da casinha, fica um tempo fora e depois retorna”, conta o despachante, que comemora o fato de receber visitas inusitadas como essa. “Nós não esperávamos, mas achamos muito legal. Estar próximo à natureza é sempre muito bom”, diz.
A espécie que se apropriou da casinha é uma Boana faber, popularmente conhecida como sapo-martelo. De acordo com o herpetólogo Willianilson Pessoa, é comum encontrar anfíbios escondidos em locais pequenos e úmidos, seja para usar como abrigo durante o dia, ou para passar pelo período de estivação ou latência: quando os animais poupam energia em períodos mais secos e esperam as chuvas para voltar às atividades de caça.
Com som inconfundível, sapo-martelo corteja a fêmea e atrai predadores
“No caso do período de latência ela vai ficar lá por um tempo guardando energia até chover mais forte, para então se reproduzir e sair em busca de alimento. Agora, se essa rã tem o hábito de sair a noite – período de atividade da espécie; então ela está somente usando a casinha como abrigo mesmo”, diz.
Espécie vive em áreas florestadas da Mata Atlântica e do Cerrado
Vlamir Torin/VC no TG
Casinha para anfíbios
A foto é engraçada e o flagrante é curioso, mas em outros países encontrar anfíbios em casinhas adaptadas deixou de ser acaso e se tornou um grande propósito: manter os animais por perto como exterminadores de pragas e insetos ou ainda garantir abrigo às pererecas, que antes procuravam proteção dentro das casas. “Nos Estados Unidos, nas épocas de muito frio, os bichos podem congelar e ficam sensíveis à radiação de luz que reflete na neve branca, por isso eles procuram lugares escuros para se proteger”, explica o herpetólogo.
Entre as instalações criadas nos EUA estão ‘hotéis de sapos’, feitos com canos de PVC enterrados no solo ou em baldes e recipientes com água. A ideia é criar um ambiente escuro e úmido que atenda às necessidades dos animais
Aqui no Brasil, o interesse pelos locais escuros e úmidos corresponde ao comportamento típico das espécies, interessada por esse tipo de habitat. “Importante ressaltar que aqui no Brasil nunca é perigoso ter anfíbios por perto, nunca! Além de não oferecer risco, eles ainda comem insetos e invertebrados, e até pequenas cobras e lagartos no caso dos sapo-cururu”, diz o especialista.
Sites estrangeiros ensinam a construir abrigo para anfíbios
Reprodução/Facebook

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