Bolsonaro defende Kassio Marques e provoca: “E se eu indicar o Moro?”

Presidente conversou com apoiadores, reclamou de críticas ao nome do desembargador para o STF e brincou com o nome do ex-ministro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ironizou, em conversa com apoiadores nesta sexta-feira (2/10), uma suposta indicação de seu ex-ministro da Justiça e ex-aliado, Sergio Moro, para a vaga de Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF). O chefe do Executivo reclamava a apoiadores sobre a má repercussão do nome de Kassio Marques em parte da militância bolsonarista.

“Que tal eu indicar o Sergio Moro para o Supremo?”, perguntou aos simpatizantes nos jardins do Palácio da Alvorada. “Não!”, gritaram em coro. Alguns emendaram: “É um traíra”.

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública – Sergio Moro. Foto: Hugo Barreto

Após ser interrompido, o presidente continuou: “Ah, mas pera aí, calma. Se não tivesse pedido demissão… Estaria comigo até hoje, e muitos de vocês falando: ‘É o Sergio Moro pro Supremo ou não tem reeleição”, ressentiu-se.

Depois da ironia ao sugerir o nome de Moro, Bolsonaro tornou a defender seu escolhido para a vaga que se abre em 13 de outubro no STF. “Ou vocês confiam em mim ou não confiam, está certo? Eu não tenho cabeça dura, não. Eu volto atrás em decisões minhas, mas essa decisão é crucial pra mim”, ponderou.

“Chateado”
Bolsonaro se disse “chateado” com parte do eleitorado que” virou as costas” para ele após a indicação do nome de Marques para a vaga de Celso de Mello no Supremo.

O presidente mencionou polêmicas levantadas pela própria militância bolsonarista, que reagiu negativamente ao nome do indicado para o STF. “Eu escolhi ele para o Supremo e está mantido, a não ser que tenha um fato novo gravíssimo contra ele. Pelo que tudo indica, não tem, ele vai pro Supremo. Agora, é uma covardia o que estão fazendo com ele”, reclamou o chefe do Executivo.

Parte das críticas ao nome de Kassio Marques se concentra em duas decisões do desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF1) da 1ª Região. Uma delas foi o voto contrário à deportação de Cesare Battisti e a outra foi a suspensão de liminar que proibia o STF de comprar lagosta e vinho importado.

“Esse juiz derrubou uma liminar que proibia o Supremo de comprar lagosta e vinho, é isso mesmo? Eu não sei se é verdade, parece que é. Detalhe: eu recebo autoridades do mundo todo, o que eu devo servir pra eles? Angu e Itubaína?”, questionou.

O presidente Jair Bolsonaro, após caminhar até STF, diz que irá vetar reajuste a servidores durante pandemia de coronavírus. Foto: Rafaela Felicciano


Malafaia?

Segundo o presidente, uma “autoridade do Rio de Janeiro” está caluniando o desembargador. “Uma decisão dessa, mesmo que seja do Kassio, é motivo pra você falar: ‘Ah, esse cara não serve pra ter uma ascensão na sua vida de jurista?’ Que negócio é esse, pô? Quer me criticar, que critique, agora ir para a calúnia, igual esse cara do Rio de Janeiro está fazendo, caluniando o cara”, reclamou.

Apesar de não ter mencionado o nome da “autoridade”, Bolsonaro disse que era alguém que ele admirava, tem feito vários vídeos e que é uma pessoa que “diz ter Deus no coração”. A descrição se encaixa com a do pastor Silas Malafaia, um dos que reagiu com veemência ao nome e publicou vários vídeos em suas redes sociais.

“Então, essa infâmia, que em especial essa autoridade lá do Rio de Janeiro está fazendo contra o Kassio, é uma covardia. Até porque ele queria que eu botasse um indicado por ele. Com todo o respeito, o presidente sou eu”. Fonte: Metrópoles

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