RETROSPECTIVA 2019 – Os álbuns brasileiros que sobressaíram ao longo do ano

Foto: Divulgação / Montagem G1

Discos de Jards Macalé, Pitty, O Terno, Fabiana Cozza, Francis Hime, Mariana Baltar, João Camarero, Fafá de Belém, Zeca Baleiro e até Cássia Eller estão na seleção de 16 títulos.

RETROSPECTIVA 2019 – Com a progressiva transposição do mercado fonográfico para as plataformas digitais de áudio, a produção e o comércio de discos ficaram cada vez mais democráticos e independentes das gravadoras.

Em tese, todo mundo pode lançar um disco e torná-lo acessível no mercado digital com ou sem o auxílio de uma distribuidora. O que elevou o número de singles e álbuns despejados a cada semana nesse mercado, dificultando qualquer eleição de “melhores” discos.

Subjetivas pela própria natureza, as listas de “melhores” discos do ano estão cada vez mais condicionadas ao alcance da visão e audição de quem as elabora.

Como é impossível ouvir e avaliar todos os discos editados ao longo de um ano (estima-se que são milhares de lançamentos a cada mês), é possível tão somente apresentar um painel de discos que sobressaíram em determinado período, de acordo com critérios estéticos filtrados pela vivência de cada um.

Feita tal ressalva, eis – em ordem cronológica de lançamento – 16 álbuns de artistas brasileiros que, na avaliação do colunista e crítico musical do G1, sobressaíram ao longo de 2019, tendo sido cotados com cinco estrelas ou quatro estrelas e meia nas resenhas publicadas no Blog do Mauro Ferreira:

Capa do álbum póstumo ‘Todo veneno vivo’, lançado em 2019 com o registro integral de show feito por Cássia Eller em 1997 — Foto: Divulgação

1. Um mergulho no nada – Ayrton Montarroyos

– Lançado em 18 de janeiro, o segundo álbum do cantor reverteu expectativas por ser disco ao vivo feito sem a fórmula de hits turbinados com o coro do público. Somente com o toque do violão de Edmilson Capelupi, Ayrton Montarroyos ofereceu interpretações personalíssimas de repertório de ótimo nível.

2. Besta fera – Jards Macalé

– No primeiro álbum de músicas inéditas em 21 anos, o artista carioca se uniu a uma turma paulistana capitaneada por Romulo Fróes, Kiko Dinucci e Thomas Harres para fazer disco apocalíptico que se alimentou do contraste entre luzes e sombras. Besta fera saiu em 8 de fevereiro já com status de obra-prima contemporânea.

3. Tribalistas ao vivo – Tribalistas

– O trio registrou a comunhão com o público na turnê que mobilizou multidões em 2018, terminando em abril deste ano de 2019. Lançado em 15 de março, o álbum Tribalistas ao vivo se escorou na força de canções atemporais que unificaram 45 mil vozes sob o comando de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, líder informal do trio.

4. Vento brando – João Camarero

– O toque do violão deste excepcional músico paulista evoca naturalmente as sete cordas de Raphael Rabello (1962 – 1995), ás do instrumento. Mas João Camarero mostrou que tem alma própria neste segundo álbum, lançado em 30 de março. Sem jogar nota fora para evidenciar a técnica, o músico se confirmou seguro seguidor do legado de Rabello.

5. Humana – Fafá de Belém

– A cantora fechou o sorriso em disco interiorizado e depressivo que lhe devolveu o prestígio entre a crítica. Lançado em 5 de abril, o álbum Humana redimensionou o canto de Fafá além do regionalismo e do romantismo popular, motes da discografia da artista.

6. Canto da noite na boca do vento – Fabiana Cozza

– Atacada nas redes sociais por ter aceitado o convite para viver Ivone Lara (1922 – 2018) em musical de teatro, a cantora paulistana reverteu o revés em show que gerou primoroso álbum de estúdio com abordagens sóbrias do cancioneiro da compositora carioca. Canto da noite na boca do vento soprou a favor de Fabiana Cozza ao ser lançado em 5 de abril.

7. <atrás/além> – O Terno

– No quarto álbum de estúdio, lançado em 23 de abril, o trio paulistano se distanciou da extroversão pop do disco anterior Melhor do que parece (2016) e ecoou a melancolia do álbum solo de Tim Bernardes em inspirada safra autoral.

8. Matriz – Pitty

– A roqueira baiana trocou o chip neste disco vigoroso em que passou sons e referências da terra natal pelo filtro do rock. Lançado em 26 de abril, Matriz expandiu o território de Pitty.

9. Electra – Alice Caymmi

– Quando tudo indicava que Alice Caymmi continuaria mergulhada no pop mais raso, a cantora surpreendeu com dramático disco de voz e piano (o de Itamar Assiere) em que lapidou joias raras da MPB. A abordagem de Fracassos (Raimundo Fagner, 1975) já vale o álbum lançado em 27 de maio.

10. Quando deixamos nossos beijos na esquina – Vanessa da Mata

– A cantora e compositora retomou o fôlego autoral e revitalizou obra que já vinha dando sinais de cansaço. Cheio de frescor, o sétimo álbum de estúdio da artista saiu em 31 de maio, já precedido por um hit nato, Só você e eu, delícia pop previamente apresentada em single.

11. Todo veneno vivo – Cássia Eller

– Fora de cena há 18 anos, a cantora ressuscitou com o registro integral do show Veneno vivo (1997), lançado parcialmente em CD em 1998. Aplicado em dose integral em 23 de agosto, Todo veneno vivo se mostrou o antídoto ideal para encarar o Brasil corrosivo de 2019.

12. Os arcos – Paixão e morte – Mariana Baltar & Água de Moringa

– Ao lado do grupo Água de Moringa, Mariana Baltar atingiu a maioridade como cantora ao dar voz a músicas com letras de Aldir Blanc em disco grandioso. Baltar honrou a escrita fina de Blanc no álbum lançado em 27 de setembro com algumas composições inéditas em repertório dominado pelo samba.

13. O amor no caos volume 2 – Zeca Baleiro

– Com punhado de canções introspectivas que remeteram ao álbum Líricas, lançado por Zeca Baleiro em 2000, o segundo volume do álbum duplo do artista foi lançado em 11 de outubro com repertório autoral bem mais inspirado do que o do primeiro volume. O amor no caos 2 se impôs como um dos melhores títulos da discografia de Baleiro.

14. Hoje – Francis Hime

– Sem saudosismo, o compositor carioca festejou 80 anos de vida com álbum autoral de músicas inéditas em que reiterou a maestria como compositor. Disco lançado em 8 de novembro, Hoje flagrou Francis Hime atemporal no esplendor de álbum que incluiu parcerias com Adriana Calcanhotto, Ana Terra e Olivia Hime.

15. Fernando Brant – Vendedor de sonhos – Vários artistas

– Time estelar reapresentou o cancioneiro do letrista mineiro, parceiro fundamental de Milton Nascimento, em gravações inéditas que soaram tão reverentes quanto sedutoras. O álbum saiu em 2 de dezembro, lembrando que os sonhos não envelhecem.

16. Eu sou mulher, eu sou feliz – Ana Costa, Zélia Duncan e convidadas

– Parceiras na composição do repertório inédito deste conceitual disco-manifesto lançado em 6 de dezembro, Ana Costa e Zélia Duncan poetizaram direitos e grandezas da mulher em músicas gravadas por estelar time feminino que incluiu Alcione, Daniela Mercury, Mônica Salmaso e Simone. Fonte: G1

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