Cientistas criam 'água-viva ciborgue' para explorar os oceanos

Pesquisadores americanos criaram uma ‘prótese microeletrônica’ que faz os animais nadarem três vezes mais rápido

Uma equipe de pesquisadores conseguiu dar mais potência às águas-vivas. Os cientistas americanos criaram uma “prótese microeletrônica” que ajuda os animais a nadar até três vezes mais rápido que o normal, enquanto gastam menos energia metabólica.

O dispositivo mede aproximadamente dois centímetros de diâmetro e é acoplado ao corpo do animal com uma pequena palheta de madeira. Os pesquisadores de Stanford e da Caltech, envolvidos no projeto, planejam equipar sensores nas medusas para que seja possível explorar e coletar informações sobre o oceano.

“Apenas 5% a 10% do volume do oceano foi explorado, por isso queremos aproveitar o fato de que a água-viva já está em toda parte para dar um salto”, explicou Jhon Dabiri, líder do estudo.

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“Se conseguirmos encontrar uma maneira de direcionar essas águas-vivas e também equipá-las com sensores para rastrear coisas como temperatura do oceano, salinidade, níveis de oxigênio, poderíamos criar uma rede oceânica verdadeiramente global, onde cada um dos robôs água-viva custa alguns dólares para instrumentar e alimentar a energia que já está no oceano”, disse Nicole Xu, outra cientista envolvida com a pesquisa.

A prótese dos animais é revestida com uma película plástica à prova d’água e alojada com pesos de cortiça para mantê-la flutuando, sem atrapalhar a locomoção das medusas. Esta nova tecnologia consiste em um mini processador, bateria de polímero de lítio e dois elétrodos com LED para indicar visualmente a estimulação.

As águas-vivas nadam utilizando um movimento de pulsação, que expele a água e as empurra para frente, a cerca de dois centímetros por segundo. O equipamento produz impulsos elétricos para regular e acelerar essa pulsação, semelhante à maneira como um marcapasso cardíaco regula a frequência do coração. Com a prótese, os animais conseguem nadar a uma velocidade entre quatro e seis centímetros por segundo.

Também foi descoberto que os impulsos elétricos ajudaram a nadar com mais eficiência, porque elas usavam apenas do dobro da energia para fazê-lo. Isso foi medido pela quantidade de oxigênio consumida pelos animais durante a movimentação.

“De fato, as águas-vivas equipadas com próteses eram mil vezes mais eficientes do que os robôs nadadores”, contou Xu. “Mostramos que eles são capazes de se mover muito mais rápido que o normal, sem custos excessivos em seu metabolismo”.

O próximo passo para os pesquisadores é desenvolver um sistema que guie a água-viva para direções específicas e permita que elas respondam aos sinais dados pelo sensor. Fonte: Olhar Digital

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