Durante posse como PGR, Augusto Aras troca afagos com Bolsonaro

Foto: Isac Nóbrega

Em discurso, presidente falou em amor a primeira vista e procurador-geral se comprometeu a seguir princípios “judaico-cristãs”

O procurador-geral da República, Augusto Aras, demonstrou forte alinhamento político e ideológico com o presidente Jair Bolsonaro durante a cerimônia de posse, realizada na manhã desta quarta-feira (2/10), na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília. Durante o evento, o novo chefe do Ministério Público Federal (MPF) e Bolsonaro trocaram afagos.

O presidente chegou a falar em “amor a primeira vista”, enquanto Aras disse que não será concebido “um Ministério Público contrário à nossa cultura judaico-cristã”. Além do presidente, um número considerável de ministros compareceram a cerimônia. Entre os representantes do Executivo estava o ministro da Justiça, Sérgio Moro, da Casa-Civil, Onyx Lorenzoni e Marcelo Álvaro Antonio, do Turismo. 

Marcelo está na mira da Polícia Federal, sob suspeita de integrar um esquema de candidaturas laranja no PSL, partido do presidente da República. No entanto, mesmo com ex-assessores sendo investigados, ele permanece no governo. Entre as atribuições do procurador-geral está a de denunciar políticos com foro, inclusive o chefe do executivo.

Já empossado, Aras elogiou a “experiência política” de Bolsonaro. “A sensibilidade e a experiência política de vossa excelência (Bolsonaro) sugerem, na ordem de prioridade das ações do Ministério Público, um enfrentamento intransigente à corrupção”, disse.

O procurador-geral declarou também que vai trabalhar para suprir as expectativas de Bolsonaro. “Cabe-me, por isso, aproveitando o acervo de nossos princípios e regras, aliado ao excelente quadro de procuradores desta instituição, fazer cumprir, senhor presidente, sua expectativa de que esta PGR seja transformada num organismo capaz de ser um dos melhores instrumentos de desenvolvimento, apto a contribuir para a economia e o combate à criminalidade,” disse.

Em seguida, deu o tom religioso para sua ascensão ao cargo. “Não concebemos um Ministério Público contrário à nossa cultura judaico-cristã, omisso na defesa das nossas riquezas e da nossa gente”, afirmou.

O presidente usou uma saudação militar para se referir ao procurador-geral. “Eu confesso, Aras, que foi, respeitosamente, um amor à primeira vista. Depois dessa gravata verde e amarela dele, só faltou ressaltar ‘Selva’”, disse. Ele também pediu que antes de acionar a Justiça contra integrantes do Executivo, promotores e procuradores, Aras converse com integrantes do governo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alclumbre (DEM-AP) e os ministros Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, também compareceram ao evento de posse. Fonte: Correio Braziliense

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